Vox Radar: 64% tratam Lulinha como culpado; 1 em 12 citam acusação a Gaspar
Levantamento da VoxRadar mostra que dois em cada três comentários sobre o caso criticam Fábio Luís Lula da Silva e o PT; o âncora da CNN Iuri Pitta comenta os resultados
Um levantamento realizado pelo núcleo de dados da VoxRadar, em parceria com a CNN Brasil, revelou que 64% dos comentários nas redes sociais sobre as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, apontavam o investigado, seu pai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o PT como culpados.
A medição foi feita entre os dias 13 e 19 de agosto, período em que o caso ocupou manchetes de jornais e amplo espaço nos canais de notícia.
Os dados foram apresentados pelo âncora da CNN Iuri Pitta no Hora H. A análise integra uma nova ferramenta de acompanhamento do comportamento das redes sociais em relação a temas do noticiário político.
Polarização e "torcidas" posicionadas
Segundo Iuri Pitta, o peso negativo nos comentários era esperado e expressivo: praticamente dois em cada três comentários sobre o caso soavam de forma crítica.
Entre as manifestações negativas, havia tanto condenações diretas quanto postagens de um grupo mais cético, que ora apontava o caso como motivo para impeachment, ora afirmava que "todos são iguais", sem diferenciar campos ideológicos.
Em contrapartida, cerca de 18% dos comentários representavam a defesa de Lula, enquanto outro grupo utilizava o tema para atacar adversários, citando casos envolvendo Flávio Bolsonaro como forma de contra-argumento.
Iuri Pitta destacou ainda uma observação da equipe da VoxRadar: a predominância de opiniões negativas não necessariamente se converte em mudança de voto.
"Quem não gosta de Lula usa este caso para ir às redes expor o seu descontentamento", afirmou, acrescentando que apoiadores tendem a continuar apoiando e a usar os mecanismos disponíveis para defender ou atacar o adversário.
Superficialidade do debate nas redes
Outro ponto destacado por Iuri Pitta foi a ausência de profundidade nos comentários. Segundo ele, os usuários raramente entravam nos detalhes das investigações — como as joias pagas pela amiga de Lulinha, Roberta Luchsinger, ao ex-chefe de gabinete Marcola, ou questões relacionadas ao contrato do canabidiol.
"É muito de pegar pelo valor de face e pela superfície e usar como munição para um lado ou para o outro", avaliou.
Outros temas da semana
O segundo tema analisado foi a indicação de Alfredo Gaspar como candidato a vice de Flávio Bolsonaro.
O levantamento mostrou que o debate nas redes se concentrou mais na escolha do nome em si do que nas acusações de estupro de vulnerável que pesam contra Alfredo Gaspar — acusações que, segundo Iuri Pitta, são "algo muito grave, muito pesado".
O padrão observado foi semelhante ao do caso Lulinha: as "torcidas" já estavam posicionadas e mantiveram suas posições, com pouca margem de manobra no debate.
O terceiro tema foi a candidatura de Pablo Marçal, registrada no limite do prazo legal pelo PRTB. O levantamento da VoxRadar apontou forte presença de deboche, memes e rejeição nas redes, além de uma adesão considerável entre seus apoiadores.
Iuri Pitta ressaltou que, somando os comentários de deboche (21%), rejeição direta (19%) e os que usavam o tema como palanque para outros candidatos (cerca de 14%), havia mais ceticismo e posicionamento contrário à candidatura de Marçal do que apoio propriamente dito.
A questão da elegibilidade ou inelegibilidade de Marçal perante a justiça eleitoral, no entanto, praticamente não entrou no debate das redes.
Ao longo da apresentação, ficou reforçado o caráter do levantamento: trata-se de uma leitura do comportamento das pessoas nas redes sociais, e não de uma pesquisa de intenção de voto.
"Não estamos aqui cumprindo o papel de instituto de pesquisa", frisou a âncora Thais Herédia. A ferramenta, desenvolvida em parceria com a VoxRadar, acompanhará o noticiário político até as eleições.


