Candidatos criticam decisão de Toffoli sobre campanha de Renan

Candidato do Missão teve sua campanha suspensa pelo ministro do TSE

Vinícius Murad, da CNN Brasil, São Paulo
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Os candidatos à presidência Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) criticaram, nesta segunda-feira (31), a decisão do ministro Dias Toffoli, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que determinou a suspensão de atividades da campanha presidencial de Renan Santos (Missão).

Os quatro candidatos, que estão no campo da direita, fizeram críticas à medida mesmo sendo concorrentes de Renan na disputa pelo Palácio do Planalto.

Cury, candidato do Avante, afirmou que a decisão não deveria ser motivo de comemoração entre os adversários. “Quem ama a democracia não comemora quando um adversário perde a voz”, escreveu.

Flávio também se posicionou a favor da continuidade da candidatura: “Espero que o candidato Renan Santos restabeleça sua candidatura”, afirmou.

Na sequência, o senador associou a decisão ao bloqueio das redes sociais do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Zema adotou tom ainda mais duro contra a decisão. Embora tenha ressaltado divergências com Renan, afirmou que não ficaria em silêncio diante da medida. “Discordo em muitos pontos do Renan, mas o que o Toffoli acaba de fazer é um absurdo. Não ficarei calado por ser um concorrente. O buraco é muito mais embaixo”, afirmou.

O ex-governador de Minas Gerais também criticou o STF (Supremo Tribunal Federal) e afirmou que a Corte estaria desgastada por decisões e investigações. “Não existe democracia que se sustente dessa forma, com um supremo já desgastado por diversas decisões, inquéritos e ESQUEMAS que só mancham a instituição e o Brasil mundo afora. Chega de intocáveis”, escreveu.

Apesar das diferenças entre os candidatos e das disputas dentro do campo da direita, as manifestações têm um ponto em comum: a avaliação de que a suspensão das atividades eleitorais de um adversário não deveria ser tratada como uma vitória política. Os três prescindenciáveis já vinham adotando tom anti-STF durante a campanha, criticando ministros e promovendo mudanças na Corte.

Agora, as críticas se concentram na relação entre Justiça Eleitoral, liberdade de expressão e atuação das plataformas digitais. Cury adotou um tom mais institucional, enquanto Flávio relacionou o episódio ao caso de Bolsonaro e Zema ampliou a crítica para a atuação do Supremo.

Nas redes sociais, Caiado disse que "candidato adversário, não me sinto beneficiado por uma medida que, a partir de uma controvérsia no procedimento de registro de suas redes sociais, praticamente paralisa sua campanha".

"A Justiça deve ser respeitada, mas considero a medida desproporcional. Eleição se decide no voto, com todos os candidatos tendo o direito de apresentar suas ideias aos brasileiros", finalizou o candidato do PSD.

A CNN também procurou a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aguarda retorno.