Figurinista de "A Viagem" revela inspirações para Alexandre e o umbral

Heitor Werneck atuou como figurinista no folhetim de sucesso lançado em 1994

Juliana Melguiso, colaboração para a CNN Brasil
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Um dos personagens mais marcantes da teledramaturgia brasileira, Alexandre foi o grande protagonista de "A Viagem", mesmo se tratando de uma figura controversa. Interpretado por Guilherme Fontes, o personagem marcou o público com suas maldades e transcendeu gerações, e virou meme nas redes sociais mais de 30 anos após sua primeira aparição nas telinhas.

Mas a lembrança do personagem só foi possível graças à atuação de Guilherme Fontes, e também à imagem construída a partir das ideias e também da vivência do figurinista Heitor Werneck, que fez parte da produção da trama de Ivani Ribeiro.

Ao lado da figurinista Marília Carneiro, ele foi um dos responsáveis por criar a persona visual de Alexandre, e tentou levar a estética das ruas para às telinhas. "Tentei levar a criatividade e originalidade das ruas para a TV, mas com elegância e de forma que fosse de fácil identificação. Era como transformar o nosso dia a dia em forma de arte, e me baseando somente em nosso país, sem ter referências internacionais", contou.

Segundo Heitor, além da parceria entre os figurinistas, o fato de Guilherme Fontes estar aberto às mudanças físicas e visuais diferenciados foi essencial para o personagem começasse a ser criado dentro e fora do roteiro. "Alexandre foi baseado no meu companheiro, que apostava em um visual que misturasse o gótico e o punk. A ideia era que o personagem tivesse uma estética inovadora, mas que passasse a essência de alguém que está sofrendo, e por isso utilizar cortes desalinhados, cabelo descolorido, entre outros detalhes".

A construção do umbral e do paraíso

Além do visual de Alexandre, Heitor também ajudou na criação do umbral, local que abriga almas recém-desencarnadas que não se arrependeram de suas ações ou que ainda não evoluíram após as vivências de suas vidas passadas. Alexandre vai para o lugar por causa de suas atitudes em vida e, para criar a ambientação, Heitor se inspirou no início da região da antiga Cracolândia, em São Paulo.

"Baseamos o visual do umbral na estética da região da Cracolândia, que ainda estava nascendo na década de 1990. Tentei mostrar a realidade das ruas de uma forma que nunca foi apresentada, e que, de alguma forma, fosse algo lúdico e que não se tornasse datado ou caricato", revelou o artista.

Ao ajudar na montagem do paraíso, que também teve destaque em alguns capítulos da novela, Heitor trouxe o total oposto do umbral. "A ambientação desse lugar de felicidade foi baseado em pinturas gregas, que sempre trazem um ar tranquilidade e algo até mesmo sexual para aquela plenitude. Tentamos trazer luz e um estilo simples que, é claro, focasse em transmitir paz".

 

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