Carnaval RJ: escolas desfilam no 2º dia do Grupo Especial
Mocidade Independente, Beija-Flor, Viradouro e Tijuca passam pela Sapucaí nesta segunda (16)
O segundo dia de desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (16), mobiliza a capital carioca, que lota as arquibancadas e os camarotes da Marquês de Sapucaí para assistir a apresentação das escolas de samba.
A noite começa com a agremiação Mocidade Independente de Padre Miguel, seguida pela Beija-Flor de Nilópolis, Unidos da Viradouro e Unidos da Tijuca.
Mocidade Independente de Padre Miguel
A Mocidade Independente de Padre Miguel homenageou a cantora Rita Lee, que morreu em 2023, em seu desfile Carnaval de 2026. O enredo "Rita Lee, A Padroeira da Liberdade" foi desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage, que voltou à agremiação para 2025.
A comissão de frente foi inspirada nos arranha-céus de São Paulo e um dos bailarinos, caracterizado de Rita Lee, estava pilotando um Jeep — herança de seu pai. Os outros componentes usavam fantasias estampadas inspirada nos hippies.
Um dos elementos da comissão de frente, em formato de cela com escritos "censurada", lembrando da época da ditadura militar, se transformava em uma nave espacial enquanto a representação da cantora carregava uma vassoura de bruxa.
Algumas das alas de componentes foram "Ovelhas Negra", "Prisioneira", "Toda Mulher é Meio Rita Lee", "Miss Brasil 2000", "Me Bebe Quente Como Um Licor".
O primeiro tripé, que desfilou no meio da escola, fez uma homenagem ao cachorro Orelha, que foi representado ao lado de outros animais. Rita Lee era uma fervorosa ativista da causa animal e vegana, dedicando grande parte da sua vida ao resgate e defesa dos direitos dos bichos.
Roberto de Caravalho, viúvo da cantora, estava no sexto e último carro alegórico, o "Lança Perfume".
A evolução da escola foi prejudicada por um grande espaço aberto entre os setores três e quatro, no campo de visão dos jurados.
Beija-Flor
A escola da Baixada Fluminense falou sobre o Bembé do Mercado, candomblé de rua de Santo Amaro de Purificação, no Recôncavo Baiano.
O desfile da agremiação é novamente assinado por João Vitor Araújo, carnavalesco responsável pelo desfile sobre Laíla que levou a azul e branco de Nilópolis ao título no Carnaval de 2025.
Realizada desde 1889, ano seguinte à assinatura da Lei Áurea, a celebração "reafirma a ocupação do espaço público pelo povo preto — desde quando a liberdade ainda era apenas uma utopia", conforme diz o texto publicado pela escola em suas redes sociais.
No início da desfile, ao passar pela Sapucaí, Neguinho da Beija-Flor foi ovacionado no primeiro ano após sua aposentadoria. Os intérpretes Jéssica Martin e Nino do Milênio são a grande novidade da campeã Beija-Flor, já que assumiram o posto no lugar da lenda do Carnaval.
Comissão de frente da Beija-Flor de Nilópolis: Liberdade de corpo e alma. #Globeleza pic.twitter.com/iKPtTCKYxp
— Barracão do Samba (@barrracao) February 17, 2026
Oxum e Iemanjá foram figuradas representadas ao longo do desfile. Na comissão de frente, a agremiação surpreendeu os espectadores com um barco que se transformou em Mãe D’água. Dançarinos também representaram pescadores em busca de alimento para o corpo e alma.
A escola de samba terminou o desfile pouco antes do tempo limite de 80 minutos e comemorou a travessia feita sem atrasos ao longo do caminho. No entanto, o carro abre-alas da escola apresentou defeito em um dos detalhes.
A Beija-Flor foi a campeã do Carnaval no ano passado, chegando ao 15º título da agremiação.
Unidos do Viradouro
A Unidos do Viradouro passou pela Marquês de Sapucaí e um dos destaques foi a volta da rainha de bateria Juliana Paes, que estava fora do posto há 17 anos. O retorno aconteceu para a homenagem da agremiação ao Mestre Ciça, tema do samba-enredo deste ano.
Pouco antes do desfile, Juliana Paes falou com a CNN Brasil sobre o retorno e exaltou o Mestre. “Ciça faz parte da minha história. Eu não poderia ficar de fora dessa homenagem linda", declarou. Ciça comandou a bateria da Viradouro de 1999 a 2009 e voltou ao posto que ocupa até hoje em 2019.
A homenagem teve diversos pontos de emoção como, por exemplo, do carnavalesco Paulo Barros. O destaque da escola, Ciça, também se emocionou com tributo em vida.
"Você está conversando com um enredo em vida. Você está tocando nele no maior Carnaval do mundo. Sabe o que é isso pra mim? Eu tenho que segurar a onda. A emoção é grande. É uma honra. Não tem preço", disse à CNN Brasil.
O currículo de Mestre Ciça inclui ainda passagens por agremiações como Estácio de Sá, Unidos da Tijuca, Acadêmicos do Grande Rio e União da Ilha. Na última inclusive, ele conquistou seu único Estandarte de Ouro, em 2017.
Ao longo do desfile, a escola trouxe referências da história da agremiação, desde o início de sua existência. Um dos carros fez uma releitura de um dos momentos mais icônicos da história da escola: o carro do xadrez com a bateria posicionada no alto da alegoria.
O marco aconteceu em 2007, quando o carnavalesco Paulo Barros colocou pela primeira vez na história do sambódromo, ritmistas da bateria e a rainha Juliana Paes em cima de um carro alegórico.
Outro destaque foi a dançarina Lore Improta, musa da Viradouro, que desfilou com o barrigão de 5 meses à mostra.
Uma falha da escola foi notada no penúltimo carro alegórico. O elevador apresentou problema e não subiu a estrutura central. A Unidos da Viradouro também concluiu a travessia pela Avenida sem atrasos.
Unidos da Tijuca
Por fim, a escola de samba Unidos da Tijuca homenageou a escritora Carolina Maria de Jesus no Carnaval de 2026. O título do enredo foi o nome da própria homenageada, considerada uma das principais vozes na literatura brasileira.
Segundo comunicado, o título do enredo, que é o nome da autora, é alvo de dúvidas e confusões. Por isso, a necessidade de afirmar sua identidade e de colocar em lugar de direito a "escritora que foi favelada" ao invés de "favelada que escrevia".
A ex-rainha de bateria da agremiação, Juliana Alves, desfilou neste ano de uma fora diferente. Inicialmente, a atriz esteve junto com a presidência e no fim, ela retornou à última ala para atravessar novamente a Sapucaí.
Durante o desfile, três baianas da escola passaram mal, na mesma ala, e precisaram ser retiradas da avenida. A informação foi confirmada pela CNN Brasil com a assessoria da Tijuca.
A escola concluiu a passagem pela Sapucaí aos 77 minutos, três antes do tempo limite para cada agremiação.


