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    Entrevista com Maria Fernanda Cândido: “O Brasil tem muito, muito potencial”

    Em conversa com a CNN, atriz revela bastidores de "Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore", fala sobre o medo da Covid durante as filmagens e que o brasileiro tem a tendência de achar que tudo que é de fora é melhor

    Jairo Goldflus/Divulgação

    Luana FranzãoThayana Nunesda CNN

    Em São Paulo

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    Maria Fernanda Cândido é uma mulher de muita ação e poucas palavras. Essas são as características que ela diz compartilhar com Vicência Santos, personagem que interpreta em “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore”, novo filme do universo “Harry Potter”, que estreia nesta quinta-feira (14), nos cinemas brasileiros.

    Vicência é a ministra da magia do Brasil e concorre ao cargo de Chefe Suprema da Confederação Internacional dos Bruxos nesta história. Uma mulher séria e forte, nas palavras da atriz, que possui um papel central no desenrolar da trama do terceiro longa da série “Animais Fantásticos”.

    Assim como ela, a atriz diz ser uma pessoa “democrática” e que “valoriza o conhecimento”.

    Após virar um nome conhecido no Brasil por meio do teatro, do cinema e da televisão, Maria Fernanda Cândido engata seu primeiro projeto digno de Hollywood. A oportunidade, no entanto, só lhe foi revelada após os primeiros testes, devido à alta confidencialidade da produção.

    “No momento do teste, eu não sabia ainda que filme era. É ultraconfidencial. Claro que percebi que era alguma coisa relacionada a um universo fantástico, porque tinham elementos ali que obviamente não eram parte do mundo real. Mas eu mesma não cheguei a imaginar que seria ‘Animais Fantásticos’”, disse em entrevista à CNN, afirmando que o personagem só foi revelado após a assinatura de uma série de cláusulas.

    Uma vez dentro do mundo da magia, Maria Fernanda se viu encantada pela dimensão de uma superprodução como essa. Um dos momentos mais especiais, na sua opinião, foi quando recebeu a sua varinha, objeto extremamente pessoal para cada bruxo na narrativa desse universo.

    Tudo ocorreu em uma gravação que não estava prevista no roteiro inicial, e ela acreditou que a varinha seria entregue como outro objeto qualquer da produção. Mas não, há todo um cuidado pela equipe.

    “É um artista quem faz, quem produz essas varinhas, e elas são guardadas em uma caixa de madeira, toda forrada, com plaquinhas de metal com os nomes dos donos da varinha. Então, ela não é um objeto apenas ali, entendeu? Jogado em qualquer canto. Realmente percebi que é algo muito especial para todos que estão envolvidos nesse trabalho. Foi emocionante”, descreveu, revelando um pouco dos bastidores que atiçam a curiosidade dos fãs.

    Os “potterheads”, como são chamados os super fãs da franquia literária e cinematográfica, são muitos e têm diferentes idades. O que todos têm em comum é a adoração pela realidade alternativa construída por Harry Potter e outros personagens.

    Os filhos da atriz, como haveria de ser, também assistiram aos filmes na infância, e se animaram com o projeto – tanto que não reclamavam das constantes viagens que a mãe era obrigada a fazer por conta das gravações. “Eles estão sempre reclamando que viajo para trabalhar, e dessa vez não, falaram: ‘Mamãe, vai tranquila!’”, contou ela sobre a alegria de Thomas e Nicolas Spahira, respectivamente com 16 e 13 anos.

    A atriz, que mora em Paris com o marido e os filhos desde 2017, confessa que não conseguiu fazer isolamento no últimos dois anos.

    Durante a pandemia, além de precisar ficar seis meses na Inglaterra para filmar “Animais Fantásticos”, também embarcou para o Uruguai, onde participou das gravações da série “El Presidente”, da Amazon, sobre a vida do ex-presidente da FIFA João Havelange. Maria Fernanda interpreta Anna Maria Havelange.

