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    De Taylor Swift a “Barbenheimer”: as tendências culturais que definiram 2023

    Greve em Hollywood e turbulência no Miss Universo também se destacam na lista

    Artistas como Taylor Swift e Beyoncé se destacaram neste ano; no cinema, "Barbie" e "Oppenheimer" foram as maiores forças
    Artistas como Taylor Swift e Beyoncé se destacaram neste ano; no cinema, "Barbie" e "Oppenheimer" foram as maiores forças Reprodução/Instagram/YouTube

    Christy ChoiOscar Hollandda CNN

    O termo “pós-Covid” é problemático – principalmente para aqueles que vivem atualmente com a doença ou os seus efeitos a longo prazo. Mas embora os especialistas ainda considerem a Covid-19 uma pandemia, 2023 foi o ano em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que já não era “uma emergência de saúde pública de preocupação internacional”.

    Grande parte do mundo respondeu a este sentimento restaurado de normalidade com uma onda de gastos de “vingança” que reforçou setores criativos em dificuldades. Estas foram, em grande parte, boas notícias para os mundos da arte, da moda e da cultura, que em ano definido pela guerra e pela disrupção tecnológica responderam de formas criativas que refletiram e repreenderam os desafios mais prementes da sociedade.

    Aqui estão algumas das forças que, para o bem ou para o mal, capturaram a essência dos últimos 12 meses:

    Beyoncé e Taylor Swift

    As duas cantoras foram as maiores impulsionadoras da economia cultural neste ano. A “The Eras Tour” de Taylor Swift, que literalmente fez a terra tremer, tornou-se a primeira turnê a arrecadar mais de US$ 1 bilhão. A procura de ingressos foi tão grande que os organizadores dos shows de Singapura, por exemplo, reportaram mais de 22 milhões de registros para a pré-venda, enquanto mais de um milhão de pessoas esperavam numa fila online.

    O poder da jovem de 34 anos atingiu outro patamar ao gerar uma audiência no Congresso dos Estados Unidos sobre a falta de concorrência na indústria de tickets depois que a empresa Ticketmaster não conseguiu processar pedidos e até mudou a indústria de viagens, com os hotéis enfrentando uma demanda crescente e companhias aéreas adicionando assentos extras nas datas dos shows.

    Por outro lado, a turnê “Renaissance” de Beyoncé, acrescentou mais de US$ 4,5 bilhões à economia dos EUA, de acordo com uma análise dos gastos dos espectadores feita pela empresa de pesquisa QuestionPro. Enquanto isso, um economista da Danske da Dinamarca culpou a estrela por contribuir para os problemas inflacionários da Suécia, depois que sua decisão de dar início à extravagância de 56 shows em Estocolmo levou a um aumento nos preços de hotéis e restaurantes na cidade.

    Beyoncé e Taylor em première de “Renaissance: A Film by Beyoncé”, em Londres
    Beyoncé e Taylor em première de “Renaissance: A Film by Beyoncé”, em Londres / Reprodução/Instagram

    O efeito “Barbenheimer” nos cinemas

    Assim como as cantoras, “Barbie” da diretora Greta Gerwig liberou o poder de compra das mulheres, que representavam cerca de dois terços do público do filme. Enquanto isso, o lançamento simultâneo de “Oppenheimer” da Universal Pictures levou a uma grande rivalidade entre estúdios (ou a uma campanha publicitária mutuamente benéfica) e a um redespertar da força cinematográfica da América.

    O forte contraste entre uma abordagem feminista atrevida do mundo todo rosa da Barbie e a história angustiante do pai da bomba atômica inspirou alguns dos melhores memes, piadas e paródias do ano, bem como o desafio “Barbenheimer”, que estimulou os espectadores para tentarem assistir aos dois filmes em um único dia. O fenômeno transformou ambos os filmes em sensações virais e criou um burburinho que se traduziu em mais de US$ 2,3 bilhões em receita global de bilheteria, com “Barbie” se tornando o filme de maior bilheteria nos 100 anos de história da Warner Bros.

    Tanto “Barbie” como “Oppenheimer” estrearam nos cinemas brasileiros em 20 de julho de 2023 / Ilustração CNN/Adobe Stock/Universal Pictures/Warner Bros. Pictures

    Os grandes conglomerados da moda ficaram ainda maiores

    Os conglomerados controlam grandes áreas da indústria da moda e continuaram reforçando o seu controle sobre o mercado de luxo de 1,6 bilhões de dólares este ano (mais de sete bilhões de reais). De acordo com dados de março de 2023 do Savigny Luxury Index, um índice geral de mercado publicado pelo grupo de gestão de fortunas Savigny Partners, LVMH, Kering e Richemont detêm 62% do mercado de moda de luxo.

