"O galã é o herói": Francisco Cuoco e sua trajetória que marcou gerações
Especialista em teledramaturgia relembra a importância do trabalho teatral de Cuoco para seu sucesso na televisão e seu papel como galã nas novelas brasileiras
Francisco Cuoco, ator que faleceu a última quinta-feira (19) aos 91 anos, deixou um legado significativo no cenário artístico brasileiro. Sua trajetória, que começou nos palcos e culminou com grande sucesso na televisão, foi marcada por uma dedicação incansável à arte dramática.
Mauro Alencar, especialista em teledramaturgia, compartilhou em entrevista à CNN detalhes sobre a carreira e a vida pessoal de Cuoco. Segundo Alencar, o ator iniciou sua jornada artística enquanto ainda trabalhava como feirante, vendendo biscoitos e massas para sustentar-se. Paralelamente, estudava na Escola de Arte Dramática do professor Alfredo Mesquita, à noite.
Do Teatro Brasileiro de Comédia à TV
O trabalho de Cuoco no teatro foi crucial para sua ascensão à televisão. Suas performances no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) em São Paulo foram particularmente notáveis. Alencar destaca: "Todo esse trabalho artístico no teatro foi a base, foi um trampolim para a televisão".
Entre as peças marcantes de sua carreira teatral, estão "Edda Gabler", de Ibsen, onde contracenou com Dina Sfat, e "Pedreira das Almas", de Jorge Andrade. Essas experiências consolidaram sua técnica e presença cênica, preparando-o para os desafios que enfrentaria nas telas.
O galã das novelas
A estreia de Cuoco na televisão foi grandiosa. Ele protagonizou a novela "Redenção", na TV Excelsior, que se estendeu por 596 capítulos. Seu papel como Dr. Fernando Silveira foi um sucesso estrondoso, estabelecendo-o como um dos principais galãs da teledramaturgia brasileira.
Alencar explica o conceito de galã na época: "O galã significa o quê? É o herói da história". Ele ressalta que autores como Janete Clair, Lauro César Muniz e Dias Gomes criavam protótipos masculinos que encantavam o público e sustentavam as narrativas, competindo com os seriados importados dos Estados Unidos.
Um dos momentos mais emblemáticos da carreira de Cuoco foi em "Pecado Capital", novela de Janete Clair. A cena final, onde seu personagem morre ao som de Paulinho da Viola, com o dinheiro se esvaindo, é lembrada até hoje como um dos grandes momentos da televisão brasileira.
Francisco Cuoco deixa um legado de dedicação à arte e uma carreira que atravessou décadas, marcando gerações de espectadores. Sua trajetória do teatro à televisão não apenas ilustra sua versatilidade como ator, mas também reflete a evolução da própria dramaturgia brasileira.


