"Meu Casulo de Drywall" pensa em saúde mental de pais e filhos, diz diretora
Longa brasileiro chegou aos cinemas na última quinta-feira (12)

O filme brasileiro "Meu Casulo de Drywall" chegou aos cinemas na última quinta-feira (12). Segundo a diretora Caroline Fioratti, em entrevista à CNN, o filme "quer pensar a saúde mental dos pais e dos jovens".
"Meu Casulo de Drywall" aborda a história de Virgínia (Bella Piero) uma jovem que comemora 17 anos com uma festa em sua cobertura. Embora tudo pareça perfeito, no dia seguinte, Virgínia aparece morta - o afeta não apenas a vida de sua família, mas também do condomínio fechado em que a jovem vivia.
A escolha de retratar a vida dentro de um condomínio foi uma escolha da diretora e roteirista do longa de mostrar impacto das bolhas na vida dos jovens, que cria um ambiente que, por aparentar ser seguro, não facilita a comunicação do que pode estar acontecendo dentro das pessoas.
"Esses pais também não tiveram o espaço da comunicação, que estão reproduzindo essa criação e estão passando isso para os filhos", continuou. "Não é só sobre o pai estar atento sobre o jovem, é também sobre o jovem achar que pode ajudar o pai a sair da própria bolha, do próprio casulo, essa troca é muito importante", complementou.
O objetivo, além de tratar sobre a importância da comunicação para olhar para a saúde mental uns dos outros, também tem o objetivo de causar um impacto no público. "Tem esse trabalho para que seja um filme com sua complexidade narrativa e de conteúdo, mas que também não abandone essa comunicação com o público para que ele esteja dentro de um gênero, que traz um thriller junto com um drama. Que [o público] vá se emocionando aos poucos até chegar a uma catarse", disse Fioratti.
As inspirações vem dos filmes sobre adolescentes que formaram, inclusive, a própria Caroline Fioratti. "Eu consumia muito filme de adolescentes, sobre o adolescente e ditado por um mercado para o adolescente. Eu sentia que esses filmes supostamente adultos para adolescentes eram o que mais me tocavam, dialogavam com a minha dor porque me tratavam de uma forma honesta", explicou a diretora.
"Esses filmes expunham de uma forma visceral e muito real o que eu sentia, o que eu vivenciava, por isso eu falo de Sofia Coppola", continuou. "As Virgens Suicidas" é uma das referências utilizadas pela cineasta para contar a história de Virgínia.
"Nesse filme específico, me influenciou muito a literatura de Virginia Woolf e Clarice Lispector, que fala de mulheres, que permite a melancolia nas mulheres e que permite que a mulher seja reflexiva", completou a diretora. "Eu acho que todas essas referentes artísticas estão presentes nesta obra."
A presença feminina também é sentida por Bella Piero. À CNN, falou que é um "presente" qualquer atriz conseguir lidar com a sensibilidade de mulheres, já que Fioratti fez uma equipe majoritariamente feminina.
Já sobre o projeto, foi o roteiro que a fez decidir de vez interpretar a jovem Virginia. "Eu sou uma atriz muito apaixonada por processos complexos e por contar histórias que tenham propósito. Quando eu terminei de ler, eu não conseguia reagir porque realmente fui muito atravessada pela história que ela conta e pela mensagem que ela propõe esses personagens de alcançarem", falou.
Além de Bella Piero, o elenco conta com os nomes Michel Joelsas, Mari Oliveira, Daniel Botelho, Débora Duboc, Flávia Garrafa, Marat Descartes e Lena Roque.
No filme, estão presentes também os veteranos Maria Luísa Mendonça e Caco Ciocler.
À CNN, Maria Luísa Mendonça falou sobre a escolha de participar da produção. "Quando veio [a vontade de fazer o filme], primeiro veio a paixão, o sonho, o amor que eu tenho pelo cinema e fazer cinema com ela [Caroline Fioratti]".
"Quando veio o roteiro", continuou, "eu não tive a menor dúvida porque eu vi o tamanho do buraco, que era fundo, e necessário, corajoso."
A atriz ainda reforçou a importância da discussão sobre pais e filhos conversarem entre si para abordarem as questões difíceis e sensíveis. "Isso é respeito", falou a atriz. "Eu criei minha filha com muito respeito, com respeito dela ir crescendo e de como ela estava se desenvolvendo. Eu sempre aprendi com ela, tem fases da vida que você dá limite, etc, e hoje a minha filha é adulta. As trocas vão mudando, as coisas vão mudando."
"Todo mundo está aprendendo sempre", complementou, sobre o fato de que não apenas os filhos aprendem com os pais, mas que os pais aprendem com os filhos. "Acho que o que está acontecendo é a gente aprender cada vez mais a respeitar os sentimentos da criança."
A produção é da Aurora Filmes e tem distribuição da Gullane+.


