Honda anuncia saída da F1 em 2021 para 'focar em emissão zero de carbono'


Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
02 de outubro de 2020 às 10:15
Max Verstappen aponta para o logo da Honda ao celebrar a vitória na F1

Max Verstappen aponta para o logo da Honda ao celebrar a vitória no Grand Prix da Áustria de 2019

Foto: Lars Baron - 30.jun.2019/Getty Images/Red Bull Content Pool

A fabricante japonesa Honda anunciou nesta sexta-feira (2) que encerrará sua participação como fornecedora de motores para a Fórmula 1 no final da temporada de 2021 para se concentrar no desenvolvimento de tecnologias com emissão zero de carbono.

A decisão foi tomada no final de setembro e a empresa não pretende retornar à F1, disse o presidente-executivo Takahiro Hachigo em entrevista coletiva online.

"Isso não é resultado da pandemia de coronavírus, mas por causa de nossa meta de longo prazo de eliminação de carbono", disse Hachigo.

Como outras montadoras, a Honda corre para desenvolver veículos com novas matrizes energéticas em uma mudança na indústria que Hachigo descreveu como "[algo que acontece] uma vez em um século".

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Essa corrida está se acelerando em meio ao surto do novo coronavírus à medida que os fabricantes de automóveis revisam os planos de produção para conquistar participação de mercado com novos modelos, incluindo veículos de baixa ou com zero emissões de carbono.

A Honda, que voltou à F1 em 2015 em parceria com a equipe McLaren – inspirada pela criação das unidades de potência com foco em tecnologia híbrida e recuperação de energia –, disse que focará os recursos usados para construir motores de F1 em esforços para acelerar o desenvolvimento de tecnologias de emissão zero, como células de combustível e baterias.

A Honda está lançando seu primeiro carro alimentado apenas com baterias e produzido em massa neste mês – o Honda e – e anunciou planos para que dois terços da produção da empresa sejam de veículos com nova energia até 2030.

A rival japonesa Toyota disse na semana passada que espera que as vendas anuais de veículos elétricos cheguem a 5,5 milhões em 2025, cinco anos antes do inicialmente planejado. 

Em 2020, os motores Honda já venceram duas corridas na F1

Em 2020, os motores Honda já venceram duas corridas na F1, umas delas com Pierre Gasly, da Alpha Tauri, na Itália

Foto: Peter Fox - 06.Set.2020/Getty Images/Red Bull Content Pool

Efeitos na F1

A decisão da Honda deixará a Fórmula 1 com apenas três fornecedores de motores: Mercedes, Ferrari e Renault. 

Pelas regras atuais da categoria, a Renault seria obrigada a fornecer motores para a Red Bull e para a Alpha Tauri – equipes atendidas hoje pela Honda – por ser a construtora com menos clientes, caso elas não cheguem a um acordo com outra fornecedora.

Recentemente, a Red Bull e a Alpha Tauri se comprometeram a continuar na Fórmula 1, pelo menos, até 2025 com a assinatura do novo Pacto da Concórdia.

“Entendemos o quão difícil é para a Honda tomar essa decisão. Entendemos e respeitamos os motivos por trás disso”, afirmou o diretor da Red Bull, Christian Horner, em comunicado.

“Esperamos embarcar em uma nova era de inovação, desenvolvimento e sucesso. Como grupo, vamos avaliar e procurar a unidade de potência mais eficiente para 2022”, completou.

Desde seu retorno à categoria, os motores Honda conquistaram 5 vitórias na F1: quatro com a Red Bull e uma com a Alpha Tauri, neste ano, quando Pierre Gasly venceu o GP de Monza, na Itália.

"A Honda continuará a trabalhar com a Red Bull Racing e a Scuderia AlphaTauri para competir com seu máximo esforço e buscando mais vitórias até o final da temporada de 2021", acrescentou a empresa japonesa em um comunicado.

(Com informações da Reuters)