Casal em lua de mel fica preso em Cabo Verde e vai representar país na Olimpíada


Da CNN*
21 de agosto de 2020 às 20:06
Rikiya e Ayumi Kataoka

Rikiya e Ayumi Kataoka com o uniforme oficial olímpico de Cabo Verde como um presente do Comitê Olímpico Nacional

Foto: Rikiya Kataoka/Cortesia

O casal Rikiya e Ayumi Kataoka tiveram sua lua de mel arruinada pela pandemia do novo coronavírus. Entretanto, o que parecia um problema acabou os tornando embaixadores da equipe olímpica de Cabo Verde.

Eles, que completaram um terço da volta ao mundo que pretendiam fazer, se viram num exílio forçado nas ilhas da costa da África Ocidental após a suspensão de voos de longa distância. A intenção era ir para a Europa, e após isso, voltar para o Japão.

Uma solução plausível seria ir para a África, mas o casal não quis se submeter ao risco em meio ao aumento de casos no continente. Passaram, então, a trocar serviços com empresas nacionais para conseguirem sobreviver.

Com poucos recursos financeiros, o casal fez vídeos para as mídias sociais divulgando hotéis e restaurantes locais em troca de alojamento e alimentação. “Fotografei muitas coisas em restaurantes e hotéis como voluntário”, disse Rikiya.

Ayumi, sua esposa, posava como modelo e fazia críticas dos estabelecimentos por onde passavam.

Os dirigentes olímpicos de Cabo Verde ficaram intrigados com os laços que os Kataoka criaram com os habitantes da região e os convidaram para integrar a equipe que viaja para Tóquio em julho do próximo ano.

“Querem que eu seja um embaixador da equipe olímpica”, disse Rikiya, de 30 anos.

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O arquipélago, que participou de todas as edições desde 1996, nunca conquistou nenhuma medalha olímpica e pretende levar três ou quatro atletas para a próxima edição.

O convite não foi feito apenas para conhecimento local mas também para recompensar a promoção que o casal fez para a ilha em postagens nas redes sociais, onde se tornaram celebridades.

“Quando eles chegarem em Tóquio, ficarão em choque, porque é grande e emocionante, eles vão entender de onde vem o nosso convite e o que isso significará para eles no futuro”, disse Leonardo Cunha, chefe da missão das ilhas em Tóquio.

*Com informações da Reuters