Eleitores "não polarizados" serão decisivos nas eleições, diz CEO da Nexus
Cerca de 80% dos brasileiros estão divididos entre Lula e Flávio Bolsonaro na disputa para a Presidência, mas 23% do eleitorado não rejeita nenhum dos dois lados
Uma nova pesquisa da Nexus divulgada nesta segunda-feira (30) revela que aproximadamente 80% dos brasileiros estão polarizados entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. No entanto, em entrevista ao Bastidores CNN, o CEO da empresa, Marcelo Tokarski, disse que os eleitores não polarizados, que representam 23% do eleitorado, serão fundamentais para definir o resultado das urnas em outubro.
Segundo os dados apresentados, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, ambos com 46% das intenções de voto. A pesquisa também indica que 92% dos eleitores já decidem por votar em um nome ou outro, deixando pouco espaço para o crescimento de uma terceira via.
Polarização consolidada
A Nexus identificou que 27% dos eleitores são considerados bolsonaristas convictos e 21% são lulistas convictos. Além disso, 8% veem Bolsonaro como alternativa e 5% consideram Lula como opção secundária. "São 23% dos eleitores que nem rejeitam o bolsonarismo, nem rejeitam o lulismo, também não morrem de amores nem por um nem por outro. Mas aceitam votar e vão fazer sua escolha pelo que consideram o melhor candidato", explicou Tokarski.
O levantamento mostra ainda que, entre os eleitores não polarizados, Lula tem melhor desempenho que Flávio Bolsonaro, tanto no primeiro quanto no segundo turno. "Esse eleitor hoje tem uma rejeição um pouco maior ao bolsonarismo, principalmente ao Jair Bolsonaro, e por conta disso, hoje estão escolhendo o Lula", analisou o CEO da Nexus.
Rejeição e avaliação do governo
De acordo com a pesquisa, Lula é rejeitado por 49% dos eleitores, enquanto Flávio Bolsonaro tem rejeição de 48%. O governo atual tem aprovação de 45% e desaprovação de 51%, números que podem influenciar diretamente o desempenho eleitoral do presidente.
Tokarski destacou que, historicamente, o candidato incumbente tende a aumentar sua aprovação durante a campanha eleitoral. "É aquele momento em que o candidato tem muita exposição de mídia, tem o horário eleitoral para mostrar o que foi feito ao longo desses três anos e meio", explicou.
Um dado interessante revelado pela pesquisa é que 13% dos eleitores afirmaram ter percebido melhora em sua remuneração após a redução do imposto de renda implementada pelo governo Lula. Nesse grupo específico, o atual presidente tem desempenho significativamente melhor que Flávio Bolsonaro, o que pode representar um potencial de crescimento para sua candidatura caso mais pessoas percebam os efeitos dessa medida.


