Após decisão da F1, SP cancela licitação para reformar pista de Interlagos

Prefeito Bruno Covas (PSDB) disse que pregão avaliado em R$ 48 milhões foi suspenso; administração municipal tenta renovar contrato do autódromo com a categoria

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
24 de julho de 2020 às 14:47
Prefeito de São Paulo, Bruno Covas, cancelou reforma da pista de Interlagos após F1 cancelar Grande Prêmio do Brasil
Foto: Governo do Estado de São Paulo

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), determinou o cancelamento da licitação para a reforma da pista do circuito de Interlagos após a organização da Fórmula 1 informar nesta sexta-feira (24) o cancelamento do Grande Prêmio do Brasil em razão da pandemia do novo coronavírus.

"Já determinei o cancelamento da licitação que estava em andamento no valor de R$ 48 milhões para a reforma da pista", disse Covas, em entrevista no Palácio dos Bandeirantes, horas depois do anúncio da F1.

"Não tem mais como a gente segurar isso porque teria que dar andamento à licitação. Não vamos gastar R$ 48 milhões com o risco de não ter Fórmula 1 na cidade de São Paulo", completou.

Ele disse ainda que o município segue em negociação com a Liberty Media, empresa que controla a Fórmula 1, para que o contrato da categoria com Interlagos seja renovado para além de 2020, quando vence o acordo da empresa com a prefeitura da capital.

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O prefeito disse respeitar a decisão da Liberty Media, apesar de argumentar que o governo municipal demonstrou ter condições para realização da prova, em novembro.

"Ao longo das últimas semanas enviamos todos os dados à organização do evento mostrando que a realidade da cidade de São Paulo e do estado é bem diferente da realidade brasileira, que é o que tem nas notícias que chegam tanto para pilotos quanto para equipes", disse Covas.

"A projeção mostra que em novembro estaremos em uma situação bem melhor do que estavam os países europeus onde já tivemos realização de Grande Prêmio."

O impacto econômico para a capital paulista foi estimado em R$ 361 milhões, segundo o Observatório de Turismo e Eventos da São Paulo Turismo (SPTuris). A prefeitura estima gastos de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões por ano para garantir a realização da corrida, em intervenções urbanas e obras na cidade e no autódromo.

A decisão da F1

Nesta sexta, Fórmula 1 comunicou que a prova no Brasil, assim como os GPs dos Estados Unidos, do México e do Canadá, não seriam realizados em razão da situação da Covid-19 no continente.

“Após discussões contínuas e estreita colaboração com nossos parceiros, também podemos confirmar que, devido à natureza fluida da pandemia contínua de Covid-19, às restrições locais e à importância de manter as comunidades e nossos colegas em segurança, não será possível competir no Brasil, EUA, México e Canadá nesta temporada”, disse a categoria, em comunicado.

Essa é a primeira vez desde 1972, quando estreou na F1 ainda sem valer pontos, que um GP do Brasil ficará de fora da temporada. É também a primeira vez nos 70 anos da categoria que o continente americano não terá uma etapa.

Calendário atualizado da temporada 2020 da F1, com os novos GPs na Alemanha, em Portugal e na Itália
Foto: Divulgação/ Fórmula 1

Para ampliar o calendário da categoria, foram adicionadas mais três corridas na Europa, nos circuitos de Nürburgring (Alemanha) em 11 de outubro, Portimão (também chamado de Autódromo de Algarve, em Portugal) em 25 de outubro e Ímola (Itália) em 1º de novembro — circuito onde Ayrton Senna sofreu um acidente fatal em maio de 1994.