Livro de Ana Paula Maia perde International Booker Prize 2026

"Taiwan Travelogue", de Yáng Shuāng-zǐ e traduzida por Lin King, foi o vencedor deste ano

André Nicolau e Larissa Santos, da CNN Brasil
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O Brasil perdeu o prêmio International Booker Prize 2026. O livro "Assim na terra como embaixo da terra" (2017), da escritora Ana Paula Maia, 48, foi superado por "Taiwan Travelogue", de Yáng Shuāng-zǐ com tradução de Lin King, conforme anunciado na cerimônia desta terça-feira (19).

O anúncio de Melhor Obra de Ficção consagrou o livro taiwanês em uma das maiores premiações literárias do mundo, que elege as melhores obras de ficção traduzidas para o inglês e publicadas no Reino Unido.

Em "Taiwan Travelogue" conhecemos a história da romancista Aoyama Chizuko que sai de sua casa em Nagasaki, no Japão, e chega a Taiwan. Sem interesse pelos banquetes oficiais ou pela agenda imperialista, a escritora aceita o convite pelo desejo de conhecer a vida real na ilha e mergulhar na culinária local. Por lá, lhe é designada a tradutora Chizuru, responsável por lhe ajudar na comunicação e que acaba realizando seus sonhos. Em meio a viagens panorâmicas, Chizuku se apaixona pela companheira e tenta se aproximar, mas algo faz com que a intérprete sempre tente manter a distância.

Até o momento, o título não foi publicado no Brasil e pode ser encontrado apenas em inglês em plataformas virtuais.

Conheça "Assim na Terra como Embaixo da Terra"

Lançado originalmente no Brasil em 2017 pela editora Record, o romance mantém a marca registrada de Ana Paula Maia, que mistura violência realista com elementos de terror. No mercado internacional, o livro foi publicado com o título "On Earth As It Is Beneath".

A trama se passa em uma colônia penal isolada, construída sobre um terreno historicamente utilizado para a tortura de pessoas escravizadas. Embora o projeto inicial da prisão fosse o de um modelo de ressocialização — do qual os detentos teoricamente jamais conseguiriam escapar —, o cenário atual, às vésperas da desativação, é de puro abandono e crueldade. Com poucos presos restantes, o local é dominado por Melquíades, o sádico diretor penal e algoz dos detentos.

Os prisioneiros vivem no limite, divididos entre o risco de planejar uma fuga quase impossível rumo ao desconhecido ou permanecer na instituição e se tornarem vítimas dos jogos mortais do diretor.

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