    Neste verão, a Tapestry, controladora de Coach e Kate Spade, se fundiu com a Capri, proprietária da Versace e Michael Kors, em um negócio de US$ 8,5 bilhões. Entretanto, a LVMH, proprietária da Louis Vuitton, da Givenchy, da Christian Dior e da Fendi, entre muitas outras, tornou-se a primeira empresa europeia a ultrapassar os 500 mil milhões de dólares em valor de mercado em abril.

    No outro extremo do mercado, a realidade da gestão de marcas de moda independentes de alta gama parecia cada vez mais sombria, com designers autofinanciados a enfrentar uma concorrência feroz e jovens talentos reconhecidos pela indústria a verem-se incapazes de sustentar as suas marcas.

    Louis Vuitton, LVMH
    Foto: Marc Piasecki/Getty Images

    Roubo de arte e restituição

    Com museus e colecionadores sob pressão contínua para devolver objetos de origens questionáveis, as restituições de arte de alto perfil continuaram cresenco este ano. O Rubin Museum of Art e o Metropolitan Museum of Art de Nova York devolveram artefatos retirados de um mosteiro nepalês do século XI, bem como de sítios arqueológicos no sudeste da Ásia; a Galeria Nacional da Austrália e a família do falecido bilionário americano George Lindemann prometeram devolver objetos saqueados ao Camboja; e os EUA anunciaram que devolverão 77 itens ao Iémen, para citar apenas alguns exemplos.

    Uma resistência notável aconteceu no Museu Britânico, que sofreu uma pressão crescente para devolver itens contestados da sua considerável coleção. Entre eles estão os mármores do Partenon, que durante décadas estiveram no centro de uma disputa diplomática entre o Reino Unido e a Grécia – e este ano viu a briga se intensificar, com o primeiro-ministro britânico Rishi Sunak recusando-se a encontrar-se com o seu homólogo grego (e o rei Carlos levantando sobrancelhas usando uma gravata estampada com a bandeira grega dias depois).

    O próprio museu foi vítima de roubo, tendo descoberto em agosto que cerca de 2.000 peças do seu acervo estavam desaparecidas (e em alguns casos, colocadas à venda no eBay). Os esforços de recuperação estão atualmente em curso, com o museu a apelar ao público para a devolução dos seus tesouros.

    Museu Britânico em Londres / 28/9/2023 REUTERS/Hollie Adams

    Menos luxo, mais simplicidade

    Com muitas partes do mundo enfrentando uma crise de custo de vida causada pelo aumento da inflação e pelo aumento dos preços da energia e dos alimentos, talvez não seja surpresa que 2023 tenha sido o ano do “luxo tranquilo”. A ideia de que a riqueza deveria sussurrar, e não gritar, refletiu-se num novo tipo de simplicidade reduzida – nas passarelas e fora dela – que comunicava status sem a necessidade de logotipos berrantes ou de um estilo direto.

    “Succession”, da HBO, que concluiu sua quarta e última temporada em maio, ajudou a trazer à tona a tendência da “riqueza furtiva”, com os protagonistas ultra-ricos do programa muitas vezes optando por itens básicos elevados (as roupas de trabalho de Shiv Roy e os bonés de beisebol de Kendall Roy eram entre os muitos pontos de discussão da indumentária do programa). O mesmo aconteceu com o guarda-roupa de alto perfil, mas discreto, de Gwyneth Paltrow, que provavelmente gerou mais manchetes do que o acidente de esqui sendo litigado no julgamento.

    Além disso, a Prada apresentou a sua nova coleção de moda masculina como “uma reconsideração das coisas simples” e a designer Phoebe Philo lançou a sua tão esperada marca homônima com uma coleção de estreia definida pela elegância discreta. Em outros lugares, a tendência – que não deve ser confundida com o minimalismo – abrangeu relógios, acessórios e até hotéis (veja o novo “anti-hotel” do joalheiro Chopard no coração de Paris).

    Atriz Gwyneth Paltrow chega em julgamento / Rick Bowmer-Pool/Getty Images

    Greves paralisaram Hollywood e o tapete vermelho

    Durante quase quatro meses, Hollywood entrou em greve enquanto os atores pediam aumento nos salários e nos resíduos, que diminuíram na era dos serviços de streaming que evitam os royalties convencionais e raramente divulgam a frequência com que o conteúdo é assistido. O Bureau of Labor Statistics dos EUA informou que os atores ganharam uma média de 27,73 dólares por hora no ano passado e observou que muitos não são pagos durante todo o ano. Os roteiristas também entraram em greve, paralisando as produções de cinema e televisão.

