Indústria do cinema é uma das mais afetadas pela crise do novo coronavírus


Da CNN, em São Paulo
10 de maio de 2020 às 18:07 | Atualizado 10 de maio de 2020 às 20:14

Como forma de conter a propagação do coronavírus, e seguindo as normas da Organização Mundial de Saúde (OMS), salas de cinema em todo o mundo estão fechadas. Além disso, as produções e gravações de novos longa-metragens e séries foram suspensas. Por isso, a indústria do cinema é hoje uma das mais afetadas pela crise do coronavírus. 

Até o início da quarentena na cidade de Nova York, epicentro da doença, 67 produções — tanto para cinema, quanto para TV — estavam sendo gravadas na principal área verde de Manhattan, o Central Park, inaugurado em 1857 para se tornar um cartão postal.

Atualmente, a locação mais habitada está vazia.

A paralisação da indústria do cinema, que, mensalmente, fatura 8 bilhões de dólares só nos Estados Unidos, acabou afetando uma cadeia mundial do audiovisual.

O advogado especialista em contratos culturais Fábio Cesnik ressalta que mesmo após a quarentena, levará um tempo maior, hoje imprevisível, de quando a indústria do cinema poderá voltar a filmar.

“Quando os governos permitirem a circulação de pessoas, elas vão fazer aquilo que é essencial: você vai voltar ao seu trabalho, vai ao médico etc., mas vai dizer 'olha para ir ao cinema posso esperar mais um ano, ou para ir a um show, podemos esperar mais.'”

O cineasta Fernando Meirelles acredita que o streaming se tornou a salvação para a indústria. “Os filmes que ganharam prêmios recentemente são produções bancados por plataformas streaming”, conta o cineasta que recentemente dirigiu o longa “Dois Papas”, financiado pela Netflix.

Durante a quarentena, houve uma explosão de novas assinaturas de serviços on-demand. A internet está tentando dar vazão ao cinema, à televisão, aos documentários e produções que não foram exibidas nos teatros e salas de cinema por conta da quarentena. Além disso, as premiações do setor também estão acontecendo em eventos on-line. 

No entanto, junto aos festivais, além das exibições e oficinas em formato workshop, acontecem as rodadas de negócio, em que um grande número de pessoas circula e faz reuniões a fim de fechar acordos de produção e de distribuição. O “The Marché du Film”, por exemplo, ligado à Cannes vai acontecer on-line, em junho de 2020, em uma versão on-line experimental.


Produção de cinema nacional

Em meio à crise nessa indústria, as produções brasileiras podem encontrar uma brecha para colocar em cartaz filmes que estavam parados por conta da burocracia do estado. 

Rodrigo Teixeira ressalta uma estratégia para filmes e séries que já estavam prontos para serem lançados em 2020.

“Os canais vão precisar de conteúdos, e a hora que eles não mais tiverem estoque para apresentar, eles vão precisar bater na porta de quem tem algo pronto.”

Ele acredita, inclusive, que isso provocará uma mudança no audiovisual, já que os catálogos das TVs e plataformas não dão conta de tudo o que o público quer.

“O público quer o novo. E inédito já existe, está pronto, e ele pode aparecer e mudar nossa relação com o mercado como um todo.”