À CNN, Simões critica Lula e STF, defende privatização e diz apoiar Zema
Simões disputa a reeleição pelo PSD e terá como vice o ex-deputado federal Danilo de Castro (União Brasil); entrevista ocorreu nesta quinta-feira (20)
O candidato à reeleição ao governo de Minas Gerais pelo PSD (Partido Social Democrático), Mateus Simões, reforçou, em entrevista à CNN nesta quinta-feira (20), sua proximidade política com Romeu Zema (Novo).
Ele criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que o STF (Supremo Tribunal Federal) é uma "vergonha para o Brasil". Simões também defendeu a privatização da Gasmig (Companhia de Gás de Minas Gerais), mas afirmou que não pretende fazer o mesmo com a Cemig (Companhia de Energia de Minas Gerais).
A sabatina durou 45 minutos e foi conduzida pelo âncora e editor de política da CNN Brasil, Iuri Pitta, ao lado dos analistas Caio Junqueira e Edilene Lopes. Simões concedeu a entrevista nos estúdios da Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte.
Críticas a Lula
Na discussão sobre a dívida de Minas Gerais com a União, Simões criticou a condução do governo federal e cobrou mais investimentos.
"Com o próximo presidente da República, espero que não seja Lula, mas, se for, não será um problema, eu gostaria de propor que o que a gente paga ficasse em Minas Gerais para investimentos em obras do governo federal", disse, destacando o financiamento de rodovias e ferrovias.
O candidatao disse também que Minas "merece mais respeito do governo federal".
"Não tem cabimento a gente pagar R$ 6 bilhões por ano para Brasília e nunca mais ouvir falar de investimentos em infraestrutura neste estado", afirmou.
Ataques ao STF
A crítica mais dura foi direcionada ao Supremo. Ao ser questionado sobre o papel da Corte na situação fiscal de Minas, Simões afirmou que o STF não tem "nada a ver" com o pagamento da dívida e atacou diretamente os ministros.
"O ministro Gilmar Mendes é uma vergonha para a nação brasileira. Aliás, ele e a maior parte do STF. Eu, como professor de Direito por 22 anos, tenho vergonha do STF que temos hoje”, disse. "O STF é uma vergonha para o Brasil. Não existe ditadura pior do que uma ditadura judicial, em que os poderes são tomados por quem não está submetido a nenhum tipo de controle, como é o caso dos nossos tribunais."
Simões também afirmou que a postura do STF vai "contaminando" o comportamento dos tribunais de instâncias menores e citou como exemplo o caso de um juiz que foi afastado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais por ter bebido vinho durante uma audiência.
"Isso vem da falta de limite do STF. A falta de exemplo que vem de cima acaba influenciando o funcionamento do Judiciário para baixo, seja em questões orçamentárias, seja no exercício da jurisdição", afirmou.
Cemig e Gasmig
Questionado sobre a declaração de Zema que afirmou que Simões privatizaria a Cemig, o candidato à reeleição pelo PSD negou e disse que não tem "nenhuma intenção" de fazer esse movimento caso seja eleito, mas isso pode mudar caso a empresa deixe de fazer um bom serviço.
Em relação à Gasmig, porém, o discurso é diferente. Simões afirmou que pretende discutir a privatização da companhia.
"Eu não pretendo fazer esse movimento com a Cemig. Estou mais preocupado olhando para o gás", afirmou. Segundo ele, a lógica não é privatizar empresas "a qualquer custo", mas concentrar esforços naquelas que não prestam um bom serviço.
Disputa com Cleitinho
Simões também comentou a liderança do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) nas pesquisas para o governo de Minas.
"Há um desconhecimento sobre quem é o governador. Se você perguntar nas ruas, as pessoas vão saber que o Zema renunciou há três meses, mas não saberão quem assumiu no lugar. É um problema natural de quando o vice assume.”
Ele reconheceu que o desempenho de Cleitinho está relacionado à popularidade, mas afirmou que isso não significa necessariamente capacidade para administrar o Estado.
"Estar à frente da pesquisa significa só que as pessoas gostam de você e lembram de você na hora da pesquisa. Não significa que elas gostam de você e vão escolher você para comprar remédio para sua mãe, para conduzir os hospitais do Estado, lidar com manifestação de polícia ou negociar a dívida com a União", afirmou.
Apoio a Zema
Ao falar sobre a eleição presidencial, Simões reiterou seu apoio a Zema, de quem era vice, e disse que seu mandato não apresentará uma grande mudança em relação à administração do ex-governador.
"Sempre que me perguntam o que vamos fazer de diferente, não acredito em uma ruptura completa depois de sete anos e meio no governo, o que temos é muita evolução em termos de politica, que parece de forma natural. O primeiro mandato do Zema foi sobre contas em dia, o segundo, em 2022, quando fomos eleitos no primeiro turno, foi sobre emprego", disse Simões, destacando que sua prioridade agora é elevar a renda dos mineiros.
Simões afirmou ainda que se sente honrado pelo apoio tanto de Zema quanto do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que pertence ao seu partido.
"Fico muito honrado de os dois dizerem que apoiam minha candidatura em Minas, mas, por coerência, meu apoio é ao Zema", afirmou.
Entrevista com candidatos ao governo de Minas Gerais
A escolha dos entrevistados segue o desempenho dos candidatos no Índice CNN, agregador de pesquisas desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica.
Confira a agenda das próximas entrevistas com os candidatos ao governo de Minas Gerais:
- Segunda-feira (24): Gabriel Azevedo (MDB)
- Terça-feira (25): Flávio Roscoe (PL)
- Quarta-feira (26): Alexandre Kalil (PDT)
- Quinta-feira (27): Patrus Ananias (PT)
Debates presidenciais e estaduais
A cobertura completa da CNN Brasil nas eleições de 2026 também contará com entrevistas de candidatos à Presidência no programa WW, comandado pelo jornalista William Waack, além dos debates presidenciais, no dia 23 de setembro, e para o governo de São Paulo, no dia 18 de setembro, organizados pelo consórcio Momento da Decisão.
O pool reúne 11 veículos de comunicação: CNN Brasil, SBT, RedeTV!, Exame, Terra, Metrópoles, Rádio Itatiaia, Nova Brasil FM, Rede Vida, SBT News e VEJA+ TV.


