Escritor de “Tremembé” diz que produção não transforma criminosos em heróis
Ullisses Campbell defende abordagem da série que mostra cotidiano de detentos e afirma que produção não glamoriza crimes, mas retrata realidade dentro das penitenciárias
A série "Tremembé", baseada nos livros do jornalista e escritor Ullisses Campbell, 50, tem gerado debates intensos sobre a forma como retrata criminosos em presídios brasileiros. A produção, que tem chamado a atenção do público, aborda o dia a dia de detentos na penitenciária.
Campbell destaca a importância de diferenciar conceitos fundamentais na discussão sobre a série: "É preciso definir o que é glamorização, o que é humanização e o que é romantização". Segundo ele, a produção não coloca criminosos em um pedestal nem os transforma em super-heróis.
O escritor argumenta que o elemento mais impactante da série é mostrar aspectos cotidianos da vida nas penitenciárias, algo que surpreende muitos espectadores. "O público não sabe o que acontece dentro da penitenciária. Quando descobre que as pessoas estão vivendo como nós, privadas de liberdade, mas trabalhando, namorando, jogando futebol, fazendo festinha, isso incomoda", explica.
A série apresenta em cada episódio a brutalidade dos crimes cometidos, mas também revela como os detentos mantêm a humanidade mesmo após as condenações. Campbell defende que cometer um crime, por mais brutal que seja, não elimina a condição humana do indivíduo, que continua existindo durante o cumprimento da pena.
O debate em torno da produção levanta questões importantes sobre como retratar a realidade do sistema prisional brasileiro sem glamorizar a criminalidade, mantendo um olhar crítico e, ao mesmo tempo, realista sobre a vida dos detentos após a condenação.


