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    Influenciadoras resistem a críticas e dão visibilidade a condições de saúde diversas

    Recentemente, Rafaella Justus contou aos seus seguidores como lida com exposição; na última semana, Paris Hilton rebateu comentários negativos sobre aparência de seu filho

    Da esquerda para a direita, Rafaella Justus, Paris Hilton e seu filho, e a influenciadora Dainara Pariz
    Da esquerda para a direita, Rafaella Justus, Paris Hilton e seu filho, e a influenciadora Dainara Pariz Arte: Reprodução/Redes sociais

    Renata Souzada CNN em São Paulo

    Recentemente, Rafaella Pinheiro Justus, de 14 anos, filha de Ticiane Pinheiro e Roberto Justus, surpreendeu seus seguidores ao demonstrar maturidade na maneira que lida com as críticas.

    A adolescente, que nasceu com uma malformação no crânio, disse que ignora comentários ofensivos.

    “Não vou deixar de ser quem eu sou por causa dessas pessoas que preferem criticar a minha vida ao invés de cuidar da delas! Eu mantenho minha mente sempre aberta, tomando cuidado para não levar para o lado pessoal, pois eu prefiro não ligar, e seguir em frente com a cabeça erguida sempre!”, publicou.

    Embora a jovem demonstre lidar bem com a situação, o comportamento hostil, tanto nas redes quanto na vida real, pode impactar negativamente na saúde mental de uma pessoa, segundo explica a psicóloga Valéria Noronha.

    “As críticas em relação à aparência podem trazer diversos prejuízos para a saúde mental, como sintomas de depressão, ansiedade, a própria questão da exposição e ansiedade social”, afirma.

    Assim como Rafaella, outras digital influencers também se posicionam contra padrões estéticos e dão visibilidade a condições diversas de saúde — enfrentando críticas e ofensas.

    Saúde mental e autoestima

    A influenciadora Dainara Pariz compartilha com seus mais de 4 milhões de seguidores no Instagram como é conviver com crises sucessivas de Paralisia de Bell — um tipo de interrupção dos movimentos do nervo facial. Segundo ela, as paralisias em seu rosto começaram ainda na infância.

    “Infelizmente, as outras crianças na escola começaram a me chamar de ‘cara torta’ e ‘boca caída’, e a professora, ainda assim, me colocou para fazer apresentações de trabalhos escolares, o que intensificou o bullying. Essas experiências eram dolorosas, especialmente quando eu continuei estudando nos anos seguintes com as mesmas pessoas e era constantemente lembrada por essas características, às vezes de maneira ofensiva por alguns alunos”, relata.

    Esse tipo de reação pode comprometer a maneira como a própria pessoa se vê, segundo a psicóloga Fabíola Luciano. “A forma como as pessoas me percebem também influencia a forma como eu vou me enxergar. E isso vai formar uma autoimagem satisfatória ou insatisfatória.”

    De acordo com Fabíola, “a gente vive um momento social em que a valorização corporal, a aparência estética é realmente muito valorizada”, o que torna ainda mais difícil expor condições diversas ao padrão estético.

    No caso das pessoas públicas, as críticas podem atingir até mesmo seus familiares e amigos. Há alguns dias, Paris Hilton teve que rebater comentários negativos em uma publicação com seu filho, de 8 meses.

    “Viver a vida sob os holofotes, os comentários são inevitáveis, mas visar meu filho, ou qualquer outra pessoa, é inaceitável”, disse a socialite em um story no Instagram.

    Segundo ela, seu “anjo é perfeitamente saudável” e “simplesmente tem um cérebro grande”.

    A psicóloga Valéria explica que, em graus diferentes, qualquer tipo de crítica à aparência pode ser negativo para a pessoa. “Caso isso traga um sofrimento que traga prejuízos à vida do indivíduo, é importante procurar ajuda: com a sua rede de apoio, família, amigos e/ou terapia”, afirma.

    Fabíola lembra ainda que, embora muitas vezes as pessoas associem uma boa autoestima a “estar tudo perfeito”, esse parâmetro não é correto.

    “Uma boa autoestima significa que eu olho para os meus aspectos e os enxergo todos: quais são os papeis sociais que eu desempenho, quais são os meus valores, as minhas atitudes, comportamentos, como eu me enxergo enquanto ser humano. E entender no final das contas como eu me entendo.” 

    *Com informações de Marianne Garvey, da CNN