    As cerimônias de premiação foram reduzidas ou adiadas, resultando em alguns tapetes vermelhos incomumente discretos. E embora isso tenha sido uma má notícia para maquiadores e estilistas famosos, que perderam uma importante fonte de renda, também deu aos influenciadores e modelos a chance de entrar no centro das atenções deixado por estrelas de cinema.

    Em novembro, o sindicato dos atores SAG-AFTRA finalmente chegou a um acordo com os grandes estúdios. O acordo, que expirará em maio de 2026, inclui aumentos salariais, empregos mais duradouros, melhores benefícios, garantias de royalties e proteção contra o uso de inteligência artificial pelos estúdios – outro grande obstáculo para atores e escritores.

    Roteiristas protestam do lado de fora do Universal Studios Hollywood após sindicato da categoria convocar greve / 03/05/2023 REUTERS/Mario Anzuoni

    A Inteligência Artificial continuou irritando os criativos

    Roteiristas e atores não eram os únicos preocupados com o fato de a IA colocar seus meios de subsistência em risco. Autores como George R. R. Martin, Jodi Picoult e John Grisham ingressaram em uma ação coletiva contra a OpenAI, a empresa por trás do ChatGPT, dizendo que ela usou trabalho protegido por direitos autorais enquanto treinava seus sistemas para criar respostas mais humanas. Mais de 10.000 autores, incluindo James Patterson, Roxane Gay e Margaret Atwood, também assinaram uma carta aberta apelando aos líderes da indústria de IA para obterem o consentimento dos autores quando utilizarem o seu trabalho para treinar grandes modelos de linguagem – e para os compensarem de forma justa quando o fizerem.

    Enquanto isso, os artistas visuais encontraram maneiras de lutar contra o uso de seu trabalho pela IA sem o seu consentimento – em parte graças a programas como o Glaze, que engana os modelos de IA para que leiam imagens de maneira diferente do olho humano (por exemplo, uma pintura a óleo pode parecer um desenho a carvão) e PhotoGuard, que os impede de manipular imagens.

    Outros campos também enfrentaram a concorrência de tecnologias emergentes – em abril, uma imagem gerada por IA ganhou até o Sony World Photography Award. Mas muitos criativos abraçaram o potencial dos desenvolvimentos, desde o primeiro mangá em quadrinhos do Japão gerado por IA até coleções de moda inteiras projetadas com a tecnologia.

    ChatGPT / 09/02/2023 REUTERS/Florence Lo/Ilustração

    NFTs atingiram novos mínimos

    Se o aumento e a queda dramáticos dos preços dos NFT (token não fungível) estiveram entre as maiores histórias de 2022, este ano ofereceu realidades de longo prazo mais preocupantes para os entusiastas dos tokens. E com a estagnação dos volumes de negociação, algumas das empresas e figuras por trás dos artigos colecionáveis ​​endossados ​​por celebridades enfrentaram uma nova onda de ações legais.

    Em abril, os investidores processaram os criadores dos NFTs Bored Ape, Yuga Labs, entre outros, por promoverem “de forma enganosa” os tokens e inflacionarem artificialmente seus preços. (Na época, a empresa disse à CNN que as alegações eram “completamente sem mérito ou base factual”.) O astro do futebol Cristiano Ronaldo também enfrenta uma ação coletiva de US$ 1 bilhão por sua promoção da exchange cripto Binance, incluindo a venda de NFTs de si mesmo. Em outro lugar, um júri federal em Nova York concluiu que as versões NFT de um artista das famosas bolsas Birkin da Hermes violavam os direitos de marca registrada da casa de luxo.

    Com a alta dos preços do Bitcoin nos últimos meses, no entanto, alguns analistas de criptografia expressaram esperança de que o “inverno NFT” possa finalmente estar chegando ao fim. Mas, apesar de um aumento relativamente saudável nas vendas de novembro, ainda há um longo, longo caminho de volta – até mesmo para níveis mais recentes.

    A coleção Bored Ape Yacht Club em um mercado americano de NFT / akub Porzycki/NurPhoto via Getty Images

    Coroas, direitos trans e turbulência no Miss Universo

    O concurso Miss Universo deste ano gerou mais pontos de discussão do que qualquer outro na memória recente. Numa vitória para a inclusão LGBTQ, a competição contou pela primeira vez com duas mulheres trans, depois de Marina Machete e Rikkie Kollé terem sido selecionadas para representar Portugal e Holanda, respetivamente.

