Mendonça pede vista e adia decisão sobre candidatura de Dr. Furlan no Amapá
Favorito nas pesquisas, ex-prefeito de Macapá é acusado de tentar se esquivar de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa; relator Dias Toffoli votou para barrar candidatura

O ministro André Mendonça, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), pediu vista — mais tempo para análise — e adiou uma definição sobre a candidatura de Dr. Furlan (PSD) ao governo do Amapá.
O tribunal eleitoral analisa um recurso do Ministério Público que questiona a renúncia de Furlan ao cargo de prefeito, apresentada depois do oferecimento de uma representação à Câmara Municipal que poderia resultar na abertura de um processo político-administrativo e, eventualmente, na cassação do mandato.
Segundo o MP, Furlan deixou o cargo para se esquivar da Lei da Ficha Limpa e deve ter a candidatura barrada por causa de inelegibilidade. Relator do caso, o ministro Dias Toffoli votou para acabar o recurso e barrar a candidatura.
O entendimento do ministro relator foi de que Furlan renunciou à Prefeitura de Macapá em março - cerca de um mês antes do prazo final de desincompatibilização - não apenas para disputar o governo estadual, mas também para evitar um processo na Câmara Municipal que poderia levar à cassação de seu mandato e driblar o processo antes do período eleitoral e podendo concorrer ao Executivo estadual.
Toffoli determinou em seu voto que o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Amapá suspenda do acesso de Furlan aos recursos partidários e eleitorais. Com o pedido de vista, há um limbo no entendimento da relatoria até que os ministros decidam em conjunto. Nenhum dos magistrados decidiu antecipar seus votos diante do pedido de vista.
Em maio, Furlan foi alvo de uma operação da PF (Polícia Federal) que visava apontar a existência de uma rede digital, espécie de “milícia digital”, criada para desinformação, autopromoção política e ataques a adversários no estado do Amapá que movimentava R$ 25 milhões destinados à comunicação pública da Prefeitura de Macapá .
Alvo das buscas dos investigadores, Furlan deixou a Prefeitura de Macapá em março, um dia após ser alvo de outra operação, que apurava suposta fraude em licitação para desviar R$ 70 milhões que deveriam ser aplicados em um hospital municipal.
A PF explicou que a organização se dividiria em sete núcleos. O mais importante deles seria o "núcleo estratégico e de comando", em que lideranças políticas orientavam a execução de campanhas promocionais e ofensivas, determinavam a intensificação de ataques, deliberavam a destinação de recursos e definiam as pautas e os alvos dos ataques.
Dr. Furlan é líder nas pesquisas de intenção de voto de acordo com o Índice CNN, que compilou as movimentações políticas para o governo amapaense desde setembro. O ex-prefeito de Macapá possui 58% das intenções de voto frente a 36% do atual governador, Clécio Luís (União Brasil).


