Marco França conta choque ao ver sua cabeça cortada em "Guerreiros do Sol"

Ator que viveu o cangaceiro Fabiano na novela da Globoplay diz que fazer a prótese também foi um desafio devido a um problema de saúde

Felipe Carvalho, da CNN
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Marco França, 48, se despediu de Fabiano em "Guerreiros do Sol" no 41º capítulo da trama com uma cena que misturou terror e emoção. O personagem foi violentamente morto pelo vilão Arduíno (Irandhir Santos), que usou a sanfona para dar golpes fatais na cabeça do cangaceiro.

A trama chocou não somente o público com a brutalidade da sequência, mas também deixou Marco perplexo ao presenciar algo inusitado: estar de frente com a própria cabeça cortada, fincada em um espeto em plena praça pública. O ator conta à CNN que estava presente no cenário da cidade fictícia de Santa Cruz -- dentro dos Estúdios Globo -- quando a prótese, feita a partir da cabeça dele, estava exposta durante as gravações.

"Eu tive a sorte de estar nas gravações no dia em que a cena da cabeça foi filmada, fincada em um pedaço de pau. Estava no estúdio da Globo, disponível, e quis assistir. Foi uma sensação bem estranha. Tenho foto e registro desse momento. Foi muito impactante me ver ali, com a cabeça tão realista e exposta daquela forma", declara.

 

O artista detalha que teve muita dificuldade para conseguir moldar a prótese de silicone no rosto e descreve esse processo como "bastante angustiante". Marco explica que tem desvio de septo -- condição em que a estrutura que divide as cavidades nasais não está reta e centralizada -- e isso dificultou a modelagem da prótese.

"Dependendo da situação, respiro mais pela boca e até durmo de boca aberta. Por isso, não consegui fazer o molde de uma só vez, como, por exemplo, o Rafa Sig, que faz o Tatarana. Vi o processo dele, mas precisei fazer em duas etapas: a primeira com nariz e boca livres e, depois, a segunda fechando a boca."

Na fase final de "Guerreiros do Sol", Fabiano começou a ter surtos psicológicos e nem se assustou quando Arduíno invadiu a casa onde estava. O ator declara que já sabia como seria o fim de seu personagem e elogia a curva da narrativa dele escrita pelos autores da trama, George Moura e Sergio Goldenberg.

"Foi um personagem com humor e leveza nas festas, que passou pelo luto do filho, viveu uma relação de paixão e amizade com a Otília e, em certo momento, entrou em um delírio religioso que levou ao seu desfecho. Gostei de ter explorado todas essas camadas dentro da curva dramática que ele teve na história", comemora.

Fabiano não largou sua sanfona durante os capítulos da novela e essa relação de amor com o instrumento musical também faz parte da vida de Marco. Ele conta à reportagem que essa história começou aos 12 anos, e trabalhou profissionalmente aos 15 como músico.

"A sanfona sempre foi um desejo, mas estava um pouco distante, pelo respeito que tenho por todos os instrumentos. Certo dia, passei em frente a uma loja e vi uma sanfona enfeitando a vitrine. Perguntei ao dono se venderia para mim e, para minha surpresa, ele aceitou na hora. Fui imediatamente ao banco, saquei o dinheiro e comprei", lembra com carinho.

Agora Marco se prepara para novos trabalhos. Ele esteve em cartaz com o espetáculo "Vermes Radiantes", em São Paulo, e viaja ao Rio de Janeiro em setembro com a peça. O ator também está compondo canções e dirigindo um espetáculo do Grupo 59, formado por ex-alunos da Escola de Arte Dramática da USP, com estreia prevista para outubro.

"Essas são as atividades programadas para o segundo semestre, com alguns projetos já encaminhados para o próximo ano. Meu desejo é que 'Guerreiros do Sol' abra portas para o audiovisual muito em breve."

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