    O triunfo virou turbulência poucos dias antes da final em El Salvador, quando o proprietário do Miss Universo, JKN Global Group, pediu falência. Mas embora a empresa tailandesa de distribuição de meios de comunicação tenha conseguido organizar um espetáculo de sucesso o que se seguiu foi ainda mais dramático.

    Depois que Sheynnis Palacios, da Nicarágua, se tornou a primeira representante do país a ganhar a coroa, a diretora da franquia Miss Nicarágua, Karen Celebertti, foi acusada de conspiração e traição. Celebertti, que ao lado do marido e do filho é acusada de estar envolvida numa conspiração para derrubar o governo, renunciou posteriormente. (Celebertti não respondeu ao pedido de comentário da CNN, mas escreveu no Instagram que trabalhou de forma transparente e “com zelo e esforço para exaltar o nome da minha pátria”.)

    Miss Nicaragua, Sheynnis Palacios, venceu o 72º Concurso Miss Universo / Reprodução/Instagram

    Lentas vendas em leilões

    Houve alguns itens caros em disputa nos leilões deste ano, embora apenas dois tenham atingido a consagrada marca de nove dígitos: uma obra-prima de Picasso intitulada “Femme à la montre”, que arrecadou mais de US$ 139 milhões e se tornou o segundo item mais valioso. Obras do artista espanhol já foram a leilão e o último retrato de Gustav Klimt, que se tornou a obra de arte mais cara já vendida em um leilão europeu, quando arrecadou o equivalente a US$ 108 milhões em Londres.

    Em geral, porém, as vendas foram lentas. A Christie’s, por exemplo, relatou uma queda anual de US$ 2,2 bilhões nas vendas em 2023, enquanto a Philips viu um declínio de quase 40% no primeiro semestre do ano em comparação com o mesmo período do ano passado.

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    Os gigantes dos leilões procuraram diversificar as suas ofertas, com várias vendas importantes de ténis e recordações desportivas a terem lugar em 2023. Mas o seu sucesso é sustentado pelas vendas de arte de primeira linha, que uma análise recente da Artsy sugere que caíram drasticamente: Este ano, os 100 principais lotes de leilão foram vendidos por um total de US$ 2,4 bilhões, em comparação com US$ 4,1 bilhões em 2022.

    Tal como os museus, as casas de leilões também enfrentaram um escrutínio sobre a origem dos itens que passavam pelas suas portas. Em setembro, a Christie’s cancelou a venda de joias propriedade da falecida multimilionária Heidi Horten, depois de grupos de defesa dos judeus e organizações de direitos humanos terem levantado preocupações de que o seu marido tivesse acumulado a fortuna da família ao adquirir empresas judaicas que foram vendidas sob coação na Alemanha nazista.

    Leilão, justiça
    Foto: Getty Images/EyeEm

    Agradáveis surpresas

    Em 2023 vários compradores sortudos encontraram joias e obtiveram um lucro considerável com as peças. Os brechós da Grã-Bretanha provaram ser particularmente lucrativos, com um casal no Reino Unido comprando um pequeno vaso de um ceramista japonês pelo equivalente a US$ 3,30, que mais tarde foi avaliado em quase US$ 12 mil, enquanto um colecionador anônimo vendeu dois potes da dinastia Qing por mais de US$ 74 mil, tendo comprado eles os compraram em um lote de cerâmica por apenas US$ 25.

    Nos EUA, uma entusiasta de antiguidades viu sua compra de US$ 4 atrair um preço de venda de US$ 191.000 em leilão depois que foi revelado que era uma pintura há muito perdida de N.C. Wyeth (o New York Times posteriormente relatou que a venda em um ponto fracassou, antes de um comprador o adquiriu por uma quantia não revelada de seis dígitos). Então, no início deste mês, uma compradora de segunda mão em Richmond, Virgínia, obteve um enorme lucro quando o vaso de vidro que ela comprou por US$ 3,99 na Goodwill foi vendido por mais de US$ 107 mil depois de ser identificado como obra do arquiteto italiano Carlo Scarpa.

    Outras descobertas no mundo da arte vieram por meio de atribuições corrigidas – como uma pintura que foi vendida em leilão por US$ 15 mil e que foi arrematada por quase US$ 14 milhões este mês depois de ser identificada como um Rembrandt. E também houve devoluções surpresa, incluindo uma pintura roubada de Van Gogh que foi entregue a um detetive de arte holandês num saco da IKEA.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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