Lula acelera entregas de olho em restrições do calendário eleitoral
Presidente lança Tela Brasil no Rio de Janeiro em sua sétima viagem ao estado de Flávio Bolsonaro neste ano

De olho nas restrições impostas pelo período eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado acelerar a agenda de entregas pelo país.
A estratégia busca ampliar a divulgação de ações federais antes do início das limitações legais para publicidade institucional e participação de agentes públicos em eventos ligados à promoção governamental durante o calendário eleitoral.
A partir de 4 de julho, a três meses antes do primeiro turno das eleições, entram em vigor restrições mais rígidas previstas na legislação para evitar o uso da máquina pública em benefício de candidaturas durante o pleito.
Nesse período, agentes públicos ficam impedidos, por exemplo, de realizar determinadas formas de publicidade institucional, inaugurações com promoção pessoal e anúncios que possam influenciar o eleitorado. As regras têm como objetivo garantir maior equilíbrio na disputa eleitoral e impedir vantagens indevidas a candidatos ligados aos governos em exercício.
Até lá, a pré-campanha de Lula, que tem a máquina pública em mãos e busca a reeleição ao Palácio do Planalto, tenta se antecipar e garantir a publicidade de medidas com potencial eleitoral.
Como mostrou a CNN, o presidente tem anunciado, em média, uma entrega a cada três dias em 2026. No geral, as agendas são voltadas à área social, de saúde e infraestrutura.
Lula prioriza reduto de Flávio
Neste sábado (30), Lula retorna ao Rio de Janeiro para lançar a plataforma Tela Brasil, streaming público e gratuito de produções brasileiras. O evento está previsto para ocorrer na Cidade das Artes.
O projeto se tornou uma das prioridades do terceiro mandato de Lula e integra a política de retomada do setor audiovisual. Interlocutores do governo afirmam que as indicações brasileiras ao Oscar são vistas como um “gancho” estratégico para o lançamento, em meio ao momento de projeção internacional do cinema brasileiro.
A ideia inicial era anunciar a plataforma em uma data mais próxima ao Oscar, mas, segundo fontes do Palácio do Planalto, o cronograma foi adiado por causa de etapas consideradas complexas, que envolvem desde questões técnicas da plataforma, licenciamento das obras e até a agenda do próprio presidente.
Essa será a sétima viagem de Lula ao estado do senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência. Também é a sexta visita de Lula à capital fluminense neste ano eleitoral, o que faz do Rio de Janeiro a capital mais visitada pelo petista em 2026.
A última visita ao Rio aconteceu na semana passada, quando Lula fez anúncios na área da sáude, na Fiocruz.
Aliados do petista alegam que a agenda institucional da Presidência não sofre interferência eleitoral. Ainda assim, reconhecem que a frequência de anúncios e entregas no estado pode fortalecer a imagem do presidente nas próximas pesquisas.
Por outro lado, integrantes do PL fluminense avaliam que não há chances de Lula ganhar no estado e que a frequência de viagens do petista a capital não preocupa a campanha de Flávio.
Segundo fontes ouvidas pela CNN, os objetivos do PT no Rio passam por melhorar o desempenho de Lula, impulsionar a candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo fluminense, eleger Benedita da Silva (PT) ao Senado e ampliar a bancada do partido na Câmara dos Deputados.
A expectativa de dirigentes petistas é elevar de seis para nove o número de deputados federais eleitos pelo partido no Rio, um crescimento de 50% em relação à bancada atual.
Na mais recente pesquisa Genial/Quaest, Eduardo Paes aparece com ampla vantagem nos cenários de primeiro e segundo turno para o governo do Rio de Janeiro.
Em um eventual segundo turno, Paes tem 49% das intenções de voto, contra 16% do pré-candidato ao governo pelo PL, Douglas Ruas. Indecisos somam 16% entre os ouvidos pela pesquisa, enquanto brancos e nulos somam 19%.
Sobre essa folga do candidato de Lula nas pesquisas, fontes do PL esperam que o cenário de 2018 se repita em 2026, quando Paes perdeu para Wilson Witzel (DC) no segundo turno.
Por outro lado, o presidente Lula ainda aparece atrás de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Segundo o levantamento da Genial/Quaest, o senador tem 45% das intenções de voto, contra 32% do presidente no estado.
A campanha de Lula pretende reverter esse cenário, aumentando o desgaste de Flávio e do bolsonarismo, ao mesmo tempo em que amplia o palanque do presidente no Rio.
Agenda no Nordeste
Na sexta-feira (29), Lula cumpriu agenda no estado de Sergipe, onde realizou entregas na área de saúde. Em tom eleitoral, o presidente disse que a população precisa de amparo igual ao que o chefe do Executivo recebe.
Em seus discursos, Lula também aproveitou para comentar a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas.


