À CNN, Maranata fala de rivais, reestruturação do RS e saída do PDT
Nome do PSDB é o segundo entrevistado na série de conversas com concorrentes ao Palácio Piratini
A CNN Brasil entrevistou nesta quarta-feira (9) o candidato ao governo do Rio Grande do Sul pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), Marcelo Maranata. O ex-prefeito de Guaíba foi o segundo entrevistado na série de sabatinas realizada pelo canal até o dia 14 de setembro.
O político iniciou a carreira como vice-prefeito da cidade da região metropolitana de Porto Alegre em 2008, porém não conseguiu se eleger para chefiar o município nos pleitos de 2012 e 2016.
Foi somente em 2020 que Maranata venceu a eleição daquele ano e assumiu o comando de Guaíba, sendo reeleito em 2024. Durante seu mandato, foi um dos prefeitos que enfrentou as enchentes que atingiram o estado em 2024 e que deixaram ao menos 180 mortos.
Para concorrer ao governo do Rio Grande do Sul, Maranata teve que renunciar ao posto na administração municipal, além de deixar o PDT (Partido Democrático Trabalhista), que lançou Juliana Brizola à vaga, e se filiar ao PSDB.
Durante a entrevista desta quarta, o candidato comentou a troca de sigla no pleito deste ano e fez críticas ao seu antigo partido. Segundo Maranata, o PDT fez "uma curva para a esquerda" que não concorda e, dessa forma, preferiu transitar para o PSDB.
Com a mudança da sigla e o anúncio da candidatura, Maranata enfrenta a ex-companheira de chapa no pleito deste ano ao Palácio Piratini.
"Acreditava que o PDT tinha um caminho de centro-direita na nossa cidade e no Rio Grande do Sul também. Mas o PDT migrou, fez aí uma curva para a esquerda. E muitos, não foi só eu, outros militantes também acabaram tomando um outro caminho, que é sair do PDT, e eu tô muito feliz no PSDB", disse.
Desta forma, ao não ver Zucco como um oponente direto, o tucano aponta Juliana como sua adversária em um possível avanço ao segundo turno.
"Eu tenho sido bastante adversário já dela agora, porque eu penso que ela também poderá ser uma adversária minha no segundo turno. E eu acredito muito nesse momento em que eu tenho que provocar um pensamento crítico no gaúcho."
Além de definir a candidata como alvo prioritário de embate, Maranata também criticou a ausência de ambos nos debates promovidos por veículos de comunicação no estado, o que ele classificou como "lamentável".
"Eles estão fugindo dos debates, estão combinados de debate e, quando vão para o debate, eles se protegem, um não bate no outro. Decidiram que, não indo ao debate, eles perdem 0,5%; indo ao debate, perdem de 1 a 2%. Então, a estratégia é não ir no debate", completou.
Restruturação do RS
Durante a sabatina, o candidato falou da reestruturação do estado após as enchentes de 2023 e 2024 e investimento em obras de prevenção a eventos climáticos extremos, como o El Niño.
Ao ser questionado sobre as propostas para o estado e as primeiras medidas de um possível governo, Maranata apostou em um enxugamento dos gastos e falou em pedir "mais tempo" ao governo federal em relação às dívidas do RS.
"Depois de ter feito o tema de casa, enxugar a máquina tanto no legislativo quanto no judiciário e sentar com o próximo presidente para convencer o Brasil de que a gente precisa de mais um tempo para continuar as obras e proteger e retomar o desenvolvimento no estado do Rio Grande do Sul", disse.
Segundo o candidato, além da renegociação do Funrigs (Fundo do Plano Rio Grande), criado para concentrar os recursos pós-eventos climáticos, também há a necessidade da adesão do Rio Grande do Sul ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), promovido pelo governo federal para acordos das dívidas dos estados.
No entanto, Maranata aponta um problema ao renegociar o fundo gaúcho, uma vez que, segundo ele, há R$ 8 bilhões não utilizados. A não aplicação de tais recursos, aponta o candidato, se deve a problemas da gestão do governador Eduardo Leite (PSD), ao não apresentar projetos para execução dos valores.
"Nós temos cinco [projetos], desses cinco projetos, são quatro prontos, projetos pagos pelo governo que estão na Metroplan [Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional do Rio Grande do Sul]. Só que eles estavam com a cota de 1941, que foi uma chuva severa que pegou no Rio Grande do Sul, mas essa cota deu mais baixa. A enchente de 2024 superou a enchente de 41. E tem mais um quinto projeto que tá semipronto. Esses projetos precisavam passar por atualização, não um projeto novo", completou.
Outras propostas
Além do foco em medidas de contenção de eventos climáticos, o candidato também falou de medidas para educação, principalmente para o desenvolvimento de escolas de empreendedorismo no estado.
Segundo ele, a medida serve para incentivar e auxiliar jovens que estão se formando no ensino médio ou aqueles que desejam trabalhar por conta própria a administrarem seus negócios da melhor forma e crescerem nos empreendimentos.
No âmbito da saúde, Maranata falou de investimentos em centros de cuidado integrados para o melhor diagnóstico e atendimentos, principalmente para a população idosa do estado, que tem crescido nos últimos anos.
Também foram mencionados os aportes em tecnologias, tanto nos cuidados como para exportação, o que poderia transformar o estado em referência no setor. Além do atendimento a esse público local, Maranata acredita que os centros possibilitariam o turismo de saúde, com pessoas mais velhas visitando o estado atrás dos tratamentos e tecnologias oferecidos.
"As pessoas querem viver mais, querem viver melhor. Essa longevidade nós temos aqui, e a gente pode melhorá-la muito para ter tecnologia para vender para o mundo. Não só fazendo turismo de saúde, para que as pessoas possam vir para o Rio Grande do Sul, fazer o seu checkup, vir buscar tratamentos eficientes, mas também a gente exportar", disse.
Entrevistas com os candidatos ao governo do RS
Além de Marcelo Maranata, a CNN Brasil convidou para entrevistas nesta semana Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL). As sabatinas são transmitidas pelo YouTube da CNN Brasil às 13h30 e exibidas na TV às 23h30.
A seleção dos entrevistados tem como referência os candidatos mais bem colocados, segundo os dados do Índice CNN, agregador de pesquisas desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica.
Confira a agenda de entrevistas:
- Gabriel Souza (MDB): segunda-feira (7);
- Marcelo Maranata (PSDB): quarta-feira (9);
- Luciano Zucco (PL): quinta-feira (10);
- Juliana Brizola (PDT): segunda-feira (14).
*Sob supervisão de Lucas Schroeder


