Sir Stirling Moss, lenda do automobilismo, morre aos 90 anos em Londres

Ele sofria de complicações após contrair uma infecção bronquial em 2016; Moss foi quatro vezes vice-campeão da Fórmula 1

Lauren Kent, Wayne Sterling e Paul Gittings Da CNN
12 de abril de 2020 às 12:02
Em 2000, Moss recebeu da rainha Elizabeth II o título de cavalheiro da Ordem do Império Britânico
Foto: Monika Fellner/Getty Images

O britânico Stirling Moss, considerado um dos maiores pilotos de todos os tempos, morreu aos 90 anos neste domingo, reportam a agência PA News e o site oficial da Formula Um. Sua mulher, Susie Moss, disse à PA que ele “morreu pacificamente em sua casa em Londres, após lutar contra uma doença por anos.”

Moss atuou como piloto entre 1948 e 1962, competindo em várias provas e vencendo 212 corridas das 529 em que participou. Ele também foi vice-campeão da F1 por quatro vezes durante a sua carreira. Venceu 16 provas na categoria máxima do automobilismo mundial, incluindo triunfos icônicos em Mônaco e na Alemanha durante a temporada de 1961.

“Stirling participou de 66 Grandes Prêmios entre 1951 e 1961, competindo por equipes como Vanwall, Maserati e Mercedes, onde formou uma disputada e cruelmente eficaz parceria com o também brilhante piloto Juan Manuel Fangio”, disse a F1 em comunicado. “Todos na categoria mandam suas sentidas condolências para Susie, família e amigos.”

A Mercedes, um dos times de Moss, tuitou no domingo: “Hoje o mundo esportivo perdeu não só um verdadeiro ícone lendário, mas também um cavalheiro. A equipe e a família Mercedes Motorsport perderam um amigo querido. Sir Stirling, vamos sentir saudades.” 

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Foi quando se juntou à poderosa Mercedes, equipe de Juan Manuel Fangio, que seu sucesso na F1 começou. Ele venceu o Grande Prêmio da Inglaterra em 1955, deixando o argentino, que depois se tornaria pentacampeão da categoria, no segundo posto.  

Moss foi vice de Fangio nesse ano e nas duas temporadas subsequentes, chegando muito perto do título em 1958, quando acabou perdendo por um ponto para o também britânico Mike Hawthorn. 

Ele até poderia ter saído vitorioso aquele ano, já que seu rival chegou a perder 6 pontos por um acidente no Grande Prêmio de Portugal. Pelo contrário, Moss ajudou Hawthorn a reverter a decisão da organização da prova.

“Eu nem hesitei em fazê-lo”, disse anos depois. “Não consigo nem entender como isso pode ser debatido. O fato de que ele era meu único rival pelo título nem passou pela minha cabeça. De maneira nenhuma.”

Foi um ato incrível de desportivismo que ajudou a consolidar sua popularidade com o público britânico, que admirava seu estilo arrojado e sua mentalidade vencedora. 

Sua carreira terminou após um acidente terrível na pista de Goodwood, no sul da Inglaterra, no domingo de Páscoa de 1962. Ele precisou ser retirado dos restos do carro e sofreu lesões que colocaram sua vida em risco. Recuperou-se em um mês e considerou voltar a correr, mas decidiu se aposentar aos 32 por conta da gravidade das lesões.

Mesmo aposentado, ficou para sempre associado ao ato de dirigir em alta velocidade. Depois disso, a pergunta retórica “Quem você acha que é, Stirling Moss?” seria supostamente utilizada por policiais britânicos para questionar motoristas flagrados acima do limite de velocidade.

Um favorito do público, Moss continuou pilotando em eventos e festivais automobilísticos até aos 81, sendo sempre o centro das atenções.

Em 2000, recebeu da rainha Elizabeth II o título de cavalheiro da Ordem do Império Britânico por seus serviços prestados ao automobilismo. 

Ele se retirou da vida pública em janeiro de 2018 após contrair uma infecção bronquial durante viagem para Singapura, em 2016, e desenvolver problemas de saúde.