Pré-candidatos ao Planalto comentam operação da PF contra Jaques Wagner

Investigação apreendeu cerca de 55 mil dólares e 33 mil euros em endereços ligados ao parlamentar e apura a doação de um apartamento avaliado em mais de R$ 2,4 milhões

Manoela Carlucci, da CNN Brasil, São Paulo
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Os principais pré-candidatos à Presidência da República se manifestaram ao longo desta quinta-feira (18) sobre a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura as fraudes financeiras do Banco Master e dessa vez teve o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula no Senado, como alvo de busca e apreensão.

Na operação desta quinta, a PF (Polícia Federal) apreendeu cerca de 55 mil dólares (R$ 284,1 mil) e 33 mil euros (R$ 196,3 mil) em endereços ligados ao parlamentar, em Brasília e na Bahia. A investigação aponta também que a família de Jaques teria recebido de Daniel Vorcaro um apartamento avaliado em mais de R$ 2,4 milhões.

Em nota, Jaques disse que o dinheiro apreendido pela PF é "fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais" e que acompanha com "tranquilidade o andamento das investigações".

Veja o que disseram os pré-candidatos:

  • Flávio Bolsonaro (PL)

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL (Partido Liberal), disse durante evento em São Paulo que o "PT da Bahia foi implodido pela Polícia Federal".

"O PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal em função de uma operação contra o líder do PT na Bahia, Jaques Wagner. É um péssimo dia para o PCC, para o CV e também para o PT", declarou.

Anteriormente, ele já tinha comentado o caso pelas redes sociais: "Escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder. CPMI do Banco Master já!", escreveu em publicação no X.

  • Ronaldo Caiado (PSD)

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, disse que os brasileiros chegaram em um ponto de "indignação completa": "Não é possível você conviver, cada dia com escândalos, eu não faço parte dessa política. Infelizmente, os momentos importantes do Brasil, eles estão sendo discutidos com escândalo, você não tem outro tema para discutir no Brasil"

Em conversa com jornalistas durante agenda de pré-campanha, ele disse não ter ficado surpresa com a notícia e elogiou o ministro André Mendonça pela decisão que autorizou a operação.

"Eu avalio que foi algo que foi uma decisão judicial, foi uma autorização direta para que fizesse essa apreensão. Acredito que foi um momento importante para que todos nós pudéssemos ter ali um momento de elogios ao ministro André, que realmente teve a coragem de poder fazer com que todos aqueles que estão envolvidos, realmente os casos venham à tona."

  • Romeu Zema (Novo)

Romeu Zema (Novo) disse que a notícia não o "surpreende": "O escândalo do Banco Master não começou lá em Brasília. Começou sim, na Bahia, como eu venho sempre falando. O PT da Bahia não é vítima do caso Master, é, sim, cúmplice".

"Mais um integrante do governo Lula recebeu uma visita da Polícia Federal. Dessa vez, o alvo foi o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner, do PT da Bahia. Busca e apreensão, corrupção passiva, lavagem de dinheiro tudo dentro do caso Master. E vamos lembrar o seguinte: o líder do governo é aquele senhor que o próprio Lula escolheu para falar dele no Congresso. É a voz do presidente dentro do Senado", afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.

  • Renan Santos (Missão)

Pré-candidato pelo Missão, Renan Santos avaliou que a operação que mirou em Jaques Wagner "está parecendo o mensalão".

"Ele estava na folha de pagamentos e agora foi comprovado, ele vai ter que mostrar de onde veio aquele dinheiro, de onde vieram aqueles relógios, porque aquele apartamento, porque parentes dele estavam também prestando consultoria ali para a turma do Banco Master. Em resumo, esse cara, junto com o Rui que eram a base do PT no nordeste, braço direito do Lula, eles caíram. Está parecendo o mensalão, quando foi caindo todo mundo em volta do Lula na época. Não vai restar nada e o Lula, como farsa vai cair, até porque o PT e Banco Master sempre tiveram tudo a ver. Escândalo do INSS tem PT e escândalo do Banco Master tem PT", afirmou em vídeo.

  • Lula

O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto.

O que diz Jaques Wagner

Em nota encaminhada para a imprensa, o senador afirmou que os valores apreendidos pela PF são "fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais".

"Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá".

Leia a nota na íntegra

"O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.

Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.

Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá."