Brasil comemora Dia do Quadrinho Nacional

O Dia do Quadrinho Nacional é comemorado neste sábado (30). Para celebrar esta data importante da nona arte, a CNN conversou com artistas da atual geração

Por Thiago Felix, da CNN, em São Paulo

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HQ 'Angola Janga' publicada em 2017
HQ ‘Angola Janga’ publicada em 2017
Foto: Divulgação

O Dia do Quadrinho Nacional é comemorado neste sábado (30). As histórias em quadrinhos estão presentes há muito tempo na vida do brasileiro, mais precisamente desde 30 de janeiro de 1869, quando o cartunista Angelo Agostini publicou o primeiro quadrinho que se tem registro no Brasil: “As aventuras de Nhô-Quim”. 

Para celebrar esta data importante da nona arte, a CNN conversou com dois artistas da atual geração, Marcelo D’Salete e Cynthia Bonacossa. 

 

Quadrinista e ilustrador, D’Salete também é professor e mestre em artes plásticas, essa bagagem ajudou em sua formação como autor. “Na graduação eu pude ter acesso à diversas disciplinas, principalmente dentro da área de humanas. Mas a minha trajetória passou pelas artes plásticas, pela história, pelo cinema, pela literatura, pela sociologia…”, diz D’Salete.  

Os quadrinhos me deram tudo", Marcelo D' Salete
“Os quadrinhos me deram tudo”, diz Marcelo D’ Salete
Foto: Rafael Roncato

O paulistano D’Salete é um dos autores mais premiados do Brasil, suas publicações ‘Cumbe’ (2014) e ‘Angola Janga’ (2017) foram vencedoras dos principais prêmios do Brasil e do Mundo, dentre eles o Jabuti e o Eisner (considerado o Oscar dos quadrinhos).  Sobre os prêmios, o quadrinista ressalta a união de esforços. “Não é algo apenas individual, eu encaro muito como um processo, tem uma grande parcela coletiva. Só tem sentido quando a gente avalia isso coletivamente”. 

HQ 'Estudante de Medicina' publicada em 2017
HQ ‘Estudante de Medicina’, publicada em 2017
Foto: Divulgação

 

A história da carioca Cynthia B., autora da HQ ‘Estudante de Medicina’ (2017), se entrelaça com a da pandemia vigente no planeta. Além de quadrinista, a artista está no seu quarto ano de residência em medicina na UFRJ. Chegou a trabalhar na enfermaria, setor de triagem para identificar pacientes com sintomas de COVID-19, inclusive foi vacinada recentemente, “É a primeira dose, então não muda nada, não posso sair na rua, mas deu uma alegria pois é o primeiro passo” comenta Cynthia B. 

Cynthia B. começou a ler através dos gibis da ‘Turma da Mônica’, como grande parte dos brasileiros. A quadrinista cresceu em Hong-Kong, mas mesmo do outro lado do mundo, seu avô mandava quadrinhos pelos correios,  periodicamente, para que mantivesse contato com a sua língua materna.

As histórias contadas pelo D’Salete giram em torno de um Brasil profundo, sobre negros e negras, memórias de quilombos e a resistência durante a escravidão no país. “É um Brasil que existe desde o período colonial e que talvez tenha sido projetado como a gente conhece hoje (…). Um Brasil onde você tem diversas categorias de cidadania. Hoje a população negra está na base dessa pirâmide. Isso precisa ser rompido. A gente só vai conseguir fazer isso, passando também pela arte”, explicou D’Salete. 

“Com a caneta e o papel você pode expressar qualquer ideia, qualquer história”,
“Com a caneta e o papel você pode expressar qualquer ideia, qualquer história”, diz Cynthia B.
Foto: Reprodução/ Instagram

Se tem uma coisa que os dois artistas concordam é a importância dos quadrinhos na formação de ambos como seres humanos, “Os quadrinhos me deram tudo, uma forma de compreender o mundo. Me deram uma forma de me expressar nesse mundo.

Os quadrinhos me deram uma alternativa de não ser apenas um número. Socialmente falando. Mas de ser alguém que pode interferir, imageticamente, pensando”, afirma D’Salete. Cynthia B. vai direto ao ponto para classificar o poder das histórias em quadrinhos. “Com a caneta e o papel você pode expressar qualquer ideia, qualquer história”. 

 

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