Derrite deve explicar denúncias de corrupção nas polícias de SP, diz Tebet

Candidato ao Senado atuou como secretário da pasta no governo de Tarcísio de Freitas, entre 2023 e 2025

Gabriela Piva, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

A candidata ao Senado Federal por São Paulo Simone Tebet (MDB) criticou o trabalho do também candidato à Casa Alta Guilherme Derrite (PP-SP) na segurança pública do estado. Ele atuou como secretário da pasta no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), entre 2023 e 2025.

A ex-ministra do Planejamento citou denúncias do MPSP (Ministério Público de São Paulo) sobre lavagem de dinheiro e corrupção nas polícias Militar e Civil, que ocorreram durante a atuação de Derrite como secretário.

"[Estamos falando de] Denúncias seríssimas de corrupção e de envolvimento da Polícia Militar, e alguns dizem até da Polícia Civil, com o crime organizado, com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e/ou CV (Comando Vermelho), no período em que o Derrite era secretário de segurança pública", disse Tebet em entrevista ao jornal O Vale.

Para ela, a condução de Derrite na pasta é sua "grande fragilidade" na candidatura ao Senado Federal. "Ele foi secretário de segurança pública por três anos, né? Ele estava no governo, a responsabilidade de segurança pública é do governo estadual. Mas eu concordo com o governador, de que hoje o crime é transnacional", completou.

Ainda na entrevista, Tebet afirmou que facções como PCC e CV atuam fora dos limites fronteiriços dos estados e do país.

"Os governadores têm que tirar as vaidades de lado e entender que somente com uma coordenação do presidente da República, através de um ministério, que é o Ministério da Segurança Pública, que precisa ser criado, numa ampla coordenação nacional, com toda autonomia dos governadores — porque a gente sabe que segurança pública é responsabilidade dos governos do Estado — a gente soluciona esse problema", defendeu.

Na última pesquisa Quaest, Simone Tebet e Derrite apareceram tecnicamente empatados na corrida pelas duas vagas ao Senado. O ex-secretário, apoiado pelo governador Tarcísio, teve 12% das intenções de voto, assim como a ex-ministra Marina Silva (Rede). Já Tebet apareceu com 11%.

À CNN Brasil, a equipe de Derrite disse, em nota (veja na íntegra abaixo), que "as declarações de Simone Tebet distorcem fatos ocorridos durante a gestão" do ex-secretário.

"Os casos envolvendo suspeitas de corrupção de policiais militares e civis não foram acobertados pela gestão. Ao contrário, as instituições tiveram suas corregedorias fortalecidas e com autonomia para investigar seus próprios integrantes, em conjunto com outros órgãos de investigação e persecução penal", afirmou em nota.

Nota de Guilherme Derrite

"As declarações de Simone Tebet distorcem fatos ocorridos durante a gestão de Guilherme Derrite à frente da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

Os casos envolvendo suspeitas de corrupção de policiais militares e civis não foram acobertados pela gestão. Ao contrário, as instituições tiveram suas corregedorias fortalecidas e com autonomia para investigar seus próprios integrantes, em conjunto com outros órgãos de investigação e persecução penal.

A existência de policiais que se desviaram de suas funções não pode ser confundida com conivência institucional. Durante a gestão de Derrite, policial suspeito de envolvimento com o crime organizado não encontrou proteção política ou administrativa. Encontrou investigação, Corregedoria e, quando presentes os elementos necessários, prisão e responsabilização.

Em relação ao ex-comandante-geral da Polícia Militar José Augusto Coutinho, também é necessário esclarecer a cronologia dos fatos mencionados. A manifestação do Ministério Público refere-se a acontecimentos de 2020 e 2021, período em que Coutinho comandava a Rota e anterior à gestão de Guilherme Derrite na Secretaria da Segurança Pública. Na própria apuração, o Ministério Público não atribuiu ao coronel relação com a organização criminosa.

Também não corresponde aos fatos a tentativa de caracterizar o período como de enfraquecimento da inteligência policial. Durante a gestão, foram ampliadas as ações de inteligência financeira e de combate às organizações criminosas, realizadas centenas de operações integradas com o Ministério Público e a Polícia Federal e fortalecidos mecanismos para atingir o patrimônio das facções.

Ao longo da gestão, mais de 670 toneladas de drogas foram apreendidas, bilhões de reais em fluxos financeiros ilícitos foram identificados e São Paulo alcançou os menores índices históricos de homicídios, latrocínios e roubos. Esses são resultados concretos de uma política baseada em inteligência, integração entre instituições e enfrentamento permanente ao crime organizado.

Guilherme Derrite considera que denúncias contra qualquer integrante das forças de segurança devem ser investigadas com rigor, independentemente de patente ou função. Foi exatamente essa autonomia que sua gestão garantiu às instituições."