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    MTG: saiba o que é a tendência do funk que viraliza nas redes sociais

    Nomeada pelo movimento funk de Belo Horizonte, em Minas Gerais, "MTG" já reúne sucessos emplacados nas principais plataformas de streaming

    MTG significa "montagem" e faz uma música utilizando trechos de diferentes faixas
    MTG significa "montagem" e faz uma música utilizando trechos de diferentes faixas Ninoon

    Giovanna Bronzeda CNN

    Nas redes sociais, seja no TikTok ou no Instagram, você provavelmente já ouviu – e cantou – uma música MTG. Isso porque as faixas que levam “MTG” no título não são de um artista que leva esse nome e sim de uma tendência que se tornou popular entre os DJs e cantores de funk do país.

    MTG é uma forma abreviada de “montagem“. De forma prática, MTG nada difere de um remix, pois reúne músicas diferentes na mesma faixa com efeitos e alterações feitas pelo produtor e pelo DJ responsáveis.

    “Nada mais é do que pegar uma ou mais músicas e juntar numa única, fazer como uma espécie de colagem”, explica a empresária musical Dani Faria, sócia da K2L e presidente da Urban Pop, à CNN. “O MTG existe desde os anos 2000, talvez até antes, não é recente.”

    O termo surgiu no Rio de Janeiro, segundo o DJ e produtor Mulú à CNN. “Era como os DJs de funk carioca chamavam o estilo de funk mais ‘ampleado’; eles pegavam um pedaço de qualquer música e ficavam repetindo, apertando um botão na mesa de som por cima de uma batida, principalmente a batida ‘voltmix'”, diz.

    “Aí a galera de BH começou a criar remixes misturando várias vozes de MCs e samples no estilo mais minimalista e espacial, chamaram de MTG e o nome pegou”, continua.

    No Spotify, uma das plataformas de streaming de música mais usadas no país, tem pelo menos três faixas desse estilo entre as 15 mais tocadas. Na playlist Top 50 do Brasil, por exemplo, a música “MTG Quem Não Quer Sou Eu“, do DJ Topo, é a música mais tocada e aparece em primeiro lugar. No YouTube, o vídeo tem mais de 8,3 milhões de reproduções.

    A faixa inclui a música “Quem Não Quer Sou Eu” do Seu Jorge, que integra o álbum “Músicas para Churrasco Vol. 1” do cantor. Outros músicos de gêneros de diferentes do funk também já tiveram sucessos remixados em MTG como Sidney Magal, Kid Abelha, Pitty, Rita Lee, Mart’nália, Tribalistas e Luiz Gonzaga.

    “Quando os artistas fazem montagem, isso rapidamente causa identificação na cabeça do público. Então se a gente pega o exemplo de ‘MTG Quem Não Quer Sou Eu’, isso rapidamente viraliza e cresce por causa da identificação que causa porque já é uma música “, continua Dani Faria.

    DJ Topo falou em conversa com a CNN sobre seu primeiro contato com as montagens. “Como DJ e produtor, sempre fiz MTGs, porém mais voltados ao funk de SP. Quando vi que as MTGs de BH estavam crescendo, decidi fazer algumas  também! Devo ter ouvido a minha primeira MTG pelo YouTube há uns 2 anos”, disse.

    “A música que me chamou atenção pra entrar no estilo foi a ‘MTG  Quero Te Encontrar’. Vi que ela e outras estavam entrando nos charts do Spotify e comecei a ouvir bastante. Então decidi fazer algumas na minha pegada!”, falou sobre a criação da faixa que é hit no país. “Eu estava querendo fazer alguma MTG com uma música em português.”

    E foi no TikTok que DJ Topo teve contato com a música que usaria para a montagem. “Apareceu para mim uma menina usando a versão original do Seu Jorge como áudio. Sempre gostei dessa música quando era mais novo e achei que a letra e o timbre iriam se encaixar muito em uma MTG de BH. Fiz o teste, postei uma prévia no TikTok e explodiu”, continua.

    “Com certeza não esperava [o sucesso da faixa], queria muito entrar com alguma música no Top 50 como meta pessoal, mas top 1 foi surreal. Com certeza foi a minha maior conquista em um lançamento como produtor”, disse, sobre a música ocupar a primeira posição da playlist do Spotify.

    Outra faixa que começou a repercutir no TikTok é uma MTG de “Chihiro“, de autoria de Mulú. A faixa original é da cantora Billie Eilish, em seu novo álbum “Hit Me Hard and Soft”.

    O DJ disse que estava ouvindo o disco diversas vezes desde o lançamento e que já estava “flertando” com MTG. “Quando ouvi o vocal poderoso de ‘Chihiro’, senti na hora que a combinação seria mágica. Foi uma conexão imediata”, disse à CNN.

    Quando ouvi tudo junto com a batida de funk, senti que tinha algo especial, mas a viralização foi muito além das minhas expectativas”, continua. Até o momento, o áudio no TikTok teve mais de 50 milhões de reproduções.

    @mulubeats

    Minha singela contribuição pro universo das MTGs Quem quiser ela inteira comenta “quero” que mando assim que eu terminar! #MTG #BILLIEEILISH #FUNK #remix

    ♬ MTG CHIHIRO by Mulú – Mulú

    As redes sociais acabam sendo fundamentais para os lançamentos no geral. “TikTok e Instagram são essenciais para ajudar a música a andar mais rápido”, explica Dani Faria. “Os conteúdos alcançam mais pessoas e a música vai sendo propagada.”

    Com essa possibilidade, as MTGs feitas conseguem ainda mais espaço de forma rápida. Dessa forma, DJs e músicos podem explorar o gênero que está se tornando cada vez mais comum entre artistas, além de emplacar posições de destaque nas principais paradas, causando um impacto na indústria musical.

    Acho que o MTG já está sendo uma revolução por trazer de volta a canção para os bailes como na época do funk melody e permitir a galera curtir um funk com letras menos explícitas, como releituras de clássicos da MPB e hits da música pop”, contextualiza Mulú. “A MTG do DJ Topo com a voz do Seu Jorge, por exemplo, chegou ao top 1 das paradas sem precisar de sexualização. Não quero parecer moralista aqui, mas acho que o funk só tem a ganhar com mais diversidade de temas.”

    Já o próprio DJ Topo reforça as possibilidades que as montagens criam. “As MTGs trazem uma versatilidade pros produtores. Saber que podemos usar vozes de diferentes estilos e letras com assuntos diversos trazem mais opção pra nós. Além disso, colaborações com artistas que normalmente não estariam no funk podem começar a surgir”, disse.

    Dani Faria, no entanto, alerta sobre os perigos dos DJs se aventurarem em montagens sem pensarem sobre os direitos autorais. “Esse movimento de montagem é bom ao mesmo tempo que é perigoso, porque os artistas precisam ficar muito atentos às liberações. Quando a gente fala de montagem e pega outras músicas que não são autorais daquele artista e sim músicas conhecidas de outros artistas, a música precisa estar autorizada”, explica.

    “Não tem como lançar e monetizar aquilo sem que o autor tenha autorizado o uso da música”, finaliza a empresária.