Flávio diz que Eduardo não será chanceler em eventual governo

Candidato do PL (Partido Liberal) à Presidência também afirmou que o irmão, que atualmente mora nos Estados Unidos, é um "perseguido político"

Leticia Moreira e Renan Soares, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse na noite desta sexta-feira (16) que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, seu irmão, não será chanceler de seu governo, caso seja eleito no segundo turno das eleições deste ano.

"Não, ele não vai ser chanceler. O Eduardo é um perseguido político que está lá fora denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil. Algum dia a história ainda vai reconhê-lo como alguém que se sacrificou para defender a democracia do nosso país", disse em entrevista à TV Globo.

"O Eduardo faz sim um trabalho brilhante, construiu ao longo de mais de 10 anos um relacionamento internacional com vários líderes políticos conservadores, mas a questão de ser chanceler, ministro das relações exteriores aqui no Brasil é um outro assunto", prosseguiu.

Desde o ano passado, Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos e se tornou um interlocutor entre a família Bolsonaro e as autoridades do país.

O ex-parlamentar foi condenado pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) em junho do ano passado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo, cometido de forma continuada.

À época, a Suprema Corte concluiu que Eduardo Bolsonaro atuou junto a autoridades dos Estados Unidos para pressionar integrantes da Corte e tentar interferir nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O objetivo, segundo o colegiado, seria beneficiar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A decisão ainda impôs uma multa de 50 dias-multa, cada um equivalente a dois salários mínimos (aproximadamente R$ 162 mil reais), a suspensão dos direitos políticos do ex-deputado pelo tempo que durar a condenação e o cancelamento de seu passaporte.

Em julho, o governo dos EUA concedeu um green card a Eduardo. O documento garante a permanência do irmão de Flávio por prazo indeterminado em solo americano. Antes, ele vivia no país com autorização temporária para residir no Texas.

Na última semana, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o início de cumprimento da pena de Eduardo.

Como mostrou a CNN, depois da decisão de Moraes, a PF (Polícia Federal) avalia pedir a extradição do ex-deputado aos Estados Unidos. Eduardo é considerado procurado pelas autoridades brasileiras.