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Tainá Müller sobre a força do cinema nacional: "Contato com algo único"

Em sua estreia recente na direção de "Apolo", ao lado de Isis Broken, o trabalho se consagrou com dois prêmios no Festival do Rio 2025

Caroline Ferreira, da CNN Brasil
Tainá Müller estreou como diretora de "Apolo", longa premiado no Festival do Rio 2025  • Milena Seta
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"É muito desafiador e tem que ter resiliência", é o que diz Tainá Müller, 43, sobre fazer um filme independente no Brasil. Recentemente, a atriz, com mais de duas décadas de estrada entre cinema, série, novelas e teatro, chegou ao público pelo lado de trás das câmeras, juntamente com Isis Broken, 30, na direção de "Apolo".

O filme, lançado no Festival do Rio, e premiado em duas categorias: melhor longa-metragem documentário e melhor trilha, acompanha a relação entre Isis e o companheiro, Lourenzo Gabriel - ambas pessoas trans - durante a gestação do filho, Apolo, concebido naturalmente na pandemia.

 

À CNN, a atriz conta qual o saldo e principal amadurecimento após o trabalho. "Raramente, de fato, vai compensar financeiramente. Mas, a compensação vem de um apaixonado por cinema como eu, né? Vem da vontade imensa de contar uma história, de achar que essa história merece ser contada e de vê-la sendo recebido pelo público. Essa é a grande satisfação", celebra.

"De resto, é realmente muita batalha", brinca. "Você tem que querer muito, porque são anos de trabalho. Um filme independente, às vezes, dura de cinco a dez anos, com você ali, colocando energia, empenho. É um trabalho que a compensação está mais ligada à paixão do que a um senso prático", continua.

Tainá Müller e Isis Broken assinaram juntas a direção de "Apolo" • Milena Seta
Tainá Müller e Isis Broken assinaram juntas a direção de "Apolo" • Milena Seta

Embora o país viva um momento bonito e expressivo quando o assunto é cinema nacional, a partir de grandes sucessos como "Ainda Estou Aqui" e outros destaques como "O Agente Secreto" e "Manas", para Tainá ainda falta uma valorização real da autenticidade brasileira.

"É muito cruel para o cinema brasileiro, em termos de orçamento, competir com estrangeiros. Você pega um baixo orçamento aqui, não tem comparação. A experiência cinematográfica vai ser diferente, mas, ainda assim, eu acho que o brasileiro precisa entender que, acompanhar o cinema brasileiro é entrar em contato direto com algo único e que ninguém nunca vai reproduzir, que é se ver na tela, ver a sua cultura representada", acrescenta.

 

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