Estúdio de ‘Pulp Fiction’ processa Tarantino por tentar vender NFTs do filme

Diretor anunciou no início do mês que venderia cenas inéditas do clássico do cinema

Uma Thurman e John Travolta dançam em cena clássica de "Pulp Fiction".
Uma Thurman e John Travolta dançam em cena clássica de "Pulp Fiction". Divulgação

Frank Pallottada CNN

Ouvir notícia

A produtora de filmes e estúdio de cinema americano Miramax – responsável pelo aclamado filme “Pulp Fiction” – está processando Quentin Tarantino, diretor do longa-metragem, por planejar a venda de NFTs relacionados à obra de 1994.

O diretor e roteirista duas vezes vencedor do Oscar anunciou no dia 2 de novembro que venderá NFTs — os “tokens não fungíveis” — de sete cenas inéditas do filme estrelado por John Travolta e Samuel L. Jackson como dois assassinos profissionais que trabalham fazendo cobranças no submundo do crime de Los Angeles.

Os NFTs incluem também trechos do roteiro original manuscrito do filme, bem como comentários exclusivos do roteirista e diretor.

A Miramax entrou com uma queixa na Justiça de Los Angeles na última terça-feira (16), alegando que o diretor infringiu os “direitos de propriedade intelectual relacionados a uma das propriedades cinematográficas mais icônicas e valiosas do Miramax” ao oferecer a venda dos NFTs.

Os representantes de Tarantino não responderam ao pedido de comentários da CNN.

“Ao saber do plano de Tarantino, a Miramax enviou um pedido de “cessar e desistir” expondo, em detalhes, o desrespeito de Tarantino pelos amplos direitos da Miramax sobre ‘Pulp Fiction'”, afirma o processo. “Alegando erroneamente que seus estreitos Direitos Reservados são suficientes, Tarantino não se intimidou e se recusou a cumprir as exigências da Miramax para cancelar a venda de NFTs de Pulp Fiction.”

O processo disse que Tarantino manteve a Miramax no escuro em relação à venda e isso é “particularmente problemático”, uma vez que o diretor “concedeu e cedeu quase todos os seus direitos de ‘Pulp Fiction’ à Miramax em 1993”.

“A conduta de Tarantino forçou a Miramax a abrir este processo contra um valioso colaborador”, disse o processo. “Se não for controlada, a conduta de Tarantino pode induzir outros a acreditar que a Miramax está envolvida em seu empreendimento.”

O processo alega que a conduta de Tarantino em relação à venda também pode “induzir outros a acreditar que têm o direito de buscar negócios ou ofertas semelhantes, quando na verdade a Miramax detém os direitos necessários para desenvolver, comercializar e vender NFTs relacionados à sua biblioteca de filmes.”

“Este grupo optou por negligenciar de forma temerária, gananciosa e intencional o acordo que Quentin assinou em vez de seguir a abordagem legal e ética clara de simplesmente comunicar-se com a Miramax sobre suas ideias propostas”, disse Bart Williams, advogado que representa a Miramax, à CNN.

“Este esforço único desvaloriza os direitos de NFTs de Pulp Fiction, que a Miramax pretende maximizar por meio de uma abordagem estratégica e abrangente.”

Cada NFT é “cunhado” em um blockchain para dar a ele uma identidade verificada. Isso os torna itens colecionáveis ​​que podem se tornar bastante valiosos.

“Pulp Fiction” é um dos filmes mais influentes dos últimos 30 anos e tem uma aprovação de 96% no Rotten Tomatoes. É indiscutivelmente o filme mais famoso de Tarantino e ajudou a lançar sua carreira icônica em Hollywood.

O diretor dirigiu vários filmes premiados, incluindo “Django Livre”, “Era uma vez em… Hollywood” e “Bastardos Inglórios”.

* (Matéria traduzida. Leia a original em inglês aqui).

Mais Recentes da CNN