Família Bolsonaro estava perdendo controle sobre sucessão, diz vice da Arko

Em entrevista à CNN, Cristiano Noronha avalia que escolha de Flávio Bolsonaro como presidenciável para 2026 visa conter ascensão de Tarcísio de Freitas e reafirmar influência da família no campo da direita

Da CNN Brasil
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A escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à presidência em 2026 representa uma estratégia da família Bolsonaro para retomar o controle do debate sucessório no campo da direita, segundo análise de Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice, em entrevista ao CNN Prime Time deste sábado (6).

O especialista avaliou que a família Bolsonaro estava perdendo o controle do debate sobre quem substituiria Jair Bolsonaro (PL) como representante da direita, devido à ascensão do nome de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, que vinha ganhando força. "Estava se criando um movimento de centro e centro-direita muito forte a favor do nome do Tarcísio", afirmou.

 

De acordo com Noronha, havia, no entendimento de Jair Bolsonaro, a ideia de que a família estava perdendo controle sobre a sucessão presidencial, com uma "praticamente imposição" do nome de Tarcísio de Freitas por partidos do centro e centro-direita.

Outro problema apontado foi a dificuldade de fazer entendimentos no âmbito regional sem a liderança direta de Bolsonaro, como ficou evidente na confusão ocorrida no Ceará, que gerou desavenças entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-mandatário.

"Quando o Flávio é apontado como candidato, o ex-presidente, na pessoa do Flávio, reassume absolutamente o controle do debate sucessório, tira o holofote do Tarcísio", explicou Noronha. Segundo ele, a percepção no mundo político é que seria muito difícil Tarcísio confrontar a família Bolsonaro em uma disputa eleitoral.

O analista também destacou que o mercado reagiu mal à notícia da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e que o senador precisará apresentar um programa consistente além da pauta da anistia, que tem sido sua prioridade. "Obviamente que se eventualmente ele insistir apenas nessa pauta da questão da anistia, pode ser que o mercado tenha desconfiança em relação à sua candidatura", alertou.

Noronha ressaltou que temas como segurança pública têm ganhado relevância no debate político nacional e que o senador precisará abordar outras áreas importantes além da pauta pessoal da família. "A segurança está dominando bastante, em vários estados é um tema prioritário", observou.

Quanto ao cenário eleitoral para 2026, o especialista avalia que a candidatura de Flávio abre espaço para outros governadores do campo de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, e Ratinho Júnior (PSD), governador do Paraná, seguirem com seus projetos presidenciais. Isso tornaria mais provável a ocorrência de um segundo turno, embora Noronha continue acreditando que as forças representadas por Lula e Bolsonaro serão as protagonistas da disputa.

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