    O medo da Covid existiu, claro, e ela conta que realizou testes diários para saber se tinha contraído a doença.

    “A gente ainda não realizou o que foi tudo isso. A pandemia não é algo do passado. (…) Estamos, claro, em outro momento, não mais com aquele medo da morte, ali, o dia inteiro. Mas ainda temos mortes diárias. Eu ainda uso máscara, álcool em gel. De verdade, acho que ainda não caiu a ficha do que foi tudo isso”, relatou.

    Esse seu jeito reflexivo não é algo novo na vida da atriz, que é sócia-fundadora da Casa do Saber, instituição de ensino com cursos em áreas como a psicanálise, filosofia e literatura. Vivendo na ponte-aérea entre Paris e São Paulo, ela continua participando de todos as decisões da escola, que agora é totalmente virtual.

    Como uma “valorizadora do conhecimento”, como ela diz, acompanhar as notícias e estar conectada aos acontecimentos no Brasil fazem parte de sua rotina. Como ela assiste ao noticiário?

    “Acho que a gente está atravessando um momento muito difícil, né? Esse é um grande ano para nós brasileiros, um ano de eleição importantíssimo, um momento para a gente realmente ficar muito atento”, avaliou, e depois celebrou as iniciativas de incentivo para que jovens a partir dos 16 anos tirem seus títulos de eleitor.

    Sob um olhar de quem passa a maior parte do seu tempo fora do país, ela acredita que o “Brasil tem muito, muito potencial”.

    “A gente tem uma impressão e uma tendência a achar que tudo que é de fora é melhor, é mais desenvolvido. Isso é uma idealização, isso é fruto das ideias. Todo lugar tem dificuldades, todo lugar tem também os seus pontos positivos fortes. Claro, é um processo, precisamos de mais tempo para viver nossa maturação. Mas estamos caminhando.”

    Na realidade de “Animais Fantásticos”, há uma divisão forte entre a sociedade bruxa, e Vicência Santos é um dos elementos centrais de uma das narrativas. Ela se opõe a um governo totalitário, que prega uma ideia de supremacia dos bruxos em relação aos “trouxas”, aqueles que nascem sem poderes mágicos.

    Minha personagem está claramente alinhada com a forma mais democrática de pensar. Ela é uma mulher de estratégia, é política. Porém, tem traços de humanidade e de sensibilidade. Tudo isso me deixou muito feliz.

    Maria Fernanda Cândido

    Ela não acredita, no entanto, que o filme tenha um grande lastro no momento atual.

    “O filme não é uma metáfora, ele não foi feito agora, foi escrito há muitos anos. Porém, a literatura bebe na realidade. É isso que a gente vem fazendo há milênios”, diz.

    “A produção humana, a produção artística e literária, se baseia no mundo, nos fatos, na vida, na humanidade. São assuntos nossos. Então, eu acho que vão ressoar sim, vai reverberar de alguma forma. O que está sendo dito no filme vai fazer sentido certamente para a nossa realidade, para o nosso contemporâneo.”

    As questões da atualidade, aliás, insistem em permear a produção e divulgação de “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore”.

    A autora dos livros de Harry Potter, J.K. Rowling, foi criticada por internautas e celebridades após denúncias sobre potencial transfobia, em especial contra mulheres trans. Os cenários estonteantes não foram capazes de distrair o público da questão, que de vez em quando ressurge em redes como o Twitter.

    Maria Fernanda Cândido disse que não saberia dizer se as polêmicas afetaram a produção, mas afirmou: “Não faço minhas as palavras dela. Cada um tem o direito também de pensar como quiser. Mas eu não dividiria o meu pensamento com ela”.

    O universo mágico promete continuar presente no imaginário coletivo por mais tempo. O primeiro livro, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, foi lançado em 1998, o que faz com que a história do jovem bruxo complete 24 anos em 2022 – uma das franquias mais longevas da cultura popular.

    No entanto, para Maria Fernando Cândido, é impossível prever o futuro do mundo bruxo.

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