Lia Bock: Dicas de séries, livros e filmes para refletir sobre o racismo


Da CNN
20 de novembro de 2020 às 12:12 | Atualizado 20 de novembro de 2020 às 12:34

No Manual do Mundo Moderno desta sexta-feira (20), na CNN Rádio, Lia Bock falou sobre o caso de João Alberto Silveira, homem negro de 40 anos que foi espancado até a morte no estacionamento de um supermercado em Porto Alegre.

"Será que aconteceria o mesmo se fosse um homem branco?", questionou ela. "A resposta provavelmente é que o desfecho seria outro."

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Cartela Manual do Mundo Moderno (Rádio CNN)
Lia Bock comanda o Manual do Mundo Moderno na Rádio CNN
Foto: CNN Brasil

Veja abaixo uma lista de séries, livros e filmes para refletir sobre o racismo.

• I may destroy you

A série da HBO criada e estrelada por Michaela Coel tem elenco predominantemente negro. Com tensão e certo mistério, ela conta a história de uma escritora que está com dificuldades de terminar seu livro e, depois de um apagão na balada, entra em uma espiral de autoconhecimento que revelará sofrimentos, dores e desejos obscuros.

• O perigo de uma história única

Livro da escritora Chimamanda Adichie traz o texto atualizado de uma palestra que ela deu em 2009 e revela como preconceitos são criados em cima de histórias. Falando sobre a experiência pessoal de ser uma africana nos Estados Unidos, Chimamanda revela os problemas das histórias simplistas que são contadas sobre os povos africanos. 

• A última abolição

Documentário de Alice Gomes e Luciana Barreto reúne os maiores historiadores do Brasil para recontar a história da abolição da escravatura e como tudo que aconteceu em 1888 está conectado com o que vivemos hoje. O filme desenha a história do racismo no país e revela um cenário que poucos aprenderam na escola. A obra está disponível no Net Now.

• Mundo pós-pandemia com Hélio de la Penha

Em uma longa entrevista à CNN, o humorista fala sobre como lidou com o racismo sendo um negro privilegiado e revela como mudou de opinião a respeito das cotas raciais. Há alguns anos, Hélio se posicionou contra e agora é fortemente a favor.

• Tamirys Borsan

A youtuber e ativista publica vídeos em uma linguagem muito acessível falando sobre racismo, consciência racial e formas de atuar no mundo. Com graça, firmeza e falas fortes, ela alcança negros e não negros que desejam aprender e conversar. 

• Parece comigo

O curta-metragem de Kelly Cristina Spinelli traz dados e entrevistas sobre a importância de meninas negras brincarem com bonecas negras. Mostra o aguerrido trabalho das bonequeiras que tentam mudar o cenário atual, enfrentando a gigante indústria de brinquedos com artesanato consciente. A obra está disponível na plataforma Hysteria.

• Jeferson De

Jeferson dirigiu o filme Brother de 2010 e, desde então, tem atuado no cinema brasileiro com destaque, não só contando histórias de pessoas pretas como criando equipes predominantemente negras. Em breve, ele lançará M8 – Quando a morte socorre a vida, que conta a história de um estudante preto em uma faculdade de Medicina. Tem mistério, múltiplas questões sociais e raciais e um elenco com protagonistas negros. 

• Pequeno manual antirracista

Neste livro, a filósofa Djamila Ribeiro fala sobre o racismo atual, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. A autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que querem aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas. 

• Olhos que condenam

Baseada em uma história real, a série da Netflix conta a história de cinco adolescentes do bairro do Harlem, em Nova York, injustamente acusados e condenados por um crime brutal. A história se passa na década de 1980 e mostra como as vidas negras valem menos na nossa sociedade. O enredo é um alerta para países como o Brasil, onde 8 em 10 pessoas mortas pela polícia são pretas, segundo o Fórum de Segurança Pública.