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    Carta de despedida… o adeus à Succession e Ted Lasso

    Mari Palma desabafa sobre a sensação de ver mais uma série amada acabando; como encontrar um novo amor televisivo?

    Reprodução

    Mari Palma

    Queridas séries que eu amo,

    Por muito tempo eu evitei pensar que esse dia chegaria. Mas, quando a gente menos percebe, acontece: vocês simplesmente vão embora. Assim, de repente. Sem mais nem menos. E aí eu fico aqui, órfã, tentando descobrir o que vou fazer com o vazio dos próximos dias e se algum dia vou encontrar alguém tão especial quanto vocês.

    Não vou mentir: meus amigos sempre me dizem que tem uma ou outra melhor por aí mas, quando a gente ama de verdade, fica difícil ter olhos pra outras. Elas podem até ser engraçadinhas e tal, mas não são vocês. Não me entendam mal: eu já tive outros relacionamentos longos e precisei enfrentar separações difíceis.

    Até hoje eu sinto falta da família Pearson, de This Is Us, ou abro um sorriso saudoso quando lembro de uma piadinha sem graça do Chandler, em Friends. Mas o sentimento de luto sempre volta diferente, e é quase como se a gente sentisse tudo pela primeira vez. Então dá licença que eu preciso sentir e respeitar minha dor. Do meu jeito.

    Tem gente que gosta de desabafar no Twitter e conversar com outros apaixonados, tem gente que fica longe da TV por um tempo, tem gente que aposta no pote de sorvete pra se sentir melhor… eu resolvi escrever essa carta de despedida.

    Foram tantos anos juntos, dividindo momentos bons e ruins. Lembra quando o Ted chegou na Inglaterra? Como a gente deu risada quando ele provou o chá na sala da Rebecca. Ou quando o Roy foi visitar a escola da sobrinha e teve que jogar bola com as outras crianças. E o Natal que todos passamos juntos na casa dos Higgins? Nossa, um dos meus momentos favoritos.

    Já nos Estados Unidos, as lembranças são um pouco menos leves (rindo de nervoso). Até hoje eu não consigo entender a dificuldade do Greg em formular uma frase e conseguir se posicionar de um jeito maduro. Ou por que raios o Connor decidiu que queria ser presidente? Não vou mentir: vocês me irritaram muito e me deixaram bastante constrangida em alguns momentos mas, como em toda relação, é na dificuldade que a gente cresce e se aproxima, né?

    Foi o que aconteceu com a gente. De um jeito bem complexo, eu vou sentir falta das tretas nas reuniões de família e acho até que vou sentir falta de ouvir um “fuc* off” na minha TV. O que vai ser dos meus domingos e quartas a partir de agora? Não sei.

    Mas queria agradecer por vocês terem me acompanhado por tanto tempo e por terem me ajudado a fugir da realidade quando eu precisei. Essa realidade que agora eu preciso enfrentar sozinha. Mas seguindo um dos conselhos do professor Lasso, eu preciso ACREDITAR que existe vida além de uma série.

    Eventualmente outras vão aparecer na minha vida (confesso que eu já tô até pensando em me abrir pra isso, desculpa), mas é importante me despedir dizendo que vocês sempre vão ter um lugar guardado no meu coração. E, se eu precisar chorar, é só fazer igual a Shiv ensinou: agendar uma hora pra viver esse luto e depois seguir em frente.

    Com amor, Mari.