Hollywood e a mania de escolher atores brancos para personagens de outras etnias


Lisa Respers France, da CNN
16 de outubro de 2020 às 14:00
A atriz israelense Gal Gadot

A atriz israelense Gal Gadot

Foto: Reprodução - 11.jan.2018 / Reuters

A história se repete mais uma vez. A prática de utilizar atores brancos para interpretar personagens negros ou de outras etnias existe em Hollywood desde sempre. 

Na mais recente notícia nesse sentido, a atriz israelense Gal Gadot foi escolhida para o papel de Cleópatra, antiga rainha do Egito. A produção vai reunir mais uma vez a protagonista de Mulher-Maravilha e a diretora do filme sobre a heroína, Patty Jenkins.

O caso não é novo, mas é complicado. Apesar de ter governado o Egito, há um amplo debate sobre se a rainha tinha ascendência africana, dado que ela era de uma longa linhagem de gregos macedônios. Lembrando que o Egito é um país do continente africano.

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A crença de que Cleópatra era uma mulher de cor também causou consternação em 2010, quando Stacy Schiff, autora da biografia Cleopatra: a life (Cleópatra: uma vida, em tradução livre), sugeriu que a atriz norte-americana Angelina Jolie seria a escolha perfeita para interpretar a rainha em uma adaptação do livro. 

A própria Jolie já havia se envolvido em uma polêmica semelhante pelo papel da jornalista francesa Mariane Pearl, que é descendente afro-cubana-chinesa-holandesa, no filme O preço da coragem (2007).

Mas o problema é maior do que apenas um papel. A prática conhecida como “color-blind casting”, quando o elenco é escolhido sem considerar a etnia, cor da pele ou gênero do ator, tem críticos e defensores por inúmeras razões.

O “blackface” – retrato ofensivo de negros, latinos e asiáticos por atores brancos –, e a sub-representação das pessoas de cor apontam para o fato que a indústria do entretenimento tem, há muito tempo, um problema racial. Portanto, é desagradável quando as pessoas acreditam que um personagem foi "embranquecido".

Confira abaixo uma lista de escolhas de elenco que deixaram muitas pessoas irritadas com Hollywood.

Jake Gyllenhaal

Ninguém ficou muito feliz quando o ator foi escolhido para o papel principal no filme Príncipe da Pérsia: as areias do tempo (2010). Nem o próprio Gyllenhaal. “Acho que aprendi muito com esse filme, porque agora passo muito tempo avaliando os papéis que aceito e por que os aceito”, disse ele ao site Yahoo Entertainment em 2019.

Scarlett Johansson

Ela causou um grande alvoroço em 2015 quando concordou em interpretar uma mulher asiática em A vigilante do amanhã (2017). A obra, um remake em live-action do mangá japonês, não foi bem nas bilheterias.

Joseph Fiennes

Até Paris, filha do Michael Jackson, expressou o desprazer quando Fiennes foi escolhido para o papel do pai dela para um episódio de 2017 da série britânica Urban Myths, que foi marcado por muita polêmica.

A lista continua… A realidade é que se Hollywood fosse um local equilibrado, todos os papéis deveriam estar abertos a qualquer pessoa. Mas não é assim. E até que seja, continuará havendo desapontamento, principalmente por parte daqueles que pressionam por uma melhor representação.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês.)