Palanque em SP reflete estratégia de Flávio para consolidar base eleitoral

Aliados assumiram discursos voltados a segmentos específicos em ato da direita na Avenida Paulista, em São Paulo, nesta segunda-feira (7)

Luciana Amaral, da CNN Brasil, Brasília
Compartilhar matéria

O palanque do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) nesta segunda-feira (7), em São Paulo, refletiu a estratégia da campanha na busca de falar com diferentes segmentos da população e, assim, tentar consolidar sua base eleitoral.

Uma série de aliados, parte deles candidatos, esteve presente no trio elétrico ao lado de Flávio no ato da direita na Avenida Paulista. O desenho do palanque evidencia uma tentativa de distribuir entre aliados diferentes portas de entrada para o potencial eleitor de Flávio: segurança pública, economia, religião, combate à corrupção, defesa de Jair Bolsonaro e críticas a Moraes.

Na prática, além de aparecerem junto ao presidenciável para o próprio eleitorado, a presença de cada um dos aliados funcionou como uma espécie de divisão informal ao se direcionarem mais a segmentos específicos da população nos discursos. Flávio, por sua vez, como protagonista, ficou com um discurso maior de síntese.

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é um dos principais ativos eleitorais de Flávio no estado. Não à toa, desde o início da campanha, ambos têm promovido agendas conjuntas, ainda ao lado do prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB).

 

Em discurso, Tarcísio reforçou que as revelações sobre o ministro do Supremo Alexandre de Moraes precisam ser “esclarecidas” e cobrou uma resposta institucional da Corte, no que se tornou um dos principais eixos da campanha presidenciável de Flávio.

O governador também aproveitou a oportunidade para reforçar uma lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e estabelecer um paralelo entre pai e filho.

“Em 2018, Deus levantou Jair Bolsonaro, uma pessoa a quem devo tudo, a quem devo toda a minha gratidão. Agora, Deus levanta Flávio Bolsonaro”, declarou Tarcísio.

Ricardo Nunes teve um discurso mais voltado à economia, com foco em pessoas e empresas endividadas. Portanto, mais ao dia a dia mesmo da população. Ainda, se focou em reforçar a importância de a direita eleger senadores do grupo, numa disputa bastante embolada com a esquerda no estado.

Nunes tem sido um dos principais responsáveis por articular a estrutura política paulista de Flávio.

Os candidatos de Flávio ao Senado por São Paulo, André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), também marcaram presença, o último com foco em segurança pública, área em que construiu sua principal identidade política como ex-secretário estadual.

Segurança pública é hoje uma das principais preocupações do eleitorado. Neste ponto, o candidato a vice na chapa de Flávio, Alfredo Gaspar (PL), também é um ativo importante e reforçou esse aspecto no ato da Paulista. Mas, nesta segunda, Gaspar foi, sobretudo, o representante do Nordeste no evento.

Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro e auxiliar de Flávio na formulação do plano econômico, ocupou outro espaço. Seu discurso foi direcionado à política fiscal, com críticas ao que classificou como “gastança” do atual governo e à manutenção de juros altos. Ela também procurou falar diretamente com mulheres e mães.

“Enquanto mulheres morrem, eles protegem bandidos”, declarou.

O componente religioso ficou a cargo do pastor Silas Malafaia, uma das principais lideranças evangélicas próximas ao bolsonarismo. Além das críticas contundentes a Moraes, Malafaia adicionou às falas um tom religioso, reforçando uma dimensão moral à campanha.

“Nós precisamos de instituições fortes. Desgraçar o Supremo é arrebentar com a democracia e com a República. Então, vai aqui meu pedido ao excelentíssimo senhor presidente do STF, Edson Fachin: pelo bem da Suprema Corte, afaste Alexandre de Moraes”, disse.

“Em nome de Jesus, essa gente não vai prevalecer. [...] Tira a cegueira espiritual”, falou em outro momento.

Os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO) também concentraram os discursos nas críticas a Moraes. Gayer ainda exaltou o trabalho de André Mendonça, ministro do Supremo indicado por Jair Bolsonaro e que entrou em rota de colisão com Moraes.

“André Mendonça, você não está sozinho.”

Os dois deputados cumprem ainda outra função para a campanha: mobilizam um eleitorado fortemente conectado às redes sociais, com apelo especial entre os mais jovens.

Já o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, normalmente aparece como a âncora partidária da família Bolsonaro nos eventos.

Nesta segunda, reforçou a ideia de que o futuro político de Jair Bolsonaro está diretamente ligado à eleição do filho.

Quem também esteve na Paulista foi a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), candidata ao Senado ao lado de Michelle Bolsonaro (PL-DF). Kicis é ligada a um núcleo ideológico bolsonarista mais raiz e foi uma das primeiras a gritar “é fora Lula e fora Moraes”.

Kicis foi ainda a responsável por justificar a ausência da madrasta de Flávio no ato: estava cuidando de Jair Bolsonaro na prisão domiciliar, em Brasília.

Também estiveram presentes outros aliados candidatos, como Douglas Ruas (PL-RJ), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Marco Feliciano (PL-SP), Sergio Moro (PL-PR) e Deltan Dallagnol (Novo-PR).

O primeiro é o principal nome de Flávio nas eleições ao governo fluminense, enquanto Sóstenes e Feliciano, além do componente estadual, ajudam a ampliar a conexão da campanha com o eleitorado evangélico. Já Moro e Dallagnol carregam consigo o simbolismo da Operação Lava Jato e um discurso anticorrupção.