Allan Souza Lima diz que dirigir primeiro longa é sua "insurreição íntima"
Enquanto integra elenco da "Dança dos Famosos", o ator está prestes a trabalhar em "Poeta Bélico", que traz nomes como Renato Góes e Alejandro Claveaux

Enquanto integra o elenco da "Dança dos Famosos", da TV Globo, o ator Allan Souza Lima, 39, está prestes a dirigir seu primeira longa-metragem. Depois de uma imersão no México, onde se dedicou a workshops e experimentações culturais com artistas locais, ele retornou ao país com uma tríade de movimentos: além do projeto autoral, outros dois novos personagens nas telonas.
À CNN, ele conta ter ido atrás do que realmente o instiga. "O Brasil é meu chão, mas o México me lembrou que essa terra nossa, Latina, compartilha uma dor comum, mas também uma potência de criação que não aceita silêncios. Vivi uma espécie de expansão artística lá e reaprendi a escutar também com o corpo".
Entre os próximos lançamentos estão "Lusco-Fusco”, uma ode ao cinema independente com atmosfera densa, que explora a sororidade e desconstrói a masculinidade tóxica, e a segunda temporada de "Cangaço Novo", do Prime Video. A série, que lhe rendeu destaque nacional com uma performance visceral, agora promete aprofundar ainda mais a complexidade de seu papel, num sertão dilacerado entre a honra, o sangue e a redenção.
Allan também se lançou em mais um papel, já em pós-produção, que exigiu outra expressão corporal: a dança, um dos elementos centrais do drama “Talismã”, retomando nas telas da ficção o que agora exibe aos fins de semana no Domingão com Huck.
"Tive aulas de samba, expressão corporal, consciência do movimento. Não é só sobre coreografia, é sobre contar uma história pelo ritmo do corpo. É interessante sair do lugar da fala e entrar no lugar do gesto. É outro idioma", diz.
"Poeta Bélico": o primeiro longa-metragem de Allan Souza Lima
No último dia 4 de julho, o ator foi anunciado seu primeiro longa como diretor de "Poeta Bélico”, com roteiro de Ulisses da Motta, produzido pela Ikebana Filmes e que será rodado na Paraíba. O projeto carrega no nome sua própria contradição, à primeira vista: poesia e guerra, arte e resistência. Nomes como Renato Góes e Alejandro Claveaux estão no elenco.
Trata-se de uma narrativa pós-apocalíptica, em que um poeta e um guerrilheiro atravessam paisagens devastadas tentando manter viva a centelha da linguagem em um mundo que já não sabe nomear a si mesmo.

"'Poeta Bélico' é minha insurreição íntima. É um filme que retrata um mundo que ruiu não por falência tecnológica, mas por anemia de sentido e pelo envenenamento coletivo de certezas demais. Entre escombros materiais e morais, dois homens cavam linguagem para suas dores; cada um, à sua maneira, tenta arrancar significado dos destroços e seguir em frente”, conclui.


