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    #CNNPop

    Roberta Miranda se emociona ao falar de Moonbin, idol de k-pop que morreu em abril

    A rainha do sertanejo falou à CNN sobre o amor por Moonbin, membro do grupo ASTRO que morreu em abril de 2023

    Isabela Gadelhada CNN

    Ninguém imaginava que a rainha do sertanejo, Roberta Miranda, é uma grande fã de k-pop. Na verdade, a paixão ainda é recente, segundo o que contou em uma entrevista em vídeo à CNN.

    Os fãs brasileiros de artistas sul-coreanos descobriram em um momento muito triste, que foi a morte do cantor Moonbin, do grupo ASTRO, em abril deste ano. Alguns dias depois, triste com a situação e sentindo saudade do cantor, a sertaneja decidiu compor uma música em homenagem a ele com a melodia da canção Paper Cuts, do grupo EXO.

    “Você partiu e eu fiquei com esse vazio aqui”, cantou. Confira:

    A postagem fez com que uma legião de fãs interagissem com a cantora, seja nos comentários ou mesmo por mensagens diretas. Desde então, Roberta também publica duetos reagindo a alguns vídeos dos artistas sul-coreanos.

    Em entrevista à CNN, a cantora falou que admira o trabalho duro dos artistas de k-pop e que, se pudesse, faria feat com o BTS. Confira:

    Quando e como foi o seu primeiro contato com k-pop?

    O meu primeiro contato faz pouco tempo, um ano para cá. Minha sobrinha, a Laura Miranda, ama. Inclusive faz desenhos, é um gênio. E me chamou a atenção. Eu sou uma pessoa que, principalmente na madrugada, pesquisa muito todo tipo de música, o que anda acontecendo no mundo.

    Eu nunca fiquei dentro de uma bolha de um nicho sertanejo. Pelo contrário, eu acho que atribuo a minha pesquisa musical ao fato de ter sido crooner. Eu, como crooner, cantava de Chico Buarque de Holanda a Cascatinha.

    Mas, sobre k-pop, primeiramente, achei eles lindos. Depois eu fui vendo o trabalho, que é impecável, e fui lendo a história deles e fui me apaixonando pelo grupo.

    Qual foi o primeiro grupo que você gostou?

    O BTS foi o primeiro. Como sempre, né? Sem ofender outros, porque são dezenas, centenas, mas eu acho que o BTS é o mais famoso.

    Eu fiquei apaixonada pelo JK. Principalmente ele se apresentando na Copa do Mundo, fazendo aquele trabalho lindo. O cara só teve cinco horas pra aprender a coreografia! Eu gosto. Eu comecei a admirar muito. Agora uma coisa que me calou fundo é o trabalho com afinco, sabe? O trabalho com paixão rebate diretamente na minha pessoa. É mais ou menos parecido comigo. Gêneros diferentes, mas bem parecidos.

    Você é uma artista que trabalha muito, então é algo em comum que tem com eles.

    Sim, principalmente quando a gente percebe que, para entrar em um desses grupos, são anos e anos de trabalho e de dedicação.

    E quem são seus artistas favoritos, além do BTS?

    Tem o Moonbin, do ASTRO. Virou uma paixão. Quando isso aconteceu com ele, foi um baque [o artista morreu em abril]. O interessante é que as pessoas não sabiam que eu gostava e que eu tinha essa aproximação. Quando publiquei uma música em homenagem a ele, muitos fãs vieram nas minhas redes sociais. Respondi vários no direct. Eu fiquei muito triste com a notícia dele. Eu confesso que chorei. Postei e chorei.

    Por que decidiu escrever uma homenagem ao Moonbin?

    Eu decidi porque eu estava muito triste pensando em tudo. Olha quanto trabalho, olha quanta vida pela frente! Como ele é genial! Todas as coisas que permeiam. Quantos anos ele lutou para realizar o sonho dele e, de repente, ele se foi. Claro que ninguém sabe o que foi ainda, ninguém sabe se foi suicídio, se foi morte súbita, ninguém sabe.

    Mas ele se foi como uma estrela. Se foi e deixou a gente num vazio muito grande. Então sentei aqui no meu escritório, que é dentro da minha casa, e escrevi. A melodia é de uma música que cantaram em homenagem ao Moobin. E parece que não é de autoria deles, é de outro artista. [É a canção Paper Cut do EXO]

    Tem alguma música que você tenha ouvido mais ultimamente?

    Eu sou nova nesse mundo do k-pop e sou ruim de guardar nome e não falo inglês. Me preocupo em errar nomes de músicas, mas gosto muito. Eu gosto da coreografia, eu gosto da dedicação, e eles são lindos.

    Você percebe que ali é tudo um minucioso, bem cuidado, né? São maquiados e roupas lindíssimas. É um conjunto da obra que eu posso dizer para você que é 99%. Porque quando a gente alcança 100%, a tendência é você sentar na cadeira do conforto e ter o declínio da vida, né? Isso tanto no âmbito profissional, quanto pessoal.

