Livros de Sally Rooney podem deixar prateleiras do Reino Unido; entenda

Escritora irlandesa é responsável por best-sellers como "Pessoas Normais" e "Conversas Entre Amigos"

Sam Tobin, da Reuters
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A escritora irlandesa Sally Rooney, 34, afirmou que a decisão do Reino Unido de classificar o grupo pró-palestina Palestine Action como organização terrorista poderia impedi-la de receber royalties e até levar à retirada de seus livros de venda devido ao seu apoio ao grupo.

A autora best-seller disse, em uma declaração de testemunha tornada pública na quinta-feira (27) — o segundo dia de uma ação judicial para derrubar a proibição — que a produtora Element Pictures expressou preocupação de que lhe pagar royalties poderia constituir crime.

A Element Pictures, que produziu as adaptações dos romances de Rooney, "Pessoas Normais" e "Conversas Entre Amigos", para a BBC, escreveu ao agente dela em setembro depois que Rooney afirmou que usaria os royalties para apoiar o Palestine Action.

Rooney também disse em sua declaração apresentada ao Tribunal Superior de Londres que a lei não era clara sobre se sua editora, Faber & Faber, poderia pagar-lhe royalties sobre as vendas de livros, o que significa que “meus trabalhos existentes podem ter de ser retirados de venda” na Grã-Bretanha.

O desaparecimento do meu trabalho das livrarias marcaria uma incursão verdadeiramente extrema do Estado no âmbito da expressão artística”, afirmou ela na declaração.

A Element Pictures e a Faber & Faber não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

A declaração de Rooney foi apresentada ao tribunal em nome de Huda Ammori, cofundadora do Palestine Action, que argumenta que designar o grupo como organização terrorista é uma restrição autoritária ao protesto.

Desde que foi proibido em julho, mais de 2.000 pessoas foram presas por segurarem cartazes dizendo “Eu me oponho ao genocídio, apoio o Palestine Action” — incluindo mais de 100 do lado de fora do tribunal na quarta-feira, segundo a polícia.

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