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    Depois de “Chico”, de Luisa Sonza, a geração Z sabe o que é Bossa Nova?

    Caetano Veloso defendeu que o novo hit de Luísa Sonza, é sim composto por elementos deste gênero musical brasileiro; entenda mais sobre o estilo

    Luisa Sonza no clipe de "Chico"
    Luisa Sonza no clipe de "Chico" Reprodução/Youtube

    Larissa Soarescolaboração para a CNNCarolina Fariasda CNN

    São Paulo

    Os fãs brasileiros estão curtindo a música “Chico”, que Luisa Sonza lançou no início do mês no disco “Escândalo íntimo” em homenagem ao namorado, o influenciador Chico Moedas, e a balada alcançou o 1º lugar do Top 50 Brasil do Spotify. Logo os fãs se perguntaram “qual é o estilo de música?”. E quem respondeu, e polemizou, foi Caetano Veloso ao dizer que é Bossa Nova. Em um vídeo no Twitter o músico é filmado por Paula Lavigne, sua mulher, que faz a pergunta a ele: “o que digo para a Luiza sobre a música dela?”.

    “O violão base está tocando Bossa Nova, me parece. Mas é que MPB é música popular brasileira… Meio que cobre tudo. São coisas muito diferentes. Depende mais de quem faz e qual o lugar que as pessoas veem aquele artista”, afirmou o baiano.

    Mas, afinal, a geração Z, essa que nasceu entre 1990 e 2010, sabe o que é Bossa Nova?

    O estilo genuinamente brasileiro nasceu da trindade de músicos formada por João Gilberto (1931-2019), Tom Jobim (1927-1994) e Vinícius de Moraes (1913-1980).

    Tom e Vinícius criaram “Garota de Ipanema”, em 1964, sentados em um bar na rua Montenegro, em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, inspirados pela beleza de Helô Pinheiro que passava pela rua para ir à praia.

    Gravada em 1964 no álbum “Getz/Gilberto” na voz de João e de  Astrud Gilberto, que canta em inglês, a parceria com o saxofonista norte-americano Stan Getz (1917 -1991), “Garota de Ipanema” ganhou o mundo e até hoje é a canção brasileira mais gravada de todos os tempos. E continua a inspirar. Ano passado a funkeira Anitta lançou “Girl From Rio”, do álbum Versions of Me, com influência direta da música.

    João Gilberto antes gravou também o disco considerado pedra fundamental da Bossa Nova. “Chega de Saudade”, lançado em 1958, completou 65 anos em junho deste ano e o álbum é considerado um marco que mudou a música para sempre.

    Seu violão, lá na década de 1950, definiu os rumos da música brasileira. Sem sua batida não existiria depois Caetano Veloso, Clara Nunes, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Chico Buarque, Gal Costa, Milton Nascimento, Elis Regina – e a Música Popular Brasileira, a MPB.

    “A MPB veio da Bossa Nova, na época do Tropicalismo, possivelmente nada existiria sem ela. Chico Buarque e Caetano Veloso, por exemplo, dizem que se só se tornaram músicos por causa da Bossa Nova”, lembrou o músico, arranjador e pesquisador, Flávio Mendes, que tem um projeto dedicado ao estilo, o Bossacucanova.

    Caminhos da Bossa Nova

    Mendes explica que o gênero musical surgiu da junção do jazz e com samba e trouxe para a época um conjunto de acordes, melodia, letra e ritmo, que João Gilberto personificou com seu violão.

    “O João Gilberto veio com o ritmo, o Vinícius veio com as letras e o Tom Jobim com a melodia e acordes”, disse o especialista.

    A mestre em etnomusicologia e diretora-executiva do Instituto Brasileiro de Música e Educação (IBME) Moana Martins, diz que o ritmo soa “como se a batida [do coração] tivesse fora do pulso e isso é que dá o gostinho do gingado gostoso e o sotaque brasileiro apresentado nas canções”.

    Já quando falamos do canto, as interpretações exploravam a alegria e a melancolia da época, uma característica da classe média carioca de então, segundo Mendes, com uma simplicidade, sem muito vibrato e melismas, como por exemplo ouvimos nas canções sertanejas.

    “Começou a ser uma linguagem do dia a dia e isso casou com os jovens que iam às praias todos os dias. Na época, as músicas eram mais noturnas, focadas nas baladas. Elas eram modernas até um certo ponto, mas faltava um estopim”, explica Flávio sobre o ritmo.

    “A essência da Bossa Nova é: menos é mais: poucas e certeiras notas que acompanham a harmonia e vice versa, a melodia cantada por essa voz muitas vezes é que o guia da harmonia genial”, completa Moana.

    Flávio reforça que qualquer artista pode transitar ou criar inspirado na Bossa Nova e em outros estilos.

    Para ele, a música brasileira “se transforma e ganha uma sobrevida”.

    Seguidoras de Nara

    Nara Leão (1942-1989) foi uma das vozes femininas que mais simbolizou a Bossa Nova com a voz baixa, suave.

    Hoje, outras artistas mulheres seguem seus passos e têm suas músicas disponíveis nas principais plataformas de streaming como AnaLu Sampaio, Verônica Ferriani, Liniker, Bala Desejo, Alice Caymmi, – e até Billie Eilish, com a canção “Billie Bossa Nova”, do álbum “Happier Than Ever”, podem ser um bom começo para descobrir e gerar interesse na nova geração pelo gênero.

    “A Bossa Nova é identidade cultural brasileira e o caminho para esse conhecimento é a experiência. Para que também a geração Y e Z conheça mais sobre os artistas da Bossa Nova e MPB, assim como outros elementos da cultura brasileira, o caminho da educação é a trilha, através das ações políticas de democratização cultural nas escolas, nos projetos sociais de música e educação, das políticas de incentivo das secretarias de cultura e educação”, explica Moana.