"Guerra armada e sequestros podem ter ficado no passado", diz diretor de série sobre PCC
Em entrevista à CNN, Joel Zito Araújo conta bastidores de "PCC - Poder Secreto", nova série documental da HBO Max, que estreia nesta quinta-feira (26)

Estreia nesta quinta-feira (26), na HBO Max, a série documental “PCC - Poder Secreto”.
Baseada no livro "Irmãos: Uma História do PCC", do professor e pesquisador Gabriel Feltran, são quatro capítulos com depoimentos de ex-agentes carcerários, ex-membros da facção, familiares e autoridades.
Segundo o diretor Joel Zito Araújo, a série quer contar a história da facção criminosa, partindo, principalmente, do ponto de vista dos integrantes do Primeiro Comando da Capital, que revelam suas lógicas internas, códigos de conduta e estruturas.
Um dos entrevistados é Orlando Mota Junior, o Macarrão.
Em conversa com a CNN, que teve acesso aos três primeiros episódios da série, Zito afirmou que a entrevista com ele foi a mais desafiadora, por dois motivos: “Foi a primeira do projeto, e, quando você começa um filme, o primeiro dia é sempre o mais tenso. E por ele ser é um dos membros mais importantes do PCC”.
Macarrão está preso na Penitenciária Masculina de Tupi Paulista, interior de São Paulo, e, ao chegar na sala do diretor do presídio, levado por policiais, estava algemado nos mãos e nos pés.
Porém, o cineasta solicitou que ele fosse solto. “Esse foi um elemento facilitador de interação [entre mim e o preso]”, destacou.
Macarrão foi responsável pela criação da “Sintonia dos Gravatas”, braço jurídico oferecido pelo PCC aos presos, formado por cerca de 40 advogados.

Ao longo dos episódios, mães de jovens que se envolveram com o PCC dão entrevistas para falar como foi a relação delas com a facção.
Mirian Duarte, educadora e mãe de três filhos, afirma que um deles costumava fazer denúncias e ficou preso em um dos presídios comandados pelo grupo, o de Venceslau Brás.
Ela declarou que ele sofreu tortura e, após sair, teve dois AVCs, "muito por causa das situações que passou no inferno" - nome que ela dá ao presídio.
"Se a gente for falar de morte, pela letalidade policial e pelo crime, eu vou ser bem franca, a comunidade vê mais a morte pela polícia, e quando fala que foi o crime, todo mundo se conversa. É o medo, porque você continua ali e vai acabar morrendo... Eu não sei falar a quantidade certa de quanto o crime mata", diz ela.
Questionado pela CNN, o diretor do documentário afirmou que todos os personagens foram aconselhados a não dizer o nome de nenhum policial ou de integrantes da criminalidade “para não colocar ninguém em risco”.
O autor do livro que inspirou a série, Gabriel Feltran, também foi responsável por apresentar o projeto e os integrantes da equipe para os entrevistados. “Isso também nos deu uma baliza de não colocar ninguém em perigo”, contou Zito Araújo.

No terceiro episódio, aparece o depoimento do jornalista da TV Globo, Guilherme Portanova, que ficou conhecido por ser sequestrado pelo PCC e ter como pedido de resgate a exibição de um vídeo da facção na íntegra pelo canal.
De todo modo, Zito Araújo, após terminar a produção do documentário, afirmou que o PCC hoje tornou-se uma grande organização capitalista do mundo das drogas e, aparentemente, "a guerra armada ou os sequestros podem ter ficado no passado".
“O Primeiro Comando da Capital foi entendendo que o confronto era contraproducente para seus negócios. Toda essa jornada foi mostrando que esse não era o melhor caminho para a organização no mundo do crime”.
Assista ao trailer de "PCC:- Poder Secreto":


