Eleições: Lula ajuda mais Haddad do que Haddad ajuda Lula, diz especialista
Sócio da Real Time Big Data, Bruno Soller, aponta que votos de Haddad são puxados pela força de Lula no ABC Paulista, onde Tarcísio lidera com 50%
Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera as intenções de voto para o governo do estado de São Paulo na região do ABC Paulista com 50%, contra 44% de Fernando Haddad. O cenário foi analisado por Bruno Soller, sócio da Real Time Big Data, ao CNN Novo Dia, que avaliou a relação entre o desempenho eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o de Haddad na região.
Segundo Soller, há um "casamento de votos" entre Lula e Haddad no Grande ABC, com os dois candidatos obtendo números muito próximos. No entanto, o especialista ressalta que essa dinâmica favorece mais Haddad do que o contrário.
"Me parece que muito mais o Lula ajuda o Haddad do que o Haddad ajuda o Lula. A sensação é que o Haddad é puxado pelos votos que são votos do presidente Lula", afirmou Soller.
Rejeição e queda de desempenho de Lula no ABC
Na disputa presidencial simulada para o primeiro turno, Lula aparece ligeiramente à frente de Flávio Bolsonaro (PL) na região. Contudo, Soller observou uma redução na vantagem em comparação à eleição anterior.
"Na eleição passada, a diferença que o presidente Lula teve no primeiro turno para o candidato Jair Bolsonaro foi de quase 9%. E agora essa diferença caiu para 7%", explicou. Para o especialista, isso indica que a rejeição ao governo começa a dar sinais mesmo em localidades onde Lula teve bom desempenho anteriormente.
Entre os principais fatores que explicam essa rejeição, Soller destacou o custo de vida como o maior problema apontado pelos eleitores. Em segundo lugar, a questão da segurança pública se mostrou relevante na região.
O especialista chamou atenção para o fato de que candidatos ligados à área de segurança aparecem bem posicionados nas pesquisas: Guilherme Derrite (PP) lidera a disputa pelo Senado com 22%, e Orlando Morando (MDB) aparece na liderança entre os candidatos a deputado federal. "O tema segurança pública acaba liderando um pouco dessa disputa", disse Soller.
Divisão do voto à direita beneficia Lula, mas não Haddad
O especialista também apontou que a vantagem de Tarcísio na disputa pelo governo estadual se deve, em parte, à ausência de divisão do voto à direita. "A vantagem do Tarcísio nesse caso é que não tem divisão na direita. O Tarcísio está isolado aqui", afirmou.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro enfrenta concorrência de candidaturas de centro-direita, como Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), que somam 5% cada, fragmentando o eleitorado oposicionista.
Soller também comentou que Tarcísio pode ajudar Flávio Bolsonaro a crescer na reta final da campanha, por meio do chamado voto útil. "O peso do Tarcísio chamando o voto para o Flávio Bolsonaro pode fazer com que o Flávio ainda tenha algum leve crescimento na região do Grande ABC", avaliou.
Dinâmica se repete na capital paulista
Questionado sobre a cidade de São Paulo, Soller afirmou que a mesma lógica se aplica à capital. Haddad, que foi prefeito de São Paulo, ainda carrega um legado de sua gestão, como a implementação de corredores de ônibus.
No entanto, o especialista ponderou que, nas regiões periféricas da cidade, onde há maior concentração de pobreza, o voto em Haddad é fortemente influenciado pela figura de Lula. "Hoje, se ele tem voto ali, é muito em função do que é a figura do presidente Lula", concluiu Soller.


