Cinco maneiras de recuperar uma amizade; ou deixá-la para trás se for tóxica

Escrever e escolher formas inusitadas de iniciar uma conversa podem ser algumas alternativas de aproximação

Escrever pode ser uma alternativa de preparar-se antes de iniciar um diálogo com seu amigo
Escrever pode ser uma alternativa de preparar-se antes de iniciar um diálogo com seu amigo Foto: Shutterstock

Christine Koh, da CNN

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Quando uma amizade se depara com um obstáculo, como saber se você deve melhorar o relacionamento ou deixá-lo ir?

Pode ser tentador deixar que uma amizade desapareça em vez de enfrentar o conflito – especialmente quando a vida parece já ter muitos problemas – porque o conflito é difícil. Mas já estamos enfrentando uma epidemia de solidão, e o restabelecimento do relacionamento carrega mais urgência em face das evidências biológicas.

“Na verdade, é uma questão de vida ou morte”, escreveu Lydia Denworth em seu livro, “Amizade: a evolução, a biologia e o poder extraordinário do vínculo fundamental da vida”. “Está presente em nosso DNA, em como estamos conectados. E isso significa que a amizade não é uma escolha ou um luxo; é uma necessidade crítica para nossa capacidade de ter sucesso e prosperar.”

Se você perdeu contato com bons amigos ou se separou no ano passado, pode ser hora de superar os sentimentos feridos e mal-entendidos. Pense neste trabalho como uma forma de relacionamento e autocuidado, porque ficar preso em um conflito esgota uma energia valiosa.
Aqui estão cinco maneiras de recuperar uma amizade – ou deixá-la para trás se for tóxica.

1. Reflita e escreva o que é bom

Antes de enfrentar uma conversa difícil com um amigo, faça uma pausa e reflita. “Pense em um momento específico em que essa amizade lhe trouxe alegria ou entusiasmo”, recomendou Adam Smiley Poswolsky, autor de “Friendship in the Age of Loneliness”. Poswolsky sugeriu usar essa memória como inspiração para escrever coisas que você aprecia em um amigo. Ele também encorajou compartilhar essa lista em uma conversa com o amigo.

“Começar o reparo da comunicação a partir de uma postura de gratidão e positividade tornará a conversa muito mais significativa”, aconselhou.

E não importa o resultado, a intenção positiva permanecerá. “Mesmo que ainda haja tensão e você precise fazer uma pausa na amizade, ou mesmo uma longa (ou permanente) pausa de passarem tempos juntos, essa apreciação ajudará muito a construir empatia e compreensão mútua”, disse Poswolsky. 

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Foto: Yagi Studio/Getty Images

 2. Escolha uma maneira diferente de se comunicar

Se os esforços de reaproximação não funcionaram por meio dos canais de tecnologia normais, tente uma maneira diferente de se comunicar. “As pessoas ficam entusiasmadas ao receber uma correspondência que não seja um catálogo de loja ou um boleto. Envie mais cartões-postais, escreva mais cartas ou envie a alguém um livro que você acha que a pessoa gostaria,” recomendou Poswolsky.

Ele também sugeriu uma abordagem mais profunda para escrever cartas: “Tente escrever cartas um para o outro antes de falar. Em sua carta, inclua por que você acha que o relacionamento parece estranho – e por que você deseja consertá-lo.”

Essa abordagem pode ajudá-lo a ganhar empatia e melhorar as habilidades de comunicação. “Você pode perceber que seu amigo estava passando por algo de que você não estava ciente. Você começará a prática importante de ouvir, antes mesmo de se sentar para conversar um com o outro”, observou Poswolsky.

3. Dê um tempo e tente novamente

As pessoas diferem na maneira como lidam com o conflito, portanto, lembre-se de que pode ser necessário dar a uma amizade algum espaço para respirar antes de tentar novamente.
Marisa Franco, psicóloga e especialista em amizade que mora em Washington, nos EUA, observou que as amizades podem levar tempo para voltar ao normal pós-conflito – e que sentimentos de desconforto persistentes podem exigir mais atenção.

“Se ainda estiver estranho, isso pode sugerir que nem todo mundo se abriu o suficiente e se sentiu ouvido”, disse Franco.

A psicóloga recomenda uma abordagem honesta e afirmativa, como: “Ei! Sinto que as coisas estão um pouco complicadas desde que tivemos um conflito. Adoraria colocar as coisas nos trilhos, pois realmente valorizo sua amizade. Queria iniciar uma conversa para ver se há mais coisas que precisamos esclarecer.”

Também é importante lembrar que você só pode fazer o que estiver ao seu alcance. “Se o amigo preferir não reparar, você pode se orgulhar de agir com integridade. Lembre-se de que você não está no controle de outras pessoas, mas, por sua vez, você fez tudo o que podia”, disse Franco.

 4. Misture a “mobília da amizade”

Um desafio em amizades de longa data é quando ficamos presos à ideia de como costumava ser o relacionamento. A realidade é que todos nós mudamos conforme nossas circunstâncias e prioridades mudam.

Se você tentou estabelecer uma amizade e não sente que as coisas podem voltar a ser como eram antes do conflito, Denworth sugeriu considerar se você pode permanecer amigo de uma forma mais casual.

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Foto: Unsplash

“Eu chamo isso de mexer na mobília em sua vida social”, disse Denworth. “Nem todas as amizades duram uma vida inteira, e tudo bem. Os biólogos evolucionistas descobriram que os laços de alta qualidade exigem três coisas: são duradouros, positivos e cooperativos. Você precisa dos três.”

5. Siga as bandeiras vermelhas

Às vezes, uma amizade sofre devido a uma falha de comunicação, e às vezes os problemas são muito mais profundos.

Franco encoraja as pessoas a não deixarem um único problema romper uma amizade, algo que ela vê em sua prática. “O conflito é uma abertura para recalibrar e melhorar uma amizade, além de transmitir um investimento mútuo. Não desista das amizades porque surgiu um problema”, disse.

Mas Franco aconselhou estar ciente das bandeiras vermelhas. “Se você se afastar da amizade e perceber que ela está fazendo mais mal do que bem; por exemplo, seu amigo não está torcendo pelo seu sucesso, intimida você, é imprudente ou você se sente esgotado ou incompreendido por ele … pode ser hora de terminar em vez de consertar”, sugeriu.

Avaliar o equilíbrio entre o bem e o mal é crucial. “A ciência da amizade mostra que relacionamentos ambivalentes não são bons para nossa saúde. Em outras palavras, o que é bom não compensa necessariamente o que é ruim se houver muito de ruim”, disse Denworth.

“Seja honesto consigo mesmo sobre a saúde de uma amizade e não continue com ela apenas pelos velhos tempos, se de outra forma ela estiver prejudicando você.”

Texto traduzido, leia original em inglês aqui.

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