Participação de autores negros na literatura tem avançado no Brasil

Avanço é essencial na luta contra o racismo estrutural da sociedade

Da CNN

Em São Paulo

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Durante anos, a participação de negros em livros brasileiros foi muito mais como tema do que como voz autoral. Mesmo que ainda de forma tímida, a presença de autores negros na literatura tem aumentado. O avanço é essencial na luta contra o racismo estrutural da sociedade.

Uma pesquisa do grupo de estudos de literatura contemporânea da Universidade de Brasília trouxe uma radiografia racial e de gênero do mercado editorial brasileiro.

Depois de analisar 258 romances publicados por três grandes editoras, entre os anos de 1990 e 2004, o estudo revelou que 93,9% dos autores publicados eram brancos.

A pesquisa ainda mostra que em 56,6% das obras não há nenhuma personagem não branca. Em apenas 1,6% não há nenhuma personagem branca, e apenas dois livros sozinhos respondem por cerca de 20% das personagens negras.

Mudanças no mercado

Desde que fundou sua editora em 2015, dedicada exclusivamente à literatura negra, Vagner Amaro diz ter conseguido ver mudanças, ainda que tímidas, no mercado literário. Para ele, esse desinteresse do mercado em autores negros se deve tanto à ideia de que não há público que compre os livros, como pelo próprio racismo.

“É uma tentativa, talvez por desconhecimento ou talvez até por preconceito, de oferecer aos autores negros a oportunidade de publicarem apenas sobre determinados temas, o que vem de um desconhecimento muito grande”, afirmou Vagner.

Com seis livros publicados, a escritora Janine Rodrigues abriu sua própria editora e produtora cultural.

“Os próprios autores negros vêm se organizando e estruturando para que esse mercado seja mais plural e para que as nossas narrativas sejam mais presentes na sociedade. Meu sonho é que a gente tenha mais autores e autoras negras, para que essas crianças mais jovens se vejam também nesses espaços”, afirmou Janine.

(Publicado por Daniel Fernandes)

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