País está longe de poder flexibilizar, diz médico sobre volta aos estádios

“Vamos ter que aprender a viver nessa fase de adaptação, e adaptação é possível num ambiente mais controlado", falou o infectologista Alexandre Naime Barbosa

Da CNN, em São Paulo
23 de setembro de 2020 às 15:34 | Atualizado 23 de setembro de 2020 às 15:35

Após a aprovação do protocolo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para o retorno do público aos estádios, a Federação Paulista de Futebol (FPF) afirmou que a autorização "depende do aval das autoridades públicas estaduais e municipais".

Para a FPF, a presença dos torcedores só deve ocorrer "caso haja uniformidade de decisões por parte dos Estados que tenham equipes envolvidas na competição".

Segundo o infectologista Alexandre Naime Barbosa, diante do cenário atual, sob o ponto de vista médico, não é possível a flexibilização de atividades não essenciais.

"Infelizmente o Brasil ainda vive uma realidade epidemiológica como um todo, como nação, com cerca de 30 mil casos e 700 óbitos por dia, ainda muito distante de uma possibilidade de flexibilização que não inclua atividades essenciais", disse em entrevista à CNN.

“Em muitos estados onde se coloca a ciência antes dos interesses econômicos, infelizmente, essa flexibilização não é possível, porque apesar de o número de transmissão estar caindo, na grande parte dos estados, ela ainda é muito alta”, argumentou.

Com a aprovação do plano apresentado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pelo Ministério da Saúde, a abertura dos estádios poderá contar com até 30% da capacidade, a partir de outubro, para os jogos das Séries A e B do Campeonato Brasileiro e para a Copa do Brasil.

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“Alguns estados têm situação diferente de outros e, obviamente, essas medidas precisam ser regionalizadas”, falou ele, citando Santa Catarina, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Ceará como regiões que estão tendo queda de novos casos e óbitos pela Covid-19.

“Mas Rio de Janeiro, Bahia, Bahia, Maranhão, Pernambuco e Rio Grande do Norte estão em tendência de alta”, ponderou.

E fica a dúvida, pontua o especialista, se, apesar do protocolo da CBF colocar regras que, em teoria, impediriam ou dificultariam a transmissão nos estádios, será que a fiscalização vai evitar a aglomeração que vemos frequentemente? E fora dos estádios? Lembrando que os torcedores têm que se deslocar, em massa, para chegar aos jogos.

Barbosa também lembrou que o país vai ter que conviver bastante tempo ainda com a flexibilização até que surja uma vacina efetiva para a Covid-19. 

“Vamos ter que aprender a viver nessa fase de adaptação. E adaptação é possível num ambiente mais controlado. Escola ou cinema é muito mais fácil de fiscalizar do que uma torcida de futebol, onde você tem grandes emoções durante um jogo”.

(Edição: Sinara Peixoto)