Em convenção, Lula elogia Getúlio e cita foco na Defesa para evitar invasão

Petista lançou oficialmente candidatura para reeleição durante evento neste domingo (2)

Danilo Moliterno, Jonatas Martins e Gabriel Bosa, da CNN Brasil, Filipe Pereira, da CNN Brasil*, Brasília e São Paulo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou oficialmente neste domingo (2) a candidatura para reeleição ao Palácio do Planalto. O evento do PT (Partido dos Trabalhadores) ocorreu na zona norte de São Paulo e contou com a presença de apoiadores, como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT).

Em seu discurso, o mandatário mencionou em diversos momentos o ex-presidente Getúlio Vargas, em comparação às políticas voltadas aos trabalhadores e à inclusão social, e teceu elogios à conduta do ex-político. Segundo ele, as conquistas trabalhistas necessitam de "sindicato forte", em referência às medidas dos últimos anos, como o fim da contribuição sindical obrigatória.

"Vocês vão perceber que tem dois momentos importantes de inclusão social nesse país: o primeiro, do Dr. Getúlio Vargas, que não era operário, era um fazendeiro. Com a criação do salário mínimo em 1936, tirou o povo da botina para o salário. Depois, em 1943, com a criação da CLT, que tirou o povo da semiescravidão, que deu direito, deu jornada de trabalho, deu férias, deu um monte de coisa para nós, que hoje muita gente acha ruim: 'ah, a CLT é ruim, é tudo coisa velha'. Procura uma coisa mais nova. Procure", declarou.

Em discurso no sábado (1º), na convenção do PT na Bahia, o presidente também citou o ex-mandatário, em termos similares à fala deste domingo.

Lula e Getúlio lideram a lista dos chefes do Executivo que mais ficaram no poder, com o ex-presidente na casa dos 18 anos de comando, enquanto o petista se aproxima do fim de seu 12º ano de mandato.

Investimentos contra invasão estrangeira

Também em sua fala, Lula voltou a reforçar a importância de investimentos na indústria de defesa do Brasil. Segundo ele, o setor deve ser destacado para que "ninguém invada o país para levar o presidente".

"Nós precisamos investir na defesa. Quero estar preparado para que ninguém invada o país para levar o presidente", disse o petista.

Em janeiro, o governo dos Estados Unidos fez uma operação na Venezuela que culminou com a extradição do então presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores.

Eles seguem presos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, à espera de um julgamento pelos EUA que deve iniciar em junho de 2027.

No processo atual, Maduro é acusado de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e conspiração. O ex-presidente e sua esposa se declaram inocentes.

O reforço na indústria de defesa tem sido uma constante nas falas recentes de Lula, enquanto a questão da defesa da soberania nacional tem sido tida como mote da campanha.

No dia 24 de julho, o petista defendeu investimentos para "ninguém meter o nariz no país".

Ele afirmou haver "loucos pelo mundo querendo fazer guerra" e disse que os investimentos em defesa não podem ser algo "secundário".

"Quero ela [as Forças Armadas] bem preparada do ponto de vista de poderio, de armamento, de conhecimento científico e tecnológico para que a gente possa andar de cabeça erguida, sem nenhuma arrogância, falando em paz, mas preparado para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país", disse em agenda em Jacareí (SP).

"Ou vota em mim ou bate na mulher"

O presidente Lula também voltou a fazer fortes críticas aos casos de violência contra as mulheres. Em seu discurso, o mandatário admitiu que o país ainda não chegou ao patamar indicado para diminuir os casos, mas que vê processos nas medidas tomadas pelo governo.

Em sua avaliação, o mundo estaria "acabado" — em comparação ao processo de criação do planeta — quando ocorrer a mitigação das ocorrências do tipo: "Deus levou sete dias para fazer o mundo e ainda não acabou, porque só vai acabar no dia em que a gente acabar com gente ruim no mundo, sobretudo com a violência de homem contra a mulher nesse país".

Na sequência, Lula rechaçou o apoio vindo de agressores nas urnas, ao declarar não ver problemas em perder alguns votos desse grupo. Lula declarou: "O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim ou ele bate na mulher".

"O PT [Partido dos Trabalhadores] tem que ter coragem, o meu governo tem que ter coragem de dizer em alto e bom som. Não tem problema que eu perca algum voto, mas não é necessário e não é possível. O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim. Pega a sua mão e vota em quem você quiser", completou.

Briga contra emendas parlamentares

Em outro momento do discurso, Lula deu um recado para o Congresso e afirmou que, se chegar a um quarto mandato, irá lutar contra emendas e fundo partidário.

"Minha quarta presidência é para mudar muita coisa nesse país, vai ter briga com emenda parlamentar, com papel que hoje tem o Legislativo", disse.

O político afirmou que o cargo de presidente está tendo os direitos enfraquecidos no Brasil. "Não posso permitir que o presidente da República vá perdendo seus direitos, de indicar agência, de indicar ministro da Suprema Corte, do Cade... Qual é o direito que vai ter o presidente? Nenhum... Vai ter de ter briga democrática para fazer uma mudança nesse país".

Além disso, Lula também declarou que irá buscar uma mudança sobre o fundo partidário. "Sou triste com a política de hoje. Preferia meu partido quando tinha de vender uma camiseta para arrumar dinheiro para colocar gasolina para fazer comício. Negócio de fundo partidário não me agrada, porque está levando os partidos para promiscuidade".

Multa por pedido de voto

Lula também disse aos apoiadores que será "multado" por pedir votos de forma antecipada durante convenção do PT na Bahia.

"O campeonato vai começar agora. Eu não posso nem dizer que eu sou candidato. Eu vou ser multado pelo que falei na Bahia. Não pode pedir voto. Eu não devia ter pedido, só pode depois do dia 15", declarou.

Como mostrou a CNN, o partido Novo acionou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com uma representação contra Lula, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), os ex-governadores Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT), além do Partido dos Trabalhadores, por suposta propaganda eleitoral antecipada.

O partido alega que o presidente fez pedidos de voto, com palavras explícitas, para os aliados na Bahia e em um evento que contou com transmissão ao vivo, o que “desvirtua” o caráter intrapartidário.

"Depois que vocês votarem em deputado estadual e deputada estadual, votar em deputado federal e deputada federal, votar em senador da República e votar no Jerônimo, se sobrar um pouquinho de voto, vote em mim, que eu agradeço a todos vocês a lembrança", disse Lula na Bahia.