    Eu vi um vídeo mostrando o tanto que eles entregam, como eles se entregam em show. Um passando mal e o outro com oxigênio, outro com massagem. Sabe o que acontece? A gente está aqui para falar dos meninos, mas falar deles e não falar um pouco da minha história, eu acho que fica meio desconectado, porque para subir no palco, eu já tive farmacêutico lá embaixo me aplicando de diprospan para que eu pudesse fazer o show, porque eu estava com febre, eu estava rouca.

    Então eu já passei por todo tipo de situações que as pessoas nem imaginam para cumprir um show, levar ali a minha arte. Momentos de beleza, momentos de reflexão, momentos de aprendizado. É mais ou menos parecido com o que acontece com os meninos. E as meninas, claro. E eu pesquiso muito isso, eu vejo muito. O que aconteceu hoje é que eu estou com muitos fãs deles junto comigo.

    E é lindo, porque o que eles agradecem. Eles se assustaram de ver a rainha da música sertaneja, com quase 65 anos de idade, enlouquecida por eles. É muito bonito o que eles escrevem para mim.

     

    Se pudesse dar um conselho para jovens artistas do k-pop, o que falaria?

    Que responsabilidade! Mas eu falar e acontecer tem uma estrada longa. Eu passei 12, 13 anos sem tirar nem mesmo um dia de férias. Eu só parava no dia das mães e Natal porque minha mãe já tinha muita idade. O resto não. Fazia 300, 280 shows, chegava a cinco em um só dia e quase perco a minha saúde mental e física.

    Então tive que botar o pé no freio. Mas olha só, eles estão sob o comando de grandes empresários. Cada país é uma cultura, cada empresário tem a sua forma de trabalhar.

    Mas acho que o conselho é esse. Trabalhe, sim, com paixão, com amor, para deixar um legado como vocês conseguem deixar, como deixaram no caso do do Bin. Mas eu não sei se eles conseguem botar o pé no freio. Acho que não, porque a cultura é outra. Porque geram bilhões e bilhões para um governo.

    Você tem vontade de ir para a Coreia do Sul, já comprou algum álbum de k-pop? 

    Não, mas mandei trazer uma camiseta, comprei algumas camisetas, mas para dar mesmo para a Laura, para mim, aquele símbolo [de coração] que eu acho lindo e está chegando. Eu vou usar, ué. É um prazer.

    Qual é a maior diferença de gostar de um artista de K-pop em relação a outros artistas que você gosta? Em questão de conteúdo, talvez, ou de interação.

    Olha, eu estou para dizer para você que eu fiquei surpresa em relação às letras dos meninos. É uma letra com o conteúdo. Eles prezam muito por isso. E tanto gostando dos meninos como do meu pessoal daqui, dos nossos artistas, eu busco isso. Eu busco conteúdo na letra, eu busco paixão pela arte.

    Nunca cala no meu coração aquilo que é imediato. A gente percebe o que é arte e o que é fortuna. Fez fortuna, desapareceu. É bolha de sabão e é risco na água, né? Agora, cuidar da arte como os meninos cuidam, isso aí é eterno. Eu sou chata mesmo, sou uma profissional exímia, sou mesmo chata como profissional.

    Pra calar fundo aqui é porque eu já pesquisei muito, eu já tentei entender, eu já vi de cara o desdobramento, a paixão que eles têm, o trabalho que eles fazem. Aí depois a gente vai buscar algumas letras, conteúdos. Então para bater aqui, para me fazer chorar como a perda do menino [Moonbin] e eu sentar aqui nesse escritório e fazer aquela versão ali, que fiz em dois minutos. Aquilo foi terrível. Ai, eu vou tomar água porque, olha, já começa [se emociona].

    Se você pudesse fazer um feat com algum artista sul coreano, quem escolheria?

    Eu faria com o JK. E faria com o Moonbin, mas ele infelizmente… Ele é muito puro, é muito lindo. Tá no olhar dele. O olhar do Moonbin eu via a janela da alma, entendeu? Já JK é um cara muito engraçado, cheio de humor, canta muito bem, tem uma sacada incrível. Faria com ele.

    E tem alguma coisa que você queira falar mais sobre o seu amor por k-pop?

    Eu acho que, em primeiro lugar, obrigada. Muitos fãs de k-pop mandam recado para mim e quero dizer que eu sinto a dor que eles sentiram na perda do Bin. E que continuem amando, porque eles são lindos. No mínimo, são um belo colírio. É no mínimo eles conseguem tirar a gente de momentos tristes.

    Eu tenho um relato no meu direct de uma senhora dizendo que estava com câncer e que descobriu os meninos do ASTRO e que eles trouxeram luz para a vida dela. Olha o poder do amor, olha o poder deles, olha o poder da arte.

    Playlist da Roberta Miranda

    A rainha do sertanejo mandou sua seleção especial de canções de k-pop que ama. Confira:

    Confira a entrevista em vídeo: