App usado para transferências de jogadores de futebol já é usado em 44 países


Adalberto Leister, Bruno Oliveira, Isabella Faria e Lucas Schroeder, da CNN, em São Paulo
29 de julho de 2020 às 13:08

O mundo digital está cada vez mais presente na vida de todos. E, quando se fala em relacionamentos, principalmente os amorosos, os aplicativos que conectam possíveis pretendentes são muito procurados, e seus passos são simples: se você se interessa pelos hobbies, aparência e se a pessoa estiver disponível, é só dar match e começar o contato.

Agora, essa realidade chegou ao mundo do futebol, mas não para contatos amorosos. O aplicativo TransferRoom, criado em 2017, reúne mais de 550 clubes de 78 ligas em 44 países diferentes. Seu objetivo? Tornar a negociação dos atletas mais acessível aos clubes de futebol.

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Segundo seu co-fundador, Simon Arkensen, a ideia do aplicativo surgiu para tentar driblar as dificuldades burocráticas das negociações convencionais de jogadores: “Depois de viajarmos e conhecermos muitos diretores de clubes de futebol, descobrimos que existem dois problemas principais: uma falta de transparência nesse mercado e os clubes não possuírem um canal direto de comunicação, e foi a partir daí que criamos o TransferRoom”.

Pelo aplicativo, um dirigente de clube consegue pesquisar opções de atletas com filtros específicos: altura, idade, posição, faixa de preço e até pelo país ou região. Se interessou por alguém? É só clicar no botão “Declarar Interesse”, depois disso, cria-se um canal aberto para conversas entre atletas e diretores.

A anuidade, porém, é salgada. Custa cerca de R$ 80 mil por ano para divulgar atletas e contratar outros ao redor do mundo, porém, apesar do aplicativo não ser brasileiro, clubes como São Paulo, Flamengo e Internacional já utilizam a ferramenta.

Deive Guilhereme Bandeira, gerente de mercado do clube Internacional, diz que o time utiliza a plataforma desde 2018 e já obteve sucesso em diversas negociações e empréstimos.

“Ano passado, tivemos duas ofertas formais de países emergentes da Europa, por opção, mandamos o atleta para o Japão, mas sempre acontecem negociações através do aplicativo, inclusive envolvendo valores”, diz.

Depois do match e de uma conversa inicial pelo aplicativo, ambas as partes podem marcar de se encontrarem ao vivo. Incentivando a parte “tête-à-tête” da negociação, o próprio TransferRoom promove eventos três vezes ao ano para que dirigentes e atletas se conheçam. Porém, com a pandemia da Covid-19, os próximos encontros serão feitos de forma online.

Para o co-fundador do aplicativo, também há uma vantagem em encontros remotos; segundo ele, os diretores do clube economizam muito ao não fazerem várias viagens de avião em poucos dias. “Se você quiser se reunir com 15 clubes em um dia, por exemplo, você vai gastar muito dinheiro e tempo, mas agora os diretores dos clubes podem, dos seus escritórios, se conectar com quantos clubes quiserem, sempre fazendo negociações e ampliando suas redes de contatos.”

E se o encontro vai bem, por que não tentar um relacionamento? Simon se diverte com as comparações da ferramenta com aplicativos de namoro, mas ressalta que o TransferRoom deu uma nova cara para o mercado do futebol.

“Com certeza se parecem, principalmente porque usamos a função de “arrastar para o lado”, diz, “porém, fiquei muito impressionado com os dirigentes dos clubes realmente se engajando com essa tecnologia, a reputação do futebol sempre foi a de ser um esporte ‘conservador’ e ‘antiquado’, acredito que agora as coisas estejam mudando.”

App usado para transferências de jogadores de futebol já é usado em 44 países

App usado para transferências de jogadores de futebol já é usado em 44 países

Foto: CNN (29.jul.2020)