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    Em “Pacto Brutal”, Gloria Perez diz que assassinato da filha teria sido uma afronta a ela

    Depoimentos da escritora na série da HBO Max mostram detalhes sobre o caso nunca antes divulgados

    Roteirista Gloria Perez, mãe de Daniella Perez
    Roteirista Gloria Perez, mãe de Daniella Perez Divulgação

    Artur Nicocelida CNN

    em São Paulo

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    O documentário “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez” trouxe à tona, após 30 anos, detalhes das investigações do assassinato da atriz e bailarina Daniella Perez, em 1992.

    Nos cinco episódios que contemplam a série, da HBO Max, a mãe da vítima, a escritora e roteirista Gloria Perez, faz revelações sobre sua percepção diante do crime.

    O programa começa com Gloria identificando novas evidências e rastreando outras testemunhas que ajudam a expor os erros das autoridades no processo de solução do caso e que auxiliaram no rastreamento do caminho da atriz até o local de sua morte.

    Ao longo do primeiro episódio, a escritora relembra um dos momentos mais tristes, quando, ao encostar no corpo de sua filha, “a mão recuou, horrorizada…”. “No contato, você realiza o que aconteceu, o frio da pessoa (Daniella)”.

    No começo, Gloria acreditou que tivesse sido um roubo, pois a filha carregava uma quantia de US$ 6 mil para dar entrada em um carro. “Perguntei ao delegado Serrano (responsável pelo caso) se tinham localizado a bolsa dela e ele disse que não.”

    Mas, ao ser chamada para comparecer à delegacia, Gloria encontrou o delegado com uma lista de atores e atrizes que trabalhavam com Daniella. Ele então foi citando os nomes até chegar a Guilherme de Pádua, quando, de imediato, afirmou: “Não falem nada [sobre de Pádua] porque ninguém vai acreditar que ele fez isso… Ele vai fugir, escapar do flagrante e não prendemos mais”.

    Segundo o documentário, Guilherme, apesar da suspeita de sua participação no crime, pediu para que avisassem Gloria de que ele gostaria de estar ao lado dela quando o enterro acontecesse. “Você sabe o que é ouvir um recado desse ao lado de uma filha morta?”, diz a escritora.

    Contratar um advogado

    Quando o delegado Mauro Magalhães assume o caso, Gloria diz que um primo a comunicou que “o homem que estava assumindo a investigação era muito polêmico e tinha sido denunciado na história da casa de Petrópolis, que ficou conhecida como um centro de tortura na época da ditadura”.

    No meio da investigação, surgiu uma tese de que Daniella havia incomodado Guilherme com questões afetivas e que isso o teria levado a cometer o crime, pois na verdade ele amava sua mulher, Paula Nogueira de Almeida Thomaz.

    Com essas declarações vindo à tona, a roteirista e escritora diz que seu pai a alertou sobre a necessidade de contratar um advogado.

    “A menina foi vítima de um crime brutal e ela precisava, no dia em que foi enterrada, ter alguém que a defendesse”.

    Morte de Daniella

    Horas antes do assassinato, o ator e colega de novela Sandro Siqueira perguntou a Daniella se ela já havia contado à sua mãe sobre a perseguição de Guilherme durante as gravações e ela teria respondido que não, pois não “queria prejudicar ninguém”.

    Então, Siqueira respondeu que, se ela não contasse, ele contaria no dia seguinte. “Porém, nunca teve o amanhã”, relembra Gloria.

    No segundo episódio de “Pacto Brutal”, a escritora conta que Guilherme considerava que se o seu personagem não ficasse com Yasmin (papel de Daniella em “De Corpo e Alma”) no fim da novela, seria um desprestígio para a carreira dele – o casal estava se separando na trama.

    Por esse motivo, Gloria acredita que o crime também tenha sido uma afronta diretamente à ela, pois ela era roteirista da novela.

    Vale destacar que, em entrevista à CNN, o diretor do documentário Guto Barra declarou que “ela (Gloria Perez) não teve nenhum envolvimento oficial e de trabalho [na produção]”.

    A escritora somente deu acesso ao acervo de questões legais e vídeos do crime, “que são interessantes do ponto de vista jornalístico e investigativo”, disse.

    Em janeiro de 1997, o pastor foi julgado a cumprir uma pena de 19 anos de prisão; já Paula, de 18 anos e seis meses, além de pagar as custas do processo.

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