Estádio de futebol não é uma coisa sem controle, diz presidente da Ferj

CBF se reunirá nesta semana com os governos do estado e do município do Rio para discutir a questão

Da CNN, em São Paulo
21 de setembro de 2020 às 16:11

A Prefeitura do Rio de Janeiro já anunciou o retorno das torcidas aos estádios de futebol: a primeira partida com público será no dia 4 de outubro, no Maracanã, entre Flamengo e Atlético Paranaense. 

O governador em exercício do Rio, Cláudio Castro(PSC), porém, informou que só vai liberar a volta das torcidas aos estádios se o Ministério da Saúde autorizar. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se reune nesta semana com os governos do estado e do município para discutir a questão.

Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (21), Rubens Lopes, presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), disse discordar “veementemente que o estádio de futebol é uma coisa incontrolada”.

“Isso é fala de quem não conhece uma operação de jogo, de quem evidentemente não conhece o contexto”, falou.

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Rubens Lopes, presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj)
Foto: CNN (21.set.2020)

“Desde que houve a paralisação, devido à pandemia, a federação se envolveu com especialistas, técnicos e estudos, e foi elaborado o chamado protocolo ‘jogo seguro’, que no Rio se mostrou ser efetivo, eficaz e [sem] praticamente nenhuma consequência”, afirmou.

Lopes disse ainda que o campeonato carioca e as atividades de retorno de treinamento ocorreram com “toda a segurança” e “sem nenhuma intercorrência”. 

“Em função disso fomos solicitados a estender o estudo para que, no dia que fosse permitido o retorno das atividades, esse protocolo fosse observado com todo rigor”, explicou. 

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) são contrários ao retorno do público aos estádios de futebol e classificam a medida como “contrária a qualquer norma sanitária de bom senso”.

“Estádio de futebol é um ambiente fora de controle. Por mais vigilância que se faça, não tem como garantir que todos usarão máscaras, que irão respeitar 1,5 metro de distância, e que se locomoverão dentro do estádio seguindo esse distanciamento.

Permitir torcida é uma grande falta de bom senso por parte das autoridades. No lugar de medidas sanitárias, estamos vivendo um paradoxo entre o que o que a ciência diz e as medidas adotadas pelo poder público”, avaliou Margareth Dalcolmo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz.

A Sociedade Brasileira de Infectologia avaliou, por meio de nota, que a Prefeitura do Rio "dá sinais invertidos” ao autorizar o funcionamento de setores não essenciais da economia, e “depois responsabiliza a população pelo aumento de casos de Covid-19”.

(Edição: Sinara Peixoto)