Eleição derrota caciques da política e impõe reveses a Motta e Alcolumbre

Renan Calheiros (MDB), Gleisi Hoffmann (PT) e Ciro Nogueira (PP) perdem disputa pelo Senado; presidentes da Câmara e do Senado veem aliados derrotados em seus estados

Patrícia Nadir, da CNN, São Paulo
Compartilhar matéria

As eleições deste domingo (4) impuseram derrotas a alguns dos principais nomes da política. Renan Calheiros (MDB), Ciro Nogueira (PP) e Gleisi Hoffmann (PT) estão entre as lideranças que não conquistaram as vagas que disputavam no Senado.

Os resultados atingiram diferentes campos políticos e expuseram os limites da influência nacional nas disputas estaduais. Ao mesmo tempo, fortaleceram o PL (Partido Liberal), que conquistou 19 das 54 cadeiras em disputa na Casa Alta, mais do que qualquer outra legenda.

Uma das derrotas mais simbólicas ocorreu em Alagoas. Após quatro mandatos consecutivos, Renan Calheiros não conseguiu se reeleger e deixará o Senado em 2027, encerrando uma sequência de 32 anos na Casa. As vagas ficaram com Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB).

A família Calheiros sofreu uma segunda derrota com Renan Filho (MDB), que perdeu a disputa pelo governo para JHC (PSDB).

No Piauí, Ciro Nogueira (PP) também não conseguiu renovar o mandato. Citado no caso Master, presidente nacional do Progressistas e um dos principais nomes do centrão, o ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL) foi superado por Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD).

Em Santa Catarina, Esperidião Amin (PP) ficou fora do Senado apesar de uma das trajetórias mais longevas da política estadual. Duas vezes governador e duas vezes prefeito de Florianópolis, ele também foi deputado federal e disputou a Presidência da República em 1994.

As vagas foram conquistadas por Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL (Partido Liberal). O resultado marcou uma mudança na correlação de forças dentro da própria direita, com a derrota de uma liderança conservadora tradicional diante de duas candidaturas ligadas ao bolsonarismo.

Entre os principais nomes do PT (Partido dos Trabalhadores), Gleisi Hoffmann não conseguiu retornar ao Senado pelo Paraná. A petista ficou em quarto lugar na disputa vencida por Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).

Primeira mulher eleita senadora pelo estado, em 2010, Gleisi presidiu nacionalmente o partido, comandou a Casa Civil de Dilma Rousseff (PT) e foi ministra das Relações Institucionais no terceiro governo Lula.

A perda de espaço do campo governista também alcançou Randolfe Rodrigues (PT), líder do governo no Congresso. Senador pelo Amapá desde 2011, ele não conquistou um terceiro mandato. As cadeiras ficaram com Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD).

As derrotas ainda atingiram ex-governadores que tentavam uma vaga na Câmara. Também no Paraná, Roberto Requião (PDT) e Beto Richa (PSDB) não conseguiram se eleger deputados federais.

Requião governou o estado por três mandatos e foi senador e prefeito de Curitiba. Richa, que buscava a reeleição à Câmara, comandou o governo paranaense por dois mandatos e também foi prefeito da capital.

Em Minas Gerais, o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, perdeu a disputa pelo Senado. Ex-governador, ex-senador e ex-presidente da Câmara, o tucano chegou ao segundo turno presidencial em 2014, contra Dilma Rousseff (PT). Agora, deixará o Congresso em 2027, após quatro décadas de mandatos eletivos.

No Maranhão, Roseana Sarney (MDB) também não conseguiu retornar ao Senado. Filha do ex-presidente José Sarney, ela governou o estado por quatro mandatos e exerceu os cargos de senadora e deputada federal. Ficou em terceiro lugar, atrás de Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo).

Presidentes do Legislativo

O Amapá foi ainda palco de um revés para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). Seu aliado Clécio Luís (União Brasil) perdeu a reeleição ao governo para Dr. Furlan (PSD), apesar de contar com uma ampla aliança, que reunia do PT à federação União Brasil-PP.

Na Paraíba, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), até conseguiu garantir a própria reeleição, mas viu o pai, Nabor Wanderley (Republicanos), perder a disputa pelo Senado. João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB) conquistaram as duas vagas.

Embora não envolvam os cargos que Motta e Alcolumbre ocupam, as derrotas frustraram projetos políticos dos dois em suas bases estaduais. Assim como nos casos dos caciques que ficaram fora do Senado, a influência acumulada em Brasília não foi suficiente para garantir a vitória nas urnas.