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    Esse comportamento é de muitos homens na internet, diz atriz ameaçada por coach

    Livia La Gatto falou à CNN sobre ter sido ameaçada pelo coach Thiago Schutz; a mensagem enviada por ele diz: “Você tem 24 horas para retirar seu conteúdo sobre mim. Depois disso processo ou bala. Você escolhe”

    Fernanda PinottiLudmila CandalRenata Souzada CNN

    em São Paulo

    Em entrevista à CNN, a atriz e roteirista Livia La Gatto falou sobre a ameaça que recebeu do coach Thiago Schutz e disse que esse comportamento é comum entre homens e influenciadores na internet.

    Em um print divulgado em sua conta do Instagram, Livia mostrou a mensagem de Thiago: “Você tem 24 horas para retirar seu conteúdo sobre mim. Depois disso processo ou bala. Você escolhe”.

    A mensagem de Schutz foi motivada por um vídeo que ela postou em sua conta, no qual imita, em tom satírico, homens que fazem discursos de ódio contra as mulheres. No vídeo ela não cita diretamente o coach.

    Thiago Schutz tem um perfil no Instagram chamado “Manual Red Pill Brasil”, com cerca de 300 mil seguidores, no qual ele dá “conselhos” para homens. Seus vídeos, apontados pelos internautas como machistas e misóginos trazem falas como: “o propósito de um homem num relacionamento tem que estar sempre acima do propósito da mulher”; “a sua mulher custa mais caro que uma garota de programa”; e “o homem está mais feito para o sexo do que a mulher”.

    Na entrevista à CNN, Livia explicou que esse tipo de discurso propagado por Thiago, mas também por outras contas de homens na internet, “alimenta a misoginia e o ódio às mulheres. É um discurso de que, se a mulher não é submissa ao homem, ela merece ser silenciada”.

    Schutz escreve livros, dá palestras e lucra ensinando homens como tratar mulheres deste jeito. Ele é não é o único influenciador digital que se beneficia desse discurso.

    Há um nicho na internet de influenciadores que produzem conteúdo ensinando outros homens como se relacionar e como tratar mulheres – quase sempre de forma machista. Eles se chamam de “red pill“, numa referência à pílula vermelha do filme “Matrix”, que revelaria a verdade ao protagonista.

    Para Livia, as redes sociais também tem uma parcela de culpa na história, pois permitem que esses vídeos circulem. “É muito grave que discursos como este estejam livres na internet, e que as plataformas, como Instagram, TikTok e Youtube não se posicionem de forma contrária.”

    “Ele só está atrapalhando os direitos humanos e a saúde mental das mulheres. E também de homens que estão frágeis, porque foram ensinados que não podem sentir, não podem ouvir um ‘não’.”

    Livia disse que foi até a delegacia e registrou um boletim de ocorrência sobre a ameaça. “Delegadas e advogados vieram até mim e se prontificaram [a ajudar], mas isso é atípico. Não é a realidade de todas as mulheres”, disse.

    “Eu estou a salvo, mas e as outras mulheres que estão convivendo com os ‘alunos’ dele, que desprezam mulheres.”

    Em um vídeo divulgado nas suas redes sociais, Thiago Schutz disse que a palavra “bala” foi mal interpretada. Ele se justificou dizendo que é “um cara que usa muita gíria, fala muito palavrão” e que essa é a forma como ele se comunica.

    Para Livia, essa atitude de ameaçar e depois voltar atrás também é familiar para muitas mulheres. “O que me assusta é um homem branco, cis e hétero que em 2023 acha está acima da lei, que pode fazer uma ameaça e publicar ela sem que nada aconteça com ele. E talvez nem aconteça mesmo.”

    Ela conta que ficou assustada quando ele começou a telefonar para ela. “Achei que ele fosse me ameaçar ao vivo. Ele perguntou se alguém tinha o meu celular e eu pensei: ‘a próxima coisa que ele vai querer é meu endereço e vai vir até minha casa’.”

    Segundo o pronunciamento de Schutz, ele diz que tentou ligar para a atriz quando viu que ela também tinha postado a sua mensagem, mas não foi atendido.

    O “coach do Campari”

    Thiago Schutz viralizou nas últimas semanas por um comentário seu em um podcast. No vídeo, ele diz que recusou uma cerveja oferecida por uma mulher com quem saia porque já estava bebendo Campari (um destilado alcoólico amargo).

    “A mulher tem muito essa coisa de tentar moldar o cara, colocar o cara debaixo dela. Mas não é na maldade. É como se fosse um teste realmente, né?”, afirmou na gravação.

    O vídeo satírico de Livia La Gatto foi publicado dias depois que este vídeo de Thiago viralizou. Na gravação, ela personifica um homem careca, de barba e com um microfone que diz que prefere comprar uma boneca inflável do que se relacionar com as “mulheres de baixo valor” que estão bebendo na balada.

    A Campari Brasil publicou uma nota sobre o caso de Thiago Schutz, que ficou conhecido na internet por beber a bebida. Veja na íntegra:

    Recebemos inúmeros comentários sobre a expectativa de uma campanha de marca, oportunidade de engajamento, entre outras menções relacionadas ao recente acontecido.

    Não é hora de campanha. Não é sobre engajamento. O assunto é sério e precisamos tratá-lo com a devida importância.

    O Grupo Campari, em razão dos últimos acontecimentos envolvendo o nome da companhia, vem a público informar que não tem, e nem nunca teve, nenhum tipo de relação, vínculo ou contato com Thiago Schutz.

    Campari se solidariza com todas as mulheres impactadas com os acontecidos, e declara que rechaça veementemente qualquer tipo de atitude de preconceito ou violência.