Direita está difusa e esquerda tem Lula como única opção, diz CEO do Ideia

No WW Especial, Cila Schulman avalia que baixo conhecimento de outros nomes e força de sobrenomes marcam cenário eleitoral polarizado

Da CNN Brasil
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A CEO do Instituto de Pesquisa Ideia, Cila Schulman, afirmou que o cenário eleitoral para 2026 ainda é marcado por baixa definição do eleitorado, forte polarização e dificuldade de emergência de uma “terceira via”. A análise foi feita durante participação no programa WW Especial, da CNN Brasil.

Segundo Schulman, o eleitor ainda não está mobilizado e os nomes mais conhecidos continuam dominando o debate.

“O eleitor ainda não está engajado, e nos nomes colocados, dois nomes são muito conhecidos. Você tem o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já vai estar na cédula pela sétima vez das dez eleições que a gente teve desde a redemocratização, sendo que o PT esteve em todas elas. E você tem do outro lado, o senador Flávio Bolsonaro, que tem um sobrenome muito conhecido”, afirmou.

Apesar da força do sobrenome, ela ressalta que o senador do PL do Rio de Janeiro ainda precisa se consolidar junto ao eleitorado. “As pessoas não conseguem dizer muito sobre Flávio Bolsonaro, exceto que ele é filho de Jair Bolsonaro. Então, ele também ainda precisa se apresentar para o eleitor”, disse.

Ao abordar a chamada “terceira via”, Schulman avalia que o conceito perdeu força diante do atual ambiente político. “Quando a gente fala de terceira via, a gente está andando por um conceito do final dos anos 1990, quando a gente falou da reinvenção da social-democracia. Isso depois da crise de 2008, especialmente depois da polarização que veio em meados de 2010, ficou superado”, explicou.

Para ela, o cenário atual dificulta o surgimento de candidaturas mais equilibradas. “Hoje a gente está em um clima de polarização, em que você tem muito mais dificuldade para ter um candidato, digamos, equilibrado. Você pode ter um outsider, como foi Bolsonaro, e a gente até aqui não tem uma figura como essa”, ressaltou.

A CEO do Ideia também destacou a concentração de forças no campo da esquerda. “A gente tem um campo da esquerda, em que não tem para onde correr, só tem o presidente Lula como alternativa, e isso também é uma situação totalmente nova”, destacou.

Já na direita, o cenário é descrito como fragmentado, apesar da força eleitoral associada ao bolsonarismo. “No campo da direita ainda está um pouco difuso com Flávio Bolsonaro, pelo sobrenome e por ter sido indicado por Jair Bolsonaro, transferindo todos esses votos”, pontuou.

Por fim, Schulman avaliou que outros possíveis nomes ainda carecem de projeção nacional. “Os dois [ex] governadores que estão colocados, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, eles não são conhecidos para além dos estados deles. Então, não dá para comparar esses dois governadores com alguém de sobrenome Bolsonaro”, concluiu.

WW Especial

Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.

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*Publicado por Jorge Fernando Rodrigues